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Mundo

"Europeu de nascença" é o candidato dos socialistas à Comissão

Alemão Martin Schulz é um defensor intransigente da união dos europeus, mas seu estilo sarcástico não agrada a todos. Ele é mais conhecido do que os adversários, também graças a uma ajuda de Berlusconi.

"A cor vermelha. Eu faço parte dos vermelhos. É a minha vida", responde o social-democrata Martin Schulz quando o repórter pergunta a ele qual sua cor preferida. Há mais de 30 anos ele faz política para os vermelhos, os social-democratas.

No início da carreira, como prefeito de sua cidade natal, Würselen; depois, como líder da bancada socialista no Parlamento Europeu; mais tarde, como presidente do Parlamento; e agora como candidato a presidência da Comissão Europeia.

Schulz não deixa dúvida que quer subir na carreira política. "Precisamos de pessoas com coragem. E, se me permite, eu lhe digo: eis aqui uma delas", garante, autoconfiante, durante um programa de entrevista na emissora alemã ZDF.

Reconquistar confiança

Ele se vê como um defensor do povão, que não confia na complexidade da União Europeia. "Um dos principais elementos da crítica que chega a mim na Europa, não importa onde estou, é que as pessoas me dizem: 'a UE existe e funciona e influencia nossa vida cotidiana, mas nosso voto não serve para nada'". Schulz diz querer mudar isso e que, por isso, é candidato a presidente da Comissão Europeia, o braço executivo da União Europeia.

Ele promete lutar por mais empregos, justiça fiscal e um retorno de competências e poderes de Bruxelas para os Estados-membros. "O que, daquilo que hoje fazemos em Bruxelas, poderia ser feito melhor em nível local ou regional? Devolver política e responsabilidade para as pessoas é, com certeza, reconquistar confiança delas", afirma o social-democrata em entrevista à DW.

Mas seu papel como advogado dos cidadãos comuns não o impediu de embolsar, além do salário como presidente do Parlamento Europeu, polpudas remunerações extras. Schulz só renunciou a esses pagamentos quando foi criticado por isso durante a campanha.

Três livros ao mesmo tempo

Assistir ao vídeo 03:21

Entrevista com Martin Schulz

Seu estilo sarcástico de argumentar pode não agradar a todos. Ele gosta de chamar chefes de governo de "cabeças de ovo" (gíria em alemão para "metido a intelectual") e costuma responder críticas disparando uma chuva de petardos verbais em direção aos oponentes. Também costuma brincar com seus assessores gritando "vocês estão todos demitidos!". Mas o político diz que isso é tudo brincadeira e reconhece ser às vezes autoconfiante demais e querer demais em pouco tempo.

Ele percebeu isso cedo: há mais de 30 anos, durante um tratamento bem-sucedido contra o alcoolismo. Schulz queria ser jogador de futebol profissional. O sonho acabou devido a uma lesão no joelho. O então jovem de 24 anos procurou conforto no álcool, caiu em depressão, chegou a querer se matar. Seu irmão Erwin, um médico, o trouxe de volta ao caminho certo. Schulz abriu seu próprio negócio, uma livraria. Embora nunca tenha frequentado uma universidade, é leitor compulsivo. Ainda hoje, lê três livros paralelamente. Ao mesmo tempo, entrou para a política e fez carreira. Hoje, fala abertamente sobre seu alcoolismo, que conseguiu superar.

EU-Gipfel in Paris zur Jugendarbeitslosigkeit

Schulz, com presidente do Conselho Europeu, Van Rompuy; Merkel, e presidente francês, Hollande

Europeu de nascença

A Europa fez parte do berço do político, de 58 anos. Seus parentes vivem nos arredores do triângulo fronteiriço entre Alemanha, Bélgica e Holanda. Schulz fala fluentemente francês, inglês e italiano, além do dialeto local da região do Reno, como ele mesmo gosta de observar, com um sorriso.

Também afirma que, na Primeira Guerra Mundial, seus parentes tiveram que atirar uns contra os outros por viverem em diferentes lados da fronteira. Mas ele gosta de lembrar que essa "loucura" acabou após a unificação da Europa. "Nós, da geração do pós-Guerra, muitas vezes não nos damos conta do que herdamos. Eu pude viver uma vida de liberdade, com oportunidades com as quais meus pais nem sequer se atreviam a sonhar. E isso não nos vale mais nada", lamenta.

O social-democrata se irrita com a reputação ruim que a Europa e a União Europeia têm entre os eleitores. "Só uma campanha empolgante pode mudar isso. As decisões não devem ser mais tomadas por 28 chefes de Estado e de governo reunidos nos bastidores de Bruxelas", reclama.

Ultimamente, no entanto, ele se tornou um pouco mais suave, desde que a chanceler federal alemã, a democrata-cristã Angela Merkel, e os social-democratas de Schulz governam a Alemanha em coalizão. Ele sabe que, se quiser chegar a um cargo europeu de ponta, precisa pelo menos da boa vontade da chefe de governo do mais poderoso país do bloco. E ele deixa transparecer até uma ponta de orgulho por ter o número de celular de Merkel.

"Eu fui apenas prefeito de uma pequena cidade, mas conheci as preocupações do povo por uma boa escola para os filhos, as preocupações com empregos ou a preocupação em cuidar dos pais idosos. Tudo isso, a cada dia. O que as pessoas esperam de Bruxelas é que aquele que estiver na chefia da Comissão conheça suas preocupações cotidianas e as leve a sério", argumenta, respondendo às acusações que frequentemente surgem entre os poderosos de Bruxelas de que ele não é adequado para presidir a Comissão Europeia por nunca ter chefiado um governo nacional.

Fama alavancada por Berlusconi

Martin Schulz SPD spielt Fußball

Paixão pelo futebol: lesão no joelho impediu carreira nos gramados

Quando Schulz está viajando com a equipe de campanha, de avião ou de carro, costuma tirar do bolso um pequeno animal de plástico. "Isso é um hipopótamo. Ele é meu talismã. Minha filha é que me deu quando ela tinha 6 anos. Ele me dá sorte." Ele diz que os dois filhos e a esposa são muito importantes em sua vida. Garante que uma mensagem de celular com elogios de sua esposa é melhor que uma mensagem da chanceler alemã, daquelas que frequentemente recebia como presidente do Parlamento Europeu.

Apesar da sua campanha extenuante nos últimos meses, muitos eleitores não conhecem Martin Schulz. Fora de Bruxelas, ele é relativamente pouco desconhecido. Mas ao menos é mais conhecido que seu principal adversário, o conservador Jean-Claude Juncker, ex-primeiro-ministro de Luxemburgo.

A popularidade de Schulz deu um salto há sete anos, depois que o primeiro-ministro da Itália, Silvio Berlusconi, afirmou que ele poderia assumir o papel de guarda de campo de concentração num filme sobre o Terceiro Reich. O escândalo levou o social-democrata alemão às primeiras páginas dos jornais. Hoje ele é até grato a Berlusconi pela publicidade involuntária. Mas ainda não se reconciliou com o italiano. "Eu sei ser teimoso", avisa.

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