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Cultura

Evento cria intercâmbio entre indústria do videogame de Brasil e Alemanha

"Game Jam", em São Paulo, reúne profissionais e aficionados das áreas do videogame e da arte digital. Durante 48 horas, participantes têm que criar um jogo virtual tendo Berlim e a língua alemã como tema principal.

Trocar conhecimento, experiências e principalmente criar. Esse é o objetivo do Game Jam, evento que começou nesta quinta-feira (13/03) no Goethe Institut de São Paulo. No melhor estilo acampamento tecnológico, o Game Jam coloca lado a lado aficionados e profissionais da área do videogame do Brasil e da Alemanha, com o intuito de criar um jogo virtual, cuja temática é viver em Berlim e o interesse em aprender alemão.

Nos últimos anos, Berlim se tornou uma das mais prolíferas cidades quando se trata de empresas de tecnologia e internet. Os chamados startups têm absorvido grande parte do contingente criativo dos que invadiram a cidade em busca de liberdade artística, da agitada vida cultural e do baixo custo de vida.

A indústria dos games na região de Berlim e Brandemburgo já conta com quase 200 empresas. Nenhuma outra região do país tem uma infraestrutura tão densa e diversificada no segmento.

"Os jogos desempenham hoje um papel muito importante na indústria digital em Berlim. Todas as grandes plataformas já têm seu próprio canal de distribuição estabelecido. Os jogos de videogame são o meio e a forma artística do século 21. No entanto, o mercado não pode escapar dos grandes jogadores", diz Thorsten Wiedemann à DW Brasil.

Wiedemann é fundador do A MAZE, festival que encoraja a experimentação através do prazer de jogar videogame, celebrando não apenas os jogos como forma de diversão, mas também como manifestação artística.

O festival é realizado desde 2008 em Berlim e reúne exposições, palestras, shows e workshops relacionados ao universo do videogame. Além de participar de eventos do gênero em todo o mundo, como o Game Jam em São Paulo, o festival também acontece em Johanesburgo, na África do Sul.

Trabalho intenso

O evento não quer apenas criar jogos, mas também reproduzir o ambiente intenso e criativo da indústria do videogame. Os 50 profissionais que participam do Game Jam em São Paulo, entre designers, programadores e artistas, foram selecionados para passar 48 horas vivendo, trabalhando e criando juntos.

Thorsten Wiedermann

Wiedemann é fundador do A MAZE, festival que encoraja a experimentação no mundo dos games

A ênfase do Game Jam está na diversão de desenvolver um jogo, já que o objetivo é realizar um game experimental dentro de um curtíssimo período de tempo. Os participantes trabalham, produzem, discutem, se divertem, comem e acampam dentro do Goethe Institut em São Paulo.

"Cada equipe tem um tempo determinado para desenvolver e apresentar um jogo que tem Berlim como tema principal. Ficaríamos muitos felizes se os participantes também conseguirem incorporar trocadilhos com português e alemão. A biblioteca do Goethe Institut estará disponível aos participantes durante o evento", explica Wiedemann.

Os organizadores do Game Jam queriam o máximo de diversidade entre os selecionados, dando oportunidade também a criativos de outras disciplinas artísticas. "Exigimos apenas o mínimo de habilidades necessárias para uma visão geral. Temos um ótimo equilíbrio em cada categoria para criarmos um jogo. Fico muito feliz que também tenhamos mulheres entre os selecionados", completa.

Criar um jogo no formato de uma jam session não é uma novidade. Eventos como Global Game Jam, organizado pela Associação Internacional dos Programadores de Jogos, e o Hackathon também criam ambiente para o desenvolvimento de jogos e softwares, com muitos participantes e com um tempo pré-determinado. No Global Game Jam, os participantes de todo o mundo também têm que apresentar um jogo completo em apenas 48 horas.

Indústria no Brasil

O videogame começou a se popularizar no Brasil em 1984, já que a Lei de Reserva de Mercado dificultava a importação dos consoles. O Atari 2600 foi o primeiro a fazer sucesso no Brasil. Versões nacionais de consoles começaram a ser fabricados no país nos anos 1980. Entre sucessos, fracassos e a forte pirataria, o mercado de games no Brasil sobreviveu e passa por uma boa fase.

Bildergalerie Spielkonsole

O Brasil é o segundo maior mercado de videogames da América Latina, ficando atrás apenas do México

Hoje, mesmo com a forte pirataria, o Brasil é o 15º país que mais vende consoles no mundo. O baixo no custo dos jogos também impulsionou as vendas. O país é considerado uma estrela em ascensão, sendo o segundo mercado da América Latina em vendas, atrás apenas do México. Estima-se que 45 milhões de pessoas jogam videogame no país.

"Essa é minha primeira visita ao Brasil. Não posso dizer nada sobre a indústria local, mas sei que ela existe e está em pleno crescimento. Há interessantes comunidades independentes de videogames no Brasil. O país tem seu próprio mercado e até seu próprio console. Acredito que a cooperação entre dois países é muito importante e valiosa em termos de intercâmbio cultural e desenvolvimento dos mercados. Também estou muito feliz de poder encontrar em São Paulo os parceiros da Casa da Cultura Digital e da Comkids.", afirma o fundador do festival A MAZE.

Além de Wiedemann, o evento contará com a participação da alemã Lea Schönfelder, cujo jogo Perfect Woman foi apresentado em festivais internacionais e indicado ao Independent Games Festival Nuovo Award 2014. E de Ricardo Palmieri, artista, produtor multimídia e pesquisador de ferramentas livres para produção artística, que desde 2011 é residente do programa DIGIBAP do AMI Centre em Marselha, na França.

Os jogos criados durante o evento serão apresentados pelas equipes, disponibilizados para jogo e avaliados por um júri composto de artistas, programadores e especialistas alemães e brasileiros. Os três melhores jogos serão exibidos no festival A MAZE Berlin 2014 e no evento ComKids Inovação 2014.

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