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Economia

Ex-executivos da Mannesmann na mira da Justiça

Depois de dois anos de investigações, a Promotoria de Düsseldorf entrou com uma queixa-crime contra seis diretores da Mannesmann que receberam altas indenizações com a fusão da empresa alemã e a Vodafone.

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Klaus Esser, ex-presidente da Mannesmann, é um dos acusados

A principal suspeita recai sobre Klaus Esser, que ocupava a presidência da Mannesmann durante o período em que ocorreram as negociações com a Vodafone (1999 e começo de 2000). De acordo com as investigações da Justiça alemã, Esser e altos executivos do grupo alemão estão sob a suspeita de deslealdade, pois teriam embolsado mais de 100 milhões de euros de indenizações com a fusão das duas empresas. Somente Klaus Esser recebeu 30 milhões de euros.

A compra da Mannesmann foi precedida de uma verdadeira batalha para evitar que o tradicional grupo alemão caísse em mãos estrangeiras. Como seu presidente, Esser relutou muito em aceitar as propostas iniciais da operadora britânica de telefonia móvel. Com sua tática, forçou a Vodafone britânica a oferecer cada vez mais. Afinal, a Vodafone acabou pagando mais de 180 bilhões de euros pelo controle majoritário da Mannesmann, o maior valor já pago pela aquisição de uma empresa alemã.

Klaus Esser retirou-se após a fusão, aliás, ela só se tornou possível quando ele "atirou a toalha". A Promotoria suspeita que a Vodafone tenha quebrado a resistência ferrenha de Esser e os demais executivos, prometendo-lhes altas indenizações.

Segundo a edição alemã do Financial Times, um processo teria elementos kafkianos. Com sua resistência, Esser conseguiu elevar o preço de venda da empresa em 50% o que beneficiou os acionistas. Portanto, seria absurdo levar ao tribunal um dos executivos mais bem-sucedidos do país. O total das indenizações seria equivalente a 0,16% da última valorização, algo bastante modesto, na comparação internacional.

E que um membro do Conselho Administrativo seja processado por cumprir um acordo estabelecido com a presidência, também surpreende o diário. Trata-se, no caso, do ex-presidente da Mannesmann Joachim Funk, na época membro do Conselho Administrativo, que recebeu cerca de 3 milhões de euros.

Espanto e indignação

O ex-presidente da Mannesmann disse que a acusação é "arbitrária" e acrescentou que agiu de forma correta e legal nas negociações. A fusão da Vodafone com a Mannesmann fez inclusive com que o preço da ação disparasse na bolsa de valores.

Entre os acusados estão ainda os ex-membros do Conselho Administrativo da Mannesmann, Josef Ackermann, atualmente presidente do Deutsche Bank, e Klaus Zwickel, nada menos que o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos IG-Metall. Zwickel absteve-se na votação. O executivo suíço Ackermann defende sua postura e a dos outros membros do Conselho Administrativo que aprovaram o pagamento.

"Os valores não eram tão altos. Eu vejo a situação com tranqüilidade", afirmou Ackermann. Indenizações e bônus em processos de fusão são absolutamente normais, explicou o especialista em direito acionário, Marcus Lutter, do Centro Europeu de Direito Econômico, com sede em Bonn. Ele acredita que Ackermann tenha agido de acordo com sua experiência no mercado internacional.

Um porta-voz do Tribunal de Düsseldorf, onde a Promotoria deu entrada à queixa-crime, esclareceu que não há data prevista para a abertura de processo, pois a Justiça vai primeiramente ouvir os envolvidos e avaliar se há provas e embasamento suficientes para um julgamento. Caso isso ocorra, será um dos maiores processos de crime econômico na história da Alemanha.