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Economia

Europa relutante na parceria comercial com a América Latina

A UE apoiou e foi, sem dúvida, um modelo tanto para o Mercosul como para o Grupo Andino. Contudo, agora os europeus temem uma proximidade excessiva. Johannes Beck conta a história dos "inoportunos filhos do sul".

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"Madri, chave da Europa": estande de informações da 2ª Cúpula UE-América Latina

O Grupo Andino reúne a Venezuela, Colômbia, Peru e Bolívia, enquanto o Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai formam o Mercado Comum do Sul (Mercosul). Assim como a União Européia, ambos dispõem de um conselho e de um parlamento ou assembléia parlamentar. E os paralelos não se esgotam aqui.

Não é de estranhar que a UE haja servido de fonte de inspiração para os dois maiores blocos regionais da América Latina. Por um lado, desde a colonização pela Espanha e Portugal, no século 16, profundas raízes culturais unem os dois continentes. Por outro, os europeus possuem décadas de experiência de integração político-econômica, um bom motivo para os latino-americanos recorrerem a estes conhecimentos ao desenvolver instituições políticas comuns ou normas alfandegárias.

Aproximação gradual

A UE também apoiou financeiramente a criação do Mercosul, em 1991. Diversos altos funcionários ficaram entusiasmados pela perspectiva de as duas maiores economias latino-americanas – Brasil e Argentina – se reunirem num bloco semelhante à União Européia. Para os europeus, isto significava a perspectiva de maior influência política numa região dominada pelos Estados Unidos e simplificava os contatos bilaterais, além de constituir uma prova de que é possível exportar a idéia da unidade européia para outras partes do mundo.

Em maio de 1992, a Comissão Européia e o Conselho do Mercosul assinaram um acordo de cooperação institucional, oficializando sua colaboração. Nos anos seguintes peritos europeus viajaram para São Paulo, Montevidéu, Assunção e Buenos Aires para auxiliar seus colegas sul-americanos no desenvolvimento de uma nomenclatura alfandegária comum. Boa parte da verba de 20 milhões de euros fluiu para a construção do secretariado do Mercosul, em Montevidéu.

Porém os planos futuros eram ainda mais ambiciosos: criar uma zona de livre comércio interregional. Pela primeira vez em todo o mundo dois blocos econômicos regionais passariam a colaborar. Em 1995, a UE e o Mercosul assinaram em Madri um acordo básico, preparando o campo para negociações. Estas tiveram que esperar até depois da 1ª Cúpula União Européia-América Latina, em 1999 no Rio de Janeiro.

"Produtos sensíveis" - Até hoje o poderoso lobby dos agricultores tem impedido a conclusão dessas negociações. Contando com astronômicas subvenções, que consomem praticamente metade do orçamento da UE, os fazendeiros europeus temem a concorrência dos colegas sul-americanos, acostumados às agruras do livre mercado.

Sobretudo os pecuaristas receiam não mais conseguir impor sua carne de qualidade inferior àquela vinda dos verdes pampas argentinos e uruguaios, que, para completar, está totalmente isenta da síndrome da vaca louca. Sempre que vê ameaçados os interesses dos agricultores europeus, a União Européia fala de "produtos sensíveis". Tais produtos não poderiam ser submetidos ao livre comércio, necessitando de proteção extra contra o mercado mundial.

As vantagens da ação rápida

Um segundo empecilho à conexão UE-Mercosul é a exigência de que antes se conclua a Rodada de Negociações Multilaterais da Organização Mundial do Comércio (OMC), iniciada em Doha, Qatar, em 2001. Contudo, a própria UE já provou, em dois exemplos, que é possível agilizar o processo:

México: Aqui a UE percebeu o que significa negligenciar a América Latina. Depois que, em 1994, os EUA criaram com o México e o Canadá a NAFTA, a participação norte-americana na economia mexicana subiu rapidamente para mais de 80%, enquanto a da UE caiu de 11%, em 1990, para 6%, em 1999. A reação da UE foi criar uma zona de livre comércio com aquele país, a qual já passou a vigorar em julho de 2001. Desde então, as exportações da UE cresceram 30% e as importações do México em 50%.

Chile: Na verdade, o acordo com o Chile deveria entrar em vigor juntamente com o tratado UE-Mercosul. Entretanto, provavelmente preocupada com os planos do Chile de fechar um acordo do gênero com os Estados Unidos, a UE decidiu negociar em separado com aquele país. A assinatura ocorreu nesta sexta-feira (17), na 2ª Cúpula UE-América Latina, em Madri. Nos próximos 10 anos grande parte do comércio entre UE e Chile será paulatinamente liberalizado.

No momento, a Europa ainda é a mais importante parceira comercial do Mercosul, enquanto em todas as outras regiões os ventos poderão virar, caso os norte-americanos levem a cabo seus planos de criar, até 2005, a ALCA, uma região panamericana de livre comércio.

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