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Alemanha

Ex-treinador tenta melhorar imagem da Alemanha na Grécia

Otto Rehhagel se tornou ídolo nacional na Grécia ao levar país a título da Eurocopa em 2004. Agora, ele entra em campo para influenciar a imagem alemã no país, abalada por medidas de austeridade impostas pela UE.

Não é das melhores a imagem da chanceler federal alemã, Angela Merkel, principalmente nos países europeus em crise, como Grécia, Espanha e Chipre. Muitas vezes ela chegou a ser representada com o bigode de Hitler. Mesmo que as medidas de austeridade econômica sejam impostas pela União Europeia e outras organizações internacionais, o governo alemão costuma ser acusado como responsável.

Assim, para tentar melhorar a imagem da Alemanha no país, o ex-treinador da seleção grega, Otto Rehhagel, aceitou o convite que Merkel fizera há cerca de um ano, e entrou em campo para pelo menos tentar diminuir a aversão dos gregos em relação aos alemães.

Otto Rehhagel mit der Trophäe Eruo 2004 Griechenland Trainer

Rehhagel (esq.) com troféu de campeão da Eurocopa 2004

Rehhagel se tornou um ídolo nacional da Grécia ao surpreendentemente levar a seleção de futebol do país ao título da Eurocopa, em 2004. O treinador, de 74 anos, usa esse status especial também para mandar recados austeros para os gregos, como "devemos seguir as regras, senão nada vai dar certo" e também em defesa de Merkel.

Como integrante de uma delegação na Grécia, encabeçada por Hans-Joachim Fuchtel, secretário de Estado no Ministério do Trabalho, Rehhagel se encontrou com ministros e se manifestou a favor de uma estreita cooperação entre as comunidades locais dos dois países, na busca da solução para problemas como o tratamento de lixo e estabelecimento de empresas de energia elétrica.

Ídolo onipresente

Ao mesmo tempo, ele quer mostrar aos alemães que os gregos são aplicados, e que eles vão preencher todas as medidas de austeridade impostas pela troica – formada pela Comissão Europeia, o Banco Central Europeu (BCE) e o Fundo Monetário Internacional (FMI).

Ele pretende também interceder na abertura de um centro de treinamento de inverno para a seleção alemã na Grécia. Tudo, para tentar melhorar o relacionamento entre os dois povos e tirar a culpa da Alemanha quanto à medidas de austeridade impostas a Atenas.

Reflexo disso é a aparição do ex-treinador em vários eventos, quer se trate de um encontro com o ministro grego do Interior ou com a ministra do Turismo, quer de um torneio de futebol entre a equipe jovem do grego Panathinaikos e um time formado por filhos de refugiados: Otto Rehhagel encara tudo com soberania.

Mesmo assim, Rehhagel se esquiva a responder aos jornalistas se existe solução para os problemas gregos – talvez por acreditar que quem deve dar essa resposta é o secretário de Estado Fuchtel.

Besuch des ehemaligen griechischen Nationaltrainers Ottos Rehhagel in Athen

Treinador participou de evento com times gregos de futebol juvenil

"Sem esforço não há recompensa"

Mas claro que os jornalistas gregos pouco se interessam por essa "divisão de tarefas". Como separar, num momento em que o assunto "crise no Chipre" está dia e noite nas manchetes e uma missão da troica se encontra em Atenas para pedir novas medidas de austeridade ao governo grego?

Enfim: será que os gregos conseguem superar a crise atual? "É possível superar tudo", responde Rehhagel, "se trabalharmos em conjunto". O time dirigido por ele não mostrou isso na prática Quando ele entrou como treinador em 2001, a seleção estava dividido. Pouco depois de três anos, veio o grande sucesso, quando eles focaram o espírito coletivo, em vez do individualismo. Isso deve acontecer hoje também em relação à crise econômica.

Num programa de TV perguntaram-lhe se estaria trazendo a promessa de ajuda à Grécia em nome de Merkel. "Devemos nos manter unidos em caso de dificuldades", respondeu. "Devemos apertar o cinto, mas não tanto que não consigamos mais respirar." Frases como essas o fizeram ficar mais próximos dos gregos. Ou como também ele mesmo diz de si mesmo: na sua vida ele sempre respeitou as regras, "mas só 90% delas".

Rehhagel não tem o mesmo rigor que outros alemães em relação aos gregos, e assim estes sabem valorizá-lo. As pessoas sabem que mudanças são necessárias, mas não fazem tudo corretamente, ressalva. E também agrada ao responder sobre a culpa da premiê alemã na situação econômica da Grécia: "Merkel não inventou a crise".

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