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Alemanha

Ex-vice-chanceler protagoniza novo escândalo de plágio na política alemã

Deputado social-democrata Frank-Walter Steinmeier está no centro do mais recente caso de político suspeito de copiar trabalho acadêmico. Acusações similares já levaram à renúncia de dois ministros de Angela Merkel.

O ex-ministro do Exterior e atual líder da bancada do Partido Social-Democrata (SPD) no Parlamento, Frank-Walter Steinmeier, é o protagonista do mais recente caso de acusação de plágio acadêmico contra um político alemão. Antes dele, dois ministros da chanceler federal Angela Merkel renunciaram após ter sido descoberto que partes de suas teses de doutorado eram copiadas.

A Universidade Justus Liebig, da cidade de Giessen, anunciou nesta segunda-feira (30/09) que fará uma análise científica da dissertação de doutorado de Steinmeier. "O processo durará somente poucas semanas", garantiu o reitor da instituição, Joybrato Mukherjee.

Steinmeier, que foi vice-chanceler entre 2007 e 2009, concluiu seu doutorado em direito pela Universidade Justus Liebig em 1991, escrevendo sobre pessoas sem-teto. Ele mesmo havia pedido à universidade "uma avaliação formal das acusações", divulgadas no fim de semana.

A revista alemã Focus publicou no domingo uma reportagem citando o professor universitário Uwe Kamenz, que disse haver "evidências claras" de plágio na dissertação de doutorado de Steinmeier. O político, que será um dos líderes social-democratas a negociar com os conservadores de Merkel a formação de uma coalizão para governar a Alemanha nos próximos quatro anos, rechaçou a acusação como "absurda".

Projeto analisa dissertações de políticos

Kamenz participa de um projeto que analisa dissertações de políticos a procura de possíveis plágios. Para isso, ele usa um programa de computador que compara as teses e doutorado com textos de uma centena de fontes.

Annette Schavan Rücktritt Plagiatsaffäre

Annette Schavan: ministra da Educação renunciou após perder título de doutora

O relatório que trata da tese de Steinmeier, composto por 279 páginas, aponta 500 trechos com "similaridades" suspeitas. Nele, a "probabilidade total de plágio" é avaliada em 63%. Kamenz havia enfatizado várias vezes no passado que a análise de computador pode proporcionar apenas indícios e que a avaliação final deve ser executada por pessoas.

"A evidência circunstancial é semelhante ao caso da ex-ministra da Educação Annette Schavan", comparou Kamenz, em entrevista à Focus. Schavan teve seu título de doutorado revogado em fevereiro passado pela Universidade de Düsseldorf, que considerou que ela havia copiado "sistematicamente e intencionalmente" partes de sua tese, escrita 30 anos atrás.

Quatro dias após o anúncio da medida, ela renunciou como ministra, tendo, entretanto, iniciado um processo contra a universidade em busca da impugnação da decisão.

Revista patrocinou investigação

Segundo reportagem do jornal Süddeutsche Zeitung, a Focus seria patrocinadora das análises realizadas por Kamenz. Um porta-voz da editora Burda, que publica o semanário, afirmou que a revista forneceu duas vezes a Kamenz uma quantia de algumas centenas de euros como ajuda de custo para a digitalização de livros. "Isso ocorreu independentemente da investigação sobre determinadas dissertações", afirmou o porta-voz.

O professor de direito Gerhard Dannemann avaliou as possíveis violações cometidas por Steinmeier como menos graves do que as presentes no caso Schavan. Ele considerou grande parte das evidências citadas por Kamenz como "pouco problemáticas".

Nos últimos anos, vários políticos proeminentes tiveram seus títulos de doutor revogados por terem copiado ilicitamente outras obras em suas dissertações. Antes de Schavan, o caso que mais chamou a atenção foi, em 2011, o do então ministro da Defesa Karl-Theodor zu Guttenberg, que renunciou. Outros políticos que tiveram seus títulos cassados por motivo similar foram os integrantes do Partido Liberal (FDP) Silvana Koch-Mehrin, Jorgo Chatzimarkakis e Margarita Mathiopoulos.

MD/afp/rtr/dpa

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