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Brasil

Experiência agrícola brasileira pode ajudar a combater a fome na África

Crise da fome no Chifre da África aponta a urgência da criação de programas agrícolas eficientes que garantam segurança alimentar. Parceria entre Brasil e países africanos pode ajudar a indicar o caminho.

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Cooperação quer ajudar a acabar com a fome por meio da agricultura

A ajuda ao Chifre da África começa a chegar aos poucos. Gradualmente, suprimentos ricos em calorias e sais minerais são distribuídos entre os milhares de cidadãos na Somália, país mais castigado pela fome que aflige a região.

Segundo Susannah Nicol, porta-voz do Programa Mundial de Alimentos das Nações Unidas em Nairóbi, foram entregues 84 toneladas desses mantimentos até esta sexta-feira (05/08) em Mogadíscio e em outras três cidades no sul do país – para evitar que as pessoas, já fragilizadas pela falta de comida, tenham que percorrer grandes distâncias.

O panorama não é otimista. A forte seca, considerada uma das causas da fome no Chifre da África, deve se estender pelos meses de agosto e setembro não só na Somália, como na Etiópia, Djibuti e Quênia, segundo relatório da Organização Mundial de Meteorologia (WMO). O alerta já havia sido emitido por outras organizações de previsão do clima, ainda em janeiro.

"Secas não acontecem do dia para a noite", declarou Luc Gnacadja, secretário-executivo da Convenção de Combate à Desertificação da ONU (Unccd). "Nós ressaltamos a necessidade de soluções efetivas e de longo prazo para atacar na raiz as causas da fome em regiões propensas a secas, como a implementação de sistemas de manutenção e medidas contra a desertificação."

A Unccd e WMO marcaram para novembro uma conferência internacional para discutir um sistema integrado de informação sobre secas. O objetivo é melhorar a coordenação de ações e o monitoramento, assim como desenvolver planos que respondam com maior rapidez a crises tão agudas como a vista atualmente no Chifre na África.

Agricultura e combate à fome

A ajuda imediata é urgente mas, como alerta a FAO, Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura, "além da emergência será preciso pôr em prática soluções de longo prazo necessárias para garantir a segurança alimentar no Chifre da África", diz a nota do órgão sobre a catástrofe.

Antes de ser eleito presidente da FAO, o brasileiro José Graziano, que assume o posto em 1º de janeiro de 2012, já havia manifestado o interesse de estender a países da África a experiência brasileira de combate à fome. E essa cooperação já começou: a Embrapa, Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária, mantém parcerias em quatro países do continente.

"A expectativa é que o que a Embrapa já desenvolveu em termos de novas técnicas, tecnologias para novos produtos agrícolas etc. possam ser aplicados na África e possam também lá dar bons resultados", disse à Deutsche Welle Antônio Prado, coordenador de Cooperação Internacional da Embrapa.

Um grande plano de cooperação está a caminho: o projeto ProSavana, que estimula o desenvolvimento do setor agrícola e de segurança alimentar em Moçambique, deve ser assinado nas próximas semanas. O projeto é inspirado na experiência do governo brasileiro acumulada durante os anos do Programa de Desenvolvimento dos Cerrados (Prodecer), iniciado em 1975.

O ProSavana também terá participação do governo japonês, com o objetivo de ajudar a implantar um modelo agrícola eficiente, por meio de empreendimentos de médio porte. Em áreas de savana, assim como no cerrado, predomina o clima quente, com períodos de chuva e de seca.

Segundo Antônio Prado, essa parceria poderia ser estendida a outros países africanos que também sofrem de insegurança alimentar. Por enquanto, ainda não há qualquer sinalização dos governos do Chifre da África, como a Somália. A instabilidade política do país dificulta as parcerias – o sul do território somaliano está nas mãos de uma milícia islâmica, e o governo de transição tem dificuldades em administrar o país.

Apesar de a Embrapa desenvolver com algumas empresas privadas pesquisas na área de transgênicos, Prado ressalta que as parcerias de cooperação agrícola com os países africanos não incluem essa tecnologia. "Nós não estamos transferindo para lá soja geneticamente modificada, ou arroz geneticamente modificado, nada disso. São sementes que foram cultivadas no Brasil, melhoradas, adaptadas, mas que não sofreram modificação genética. São variedades de domínio público", adiciona.

Autora: Nádia Pontes
Revisão: Roselaine Wandscheer

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