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Brasil

Ex-presidente da Eletrobrás comenta energia atômica e protecionismo energético

Luiz Pinguelli Rosa, que participa de simpósio em Berlim sobre os 20 anos de Tchernobil, fala sobre as usinas de Angra, o programa nuclear iraniano e o mix energético virtuoso em entrevista à DW-WORLD.

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O físico brasileiro Luiz Pinguelli Rosa

O professor Luiz Pinguelli Rosa, secretário executivo do Fórum Brasileiro de Mudanças Climáticas e ex-presidente da Eletrobrás, está na capital alemã, onde participa de palestras sobre o programa nuclear brasileiro na Universidade Livre de Berlim.

Ele falou à DW-WORLD sobre temas como Tchernobil, o programa nuclear brasileiro e mix energético. As palestras foram abertas nesta segunda-feira (24/04) pelo ministro alemão do Meio Ambiente, Sigmar Gabriel.

DW-WORLD: O senhor foi convidado a palestrar sobre o programa nuclear brasileiro no simpósio da Universidade Livre de Berlim sobre Tchernobil. O senhor sente uma preocupação nacional e internacional quanto à segurança deste programa?

Angra 2 Atomkraftwerk Brasilien

Usina nuclear de Angra 2 foi construída com tecnologia alemã

Sim, o fato de o programa brasileiro estar ligado ao acordo nuclear feito com a Alemanha, em 1975, o faz bastante interessante para os europeus. Entretanto, este programa, que foi impulsionado pelo governo militar, demonstrou-se um grande fracasso já que, de fato, somente a usina elétrica de Angra 2 foi construída com tecnologia da Siemens. Angra 1 foi feita com tecnologia americana.

O plano inicial era construir oito reatores até 1990, e 50 até o ano 2000. O chamado "programa paralelo" de enriquecimento de urânio como combustível nuclear para a Marinha foi, todavia, mais efetivo. O encerramento deste programa pelo governo civil deveu-se à denúncia, também por parte da Sociedade Brasileira de Física, da intenção de se fazer um teste nuclear na Serra do Cachimbo, onde a Aeronáutica possui uma base aérea.

Quem tem medo de Tchernobil: o problema da tecnologia nuclear está na tecnologia nuclear ou está na falta dela?

O desenvolvimento da tecnologia nuclear estagnou e o perigo existe. Entretanto, antes de Tchernobil, o acidente na usina nuclear americana de Three Mile Island, no Estado da Pensilvânia, pôs uma pá de cal no programa nuclear dos Estados Unidos, que não mais encomendaram novos reatores. Além disso, há os riscos causados pelos rejeitos radioativos.

Existem novas usinas atômicas em planejamento no Brasil? A Alemanha ajudou a construir as usinas de Angra dos Reis, qual o papel alemão na construção das novas usinas?

Hoje, no Brasil, o programa nuclear se concentra em torno de Angra 3, com tecnologia da Siemens, cujo setor nuclear, entretanto, foi assumido pela antiga Framatome francesa.

Como o senhor vê o futuro da energia atômica? Um mix energético é aconselhável no caso de um país como o Brasil?

Hoje em dia, no Brasil, há uma oposição maior à hidroeletricidade – por parte dos movimentos ambientalistas – do que à energia atômica, o que ressuscitou também a energia a carvão. O mix energético no Brasil é viável e ele foi pioneiro com o uso do álcool. Este mix energético deve ser, entretanto, virtuoso, como é o caso da gasolina com o álcool ou, no caso da energia elétrica, da energia hidroelétrica com o gás natural. Com a tecnologia atual usada no Brasil, um mix energético utilizando o carvão mineral é negativo devido à poluição causada.

Quanto ao futuro da energia atômica, ela deveria acompanhar o desenvolvimento tecnológico. Na possibilidade de uma ruptura tecnológica, o que no Brasil não aconteceu, tenho dúvidas se é interessante concluir Angra 3. Não vejo clareza na política nuclear brasileira porque ela depende de uma política energética, à qual pertence a energia atômica. Esta política energética ainda não está definida no Brasil, principalmente devido às discussões em torno dos recursos hidroelétricos.

Na próxima página, Pinguelli Rosa fala sobre os programas nucleares de países latino-americanos e faz uma sugestão conciliatória para o Irã

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