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Mundo

Europa sob um novo protecionismo

A Comissão Européia criticou a resistência do governo espanhol a uma eventual compra do conglomerado de energia Endesa pela concorrente alemã E.On. Este não é o único caso recente de protecionismo nacional dentro da UE.

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Governo francês impediu que conglomerado de energia caísse na mão dos italianos

Em princípio, todos as lideranças políticas e econômicas da Europa são a favor de um mercado interno livre para mercadorias, prestação de serviços, capital e mão-de-obra. Mas quando uma empresa européia tenta comprar uma outra, muitos governos se comportam como se fosse uma questão de honra nacional e tentam intervir.

Esta tendência de renacionalização dos mercados pode ser observada há algum tempo, mas a discussão foi reinflamada por um caso recente: o governo francês viabilizou às pressas a fusão da Suez com a estatal Gaz de France, a fim de impedir que o conglomerado italiano de energia Enel comprasse o francês.

"Jóia da nossa indústria"

O premiê Dominique de Villepin é um dos que mais apostam em campeões econômicos nacionais. Logo após assumir o governo em Paris, no ano passado, ele prometeu proteger as empresas francesas e se comportar como um patriota econômico. "Um conglomerado como a Danone é uma jóia da nossa indústria. Neste caso, naturalmente defenderemos os interesses da França", disse.

A Espanha faz resistência ao conglomerado alemão de energia E.On, que pretende comprar o espanhol Endesa. Luxemburgo luta para impedir que a siderúrgica Arcelor seja engolido pelo maior grupo mundial do aço, Mittal Steel. A Mittal também está sediada na Europa, na cidade holandesa de Rotterdam, mas pertence a uma família indiana.

Resposta inimiga a proposta inimiga

O premiê de Luxemburgo, Jean Claude Juncker, se mostrou combativo: "Esta proposta inimiga merece uma resposta não menos inimiga. Vamos nos defender com todos os recursos legais". Na Alemanha, a compra de grandes empresas nacionais também é vista com reservas, mas o governo em Berlim geralmente se abstém de intervir. Uma exceção é o caso da Volkswagen, protegida por uma espécie de cordão de segurança, a fim de que investidores privados não passem a deter a maioria das ações.

O presidente da Comissão Européia, José Manuel Durão Barroso, condena o intervencionismo nacionalista, argumentando que, afinal, a economia européia depende do comércio, do livre trânsito de capital e da divisão de trabalho. Barroso rejeita, sobretudo, o protecionismo: "Faço um apelo para que os responsáveis nos países membros deixem de lado esta retórica nacional. Isso é ruim para a Europa. Só com um mercado interno europeu comum podemos nos fortalecer e enfrentar os desafios da globalização".

O comissário europeu de Mercado Interno, Charlie McCreevy, critica principalmente a intervenção do Estado no processo de compra de empresas. Na Itália e na Espanha, já se preparam leis para dificultar compras por parte de empresas estrangeiras.

Livre Reino Unido

No Reino Unido, isso tudo é visto com mais descontração. O governo em Londres não considera de competência sua estes negócios, deixando-os a cargo dos empresários. As empresas francesas são protegidas em casa, mas não hesitam em fechar seus negócios no exterior. O conglomerado de energia EDF, por exemplo, abastece um quarto dos domicílios britânicos. A empresa alemã RWE é proprietária da companhia de abastecimento de água Thames Water.

As resistências contra a abertura do mercado de prestação de serviços ou contra o livre trânsito de trabalhadores dos países membros do Leste Europeu também se enquadram neste contexto . Na França, Alemanha e em diversos outros países da UE, parece imperar o medo dos fantasmas da liberdade que eles próprios evocaram.

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