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Cultura

Ex-eletricista francês terá que devolver 271 obras de Picasso

Além de pena de dois anos, tribunal determina que Pierre Le Guennec, de 75 anos, e a esposa, entreguem pinturas, desenhos e aquarelas, a herdeiros do artista. Casal diz que peças foram presenteadas pelo próprio pintor.

Um tribunal da cidade de Grasse, na França, condenou nesta sexta-feira (20/03) o eletricista aposentado Pierre Le Guennec, de 75 anos, e a esposa Danielle, 71, pela posse de 271 obras de arte roubadas do pintor Pablo Picasso. O casal terá que devolver as peças aos herdeiros do artista espanhol.

A sentença encerra o julgamento iniciado em fevereiro, envolvendo obras desconhecidas do público durante quatro décadas e que estão estimadas em algo entre 60 a 100 milhões de euros. O casal foi agora condenado a uma pena de dois anos, que não será cumprida na prisão, mas sim por meio de obrigações estabelecidas por um juiz.

Le Guennec e a esposa sempre afirmaram que as peças que tinham em casa –pinturas, aquarelas e desenhos – lhes foram presenteadas por Picasso na década de 1970, pelos trabalhos prestados pelo eletricista. Segundo o casal, os quadros teriam sido entregues pela esposa do artista, Jacqueline, numa caixa. A família de Picasso, no entanto, contesta a explicação.

"Uma noite, a madame me chamou no corredor quando eu estava saindo e me disse: 'isto é para você'", relatou Le Gennec ao tribunal. Ele disse que deu uma olhada rápida para dentro da caixa antes de colocá-la em sua garagem, onde teria ficado, segundo ele, durante 37 anos.

O caso chamou atenção em 2010, quando Le Guennec tentou confirmar a autenticidade dos trabalhos junto à Administração Picasso, em Paris. Os herdeiros afirmaram que presentear alguém com tantos trabalhos seria algo muito improvável e acusaram o casal de ter obtido as obras de maneira fraudulenta.

Segundo o advogado dos Le Guennec, eles tentaram registrar a autenticidade dos quadros para evitar dores de cabeça para os filhos depois de sua morte.

As obras incluem desenhos de mulheres e cavalos, colagens cubistas do período em que Picasso era próximo do pintor Georges Braques, além de uma peça do seu chamado período azul.

Tesouro no início do século passado

Os herdeiros afirmam que os trabalhos foram produzidos por Picasso entre 1900 e 1932, mas se surpreenderam pelo fato de não estarem assinados, como a maior parte dos trabalhos do artista espanhol. O fato chegou a ser levantado pela defesa no processo.

Os advogados dos Le Guennec também tentaram argumentar que seria muito difícil roubar os trabalhos, uma vez que o artista tinha uma "excelente memória" e que a residência era tida como uma "fortaleza".

Embora o tribunal tenha aceitado a argumentação de que Picasso e Le Guennec tinham uma relação próxima, com base no testemunho da neta do artista Catherine Hutin-Blay, um dos promotores acusou o réu de estar envolvido em "lavagem internacional de trabalhos roubados". Le Guennec, no entanto, manteve sua versão.

"Picasso tinha total confiança em mim. Talvez por minha discrição", afirmou. "Monsieur e madame me chamavam de 'priminho'."

MSB/rtr/afp/dpa/ap

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