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América Latina

Ex-refém alemão na Colômbia encoraja vítimas de seqüestro

Alemão Ulrich Künzel foi refém das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia em 2001. Em entrevista à DW-WORLD, ele dá conselhos aos reféns e assinala que Farc são grupo de seqüestradores e Colômbia não é ditadura.

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Soldados colombianos capturados pelos guerrilheiros

As Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) mantêm cerca de 200 pessoas seqüestradas. Entre elas está a franco-colombiana ex-candidata presidencial Ingrid Betancourt, refém desde 2002.

No último dia 31, fracassou a libertação de Clara Rojas, assessora de Betancourt, da deputada Consuelo González de Perdomo e de Emmanuel, filho de 3 anos de Clara, nascido no cativeiro.

O alemão Ulrich Künzel, ex-funcionário do Ministério alemão de Cooperação Econômica e Desenvolvimento, passou três meses em poder dos guerrilheiros colombianos em 2001. Segundo ele, é um mito dizer que eles estejam querendo derrubar uma ditadura.

DW-WORLD.DE: A esperada libertação de alguns reféns das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) acabou não acontecendo. O que o senhor sente ao ouvir tal notícia?

Ulrich Künzel: Posso imaginar que os reféns, aos quais se havia sinalizado a libertação, estão grandemente desiludidos. Eles devem estar sob um enorme estresse com a dúvida sobre se serão soltos ou não. Sei por experiência própria como é quando se sabe que a libertação está sendo planejada. O tempo parece passar mais devagar ainda.

O senhor foi seqüestrado em julho de 2001…

Eu estava a caminho de um projeto no sudoeste da Colômbia. Meu irmão e um amigo estavam comigo no carro quando fomos barrados e levados por um grupo de pessoas armadas. Inicialmente não sabíamos quem eram os seqüestradores. Só depois de cerca de três semanas ouvimos no rádio que um alto comandante das Farc assumiu a responsabilidade do rapto.

Qual a importância que o senhor deu à cobertura do seqüestro pela imprensa?

O rádio foi muito importante. Podíamos ouvir a Deutsche Welle – inicialmente por causa dos resultados dos jogos da Bundesliga. Mas também podíamos ouvir notícias. A Deutsche Welle foi nossa única ligação com o mundo.

Quão importante foi isso para o senhor?

Foi de extrema importância. Imagine só: eu estive três meses em cativeiro e neste tempo todo não tive nada para ler. O rádio foi o único meio do qual dispúnhamos para saber de alguma coisa. Durante nosso cativeiro, aconteceram os atentados de 11 de Setembro. Eu só veria as imagens disso em novembro, mas graças ao rádio tínhamos ouvido o que acontecera em Nova York e em Washington.

Quais as razões do seu seqüestro?

Na realidade, eles queriam levar apenas a mim, pois as Farc sabiam que eu trabalhava nas proximidades. Meu irmão e meu irmão foram tragicamente envolvidos.

Por que justamente o senhor tornou-se alvo das Farc?

Eu viajei por todo o sudoeste colombiano, pois prestava apoio a pequenos projetos de apoio ao desenvolvimento. Havia áreas, por exemplo, onde eu apenas podia entrar com permissão das Farc. A guerrilha sabia que eu estava lá, mas não podia imaginar qual era meu trabalho.

Eu tive de descrever, num caderno escolar, como era o trabalho alemão de ajuda ao desenvolvimento. Parece que a guerrilha queria saber se a Alemanha prestava ajuda militar dissimulada à Colômbia. Por isso, eles exigiram que a Alemanha deveria negociar os acordos de ajuda ao desenvolvimento diretamente com as Farc e não com o governo.

As Farc quiseram então ser consideradas uma instituição para progresso e desenvolvimento?

Pose-se dizer isso. Mas atualmente a política do presidente colombiano, Álvaro Uribe, levou a uma sgrande limitação do território de ação das Farc. Em 2001, havia regiões onde o Estado não estava mais presente. Naquela época, havia muitas comunidades que não dispunham nem de um policial.

O senhor acha que a situação mudou?

Hoje as pessoas podem novamente usar as estradas rurais, elas voltaram a poder tirar férias. O número de seqüestros diminuiu consideravelmente. Isso não resolveu o problema das Farc. A situação da Colômbia, no entanto, melhorou consideravelmente nos últimos cinco anos.

Qual o conselho que dá às pessoas em poder de seqüestradores?

Eu diria: façam todo o possível para resistir. Vocês precisam se ocupar, mesmo que seja com simples jogos de tabuleiro. Vocês precisam ler, se for possível. É preciso manter a cabeça intacta. Este é o único conselho que posso dar a quem está seqüestrado.

No seu retorno, o senhor fundou o site Farc.de. Por quê?

O site publica informações e notícias em alemão sobre a problemática da indústria do seqüestro. Queremos prestar uma pequena contribuição a quem vive aqui na região de domínio da língua alemã para que não incorra no erro de acreditar que as Farc são um movimento de libertação que luta contra uma ditadura. A Colômbia é um país onde há grandes injustiças, mas a Colômbia não é uma ditadura. É um mito dizer que eles estejam querendo derrubar uma ditadura.

As Farc são um grupo de seqüestradores e a Colômbia não é uma ditadura.

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