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Europa ameaça retaliar Estados Unidos por taxa de importação

31 de maio de 2018

Líderes europeus chamam novas tarifas para aço e alumínio de ilegais e injustificáveis e afirmam que levarão o caso para a Organização Mundial do Comércio. Canadá e México anunciam retaliações.

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US-Strafzölle - ThyssenKrupp Stahlarbeiter
Foto: picture alliance/dpa/R. Weihrauch

A União Europeia, em especial a Alemanha e a França, reagiram de imediato à decisão dos Estados Unidos, anunciada nesta quinta-feira (31/05), de suspender a isenção de taxas na importação de aço e de alumínio europeus, qualificando a medida de ilegal e injustificável.

A Comissão Europeia anunciou que vai denunciar o caso à Organização Mundial do Comércio (OMC) e garantiu que responderá de forma proporcional. Logo após o anúncio de Washington, o presidente da Comissão, Jean-Claude Juncker, disse que, para a UE, as tarifas unilaterais dos EUA são injustificadas e em discordância com as regras da OMC.

"Os Estados Unidos não nos deixam agora outra escolha que não seja a de recorrer à resolução de litígios da OMC e à imposição de tarifas adicionais sobre diversas importações dos EUA. Vamos defender os interesses da União em total cumprimento da lei comercial internacional", declarou Juncker, em Bruxelas. "Isso é protecionismo puro e simples", acrescentou.

A União Europeia já havia anunciado que reagiria à decisão dos EUA com a imposição de tarifas sobre produtos como motocicletas, uísque e jeans. Em resposta, o governo americano afirmou que, nesse caso, criaria tarifas alfandegárias também para automóveis europeus.

Risco de escalada

A chanceler federal alemã, Angela Merkel, que encerrou uma visita de dois dias a Portugal, considerou ilegais as taxas aduaneiras sobre o aço e o alumínio decididas pela administração do presidente Donald Trump, advertindo para o risco de uma escalada que poderá prejudicar todos.

O presidente da França, Emmanuel Macron, qualificou a decisão dos Estados Unidos de ilegal e adiantou que falará na noite desta quinta-feira com Trump. Segundo a emissora BMFTV, o presidente francês lamentou a aplicação imediata da medida, que considera um erro.

O ministro das Relações Exteriores, Jean-Yves Le Drian, também condenou a decisão, que tachou de inaceitável, e advertiu que "serão tomadas medidas proporcionais de taxação em relação aos Estados Unidos", em declarações à emissora LCI.

Também o Reino Unido reagiu e declarou estar decepcionado com a decisão do governo Trump. "O Reino Unido e outros países da União Europeia são aliados próximos dos Estados Unidos e deveriam estar total e permanentemente isentos das medidas americanas sobre o aço e o alumínio", afirmou o governo britânico.

México e Canadá retaliam

México e Canadá, que também são afetados pelo fim da isenção, também anunciaram medidas retaliatórias. O anadá imporá tarifas a produtos americanos no valor de 12,8 bilhões de dólares em represália à decisão dos Estados Unidos de restringir as importações de aço e alumínio canadenses.

As medidas foram anunciadas nesta quinta-feira pelo primeiro-ministro canadense, Justin Trudeau, e pela ministra das Relações Exteriores, Chrystia Freeland, em Ottawa.

O México anunciou que vai responder com medidas equivalentes que deverão atingir vários produtos americanos. "Perante as tarifas impostas pelos Estados Unidos, o México vai impor medidas equivalentes a vários produtos, como aços planos e lâmpadas", afirmou o Ministério da Economia.

Conforme indica o ministério, as tarifas mexicanas, que também se aplicam a preparados alimentares, maçãs, uvas e queijos, serão aplicadas num valor comparável aos prejuízos que o México terá com a decisão dos EUA.

Nesta quinta-feira, o Departamento de Comércio dos Estados Unidos anunciou, em Washington, a suspensão da exceção à imposição de tarifas às importações de aço e alumínio da União Europeia, Canadá e México. A decisão passa a vigorar nesta sexta-feira.

AS/lusa/efe/rtr

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