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Cultura

Europeus entre o livro e a TV

Muitos são os aspectos em que os europeus se distinguem uns dos outros, entre os quais a ocupação nas horas de lazer.

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Ler por prazer não é hábito igualmente difundido por toda a Europa

No que diz respeito à leitura, a Europa se divide a grosso modo em um norte, no qual a maioria lê com regularidade, e um sul, onde essa ocupação é passatempo de uma minoria.

Um levantamento realizado recentemente nos países-membros da União Européia revela que, em média, 42,1% das pessoas não leram no espaço de um ano um livro sequer pelo simples prazer da leitura, ou seja, o fizeram sempre por necessidade profissional ou de estudo. Entre os portugueses, essa cota sobe a mais de 65%, mantendo-se em torno da metade entre os gregos e os espanhóis. Já na Suécia, Finlândia e Reino Unido, os que não apontam a leitura como passatempo perfazem no máximo um terço.

A leitura diária de um jornal é hábito de quase a metade dos europeus, em média, chegando a mais de 75% entre finlandeses e suecos e 60% na Alemanha e Luxemburgo. Na Espanha e em Portugal, um quarto das pessoas lê jornais com regularidade, mas um quarto, por sua vez, não lê nunca um órgão da imprensa.

O diário suíço Neue Zürcher Zeitung ( NZZ), que se ocupou com o tema, ressalta que deixar de ler não tem nada a ver com o poder aquisitivo das pessoas. É verdade que nos países do sul do continente a média salarial fica abaixo da dos países nórdicos, mas as pessoas poderiam emprestar livros das bibliotecas públicas, que, no entanto, são pouco freqüentadas.

Culpa da telinha?

As diferenças existentes com relação ao tempo passado diante da televisão são, por sua vez, menos acentuadas e não permitem traçar um paralelo entre as duas ocupações. Os campeões estão, neste caso, no sul do continente: gregos e italianos passam, em média, quatro horas por dia diante da telinha. A média dos escandinavos é de pelo menos uma hora a menos, mas relativamente alta na Alemanha e no Reino Unido, países onde o hábito da leitura também é bastante difundido. "Seria, portanto, simples demais responsabilizar somente a televisão por este fenômeno", conclui o diário suíço.

Raízes históricas — Para o autor do artigo no NZZ, as diferenças dos hábitos de leitura entre os europeus se devem ao diferente desenvolvimento do processo de alfabetização da população nos diversos países, a partir do início da Idade Moderna.

Nos países nórdicos, onde a Reforma introduzida por Martinho Lutero logo se impôs, a leitura da Bíblia e outros escritos sagrados tornou-se um importante dever dos cristãos. Com isso, a alfabetização generalizada avançou a passos largos, tendo o mesmo ocorrido em países em que a Igreja Católica precisou realizar esforços para recuperar terreno, no âmbito da Contra-Reforma. Impulsionado posteriormente pelo Iluminismo e pela Revolução Industrial, o processo de alfabetização estava praticamente concluído em fins do século 19 (na Escandinávia, já no século 18).

O autor lembra que, na Península Ibérica e no sul da Itália, o catolicismo nunca se viu ameaçado, tampouco quanto à religião ortodoxa na Grécia. Nessas regiões, a alfabetização de amplas camadas da população só começou na segunda metade do século 19, estendendo-se até o período do pós-guerra, ou seja, fins da década de 40 e começo dos anos 50.

Esta fase coincidiu com a chegada da televisão, que se popularizou rapidamente graças ao crescente bem-estar. No norte do continente e nas camadas sociais com hábitos de leitura já arraigados, eles conseguiram manter-se, enquanto no sul as pessoas sucumbiram ao novo meio de comunicação, mais atraente, e os leitores habituais continuaram sendo uma minoria.