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Mundo

Europa aumenta pressão pelo fechamento de Guantánamo

Em encontro com Merkel, Blair classifica Guantánamo como "anomalia". Parlamento Europeu e ministro britânico pedem fechamento da prisão, reforçando críticas da ONU.

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Prisão viola direitos humanos, diz relatório da ONU

O primeiro-ministro britânico Tony Blair engrossou, nesta sexta-feira (17/02), o coro das críticas à prisão norte-americana de Guantánamo em Cuba. "Trata-se de uma anomalia, com a qual mais cedo ou mais tarde temos de nos ocupar", disse após um encontro com a chanceler federal alemã Angela Merkel, em Berlim.

Tony Blair besucht Angela Merkel in Berlin

Merkel e Blair: aproximação na crítica à prisão dos EUA

Não só nesse ponto Blair mostrou-se próximo de Merkel, que, às vésperas de sua viagem aos EUA, em janeiro passado, pediu o fechamento da prisão. Na questão do conflito nuclear com Irã, os dois chefes de governo disseram que "uma solução diplomática tem prioridade".

EUA sob pressão

Quanto a Guantánamo, o ministro britânico responsável pela pasta da Irlanda do Norte, Peter Hain, foi mais direto. "Seria preferível que não existisse essa prisão. Eu preferiria que ela fosse fechada", disse à rede de televisão BBC. Ele acrescentou que esta era também a posição do governo de Blair, o mais estreito aliado dos EUA na chamada "guerra contra o terror".

O coordenador das relações teuto-norte-americanas no governo alemão, Karsten Voigt (SPD), também apóia o pedido da ONU pelo fechamento da prisão. "Deve ser do interesse americano fechar Guantánamo o quanto antes possível, ou seja, imediatamente. O desgate de imagem do governo dos EUA é maior do que o ganho em segurança", argumentou. "Guantánamo é incompatível com as normas jurídicas vigentes na Europa", acrescentou.

Parlamento Europeu na vanguarda

Na quarta-feira (16/02), o Parlamento Europeu aprovou por 331 a 228 votos uma resolução apresentada pela bancada verde, exigindo dos EUA o fim da prisão em Cuba. "Conforme depoimentos de testemunhas, tortura e maus-tratos por pessoal norte-americano estiveram na ordem do dia na prisão", diz o texto.

Com isso, o Europarlamento vai mais longe do que qualquer Parlamento nacional, disse a deputada Angelika Beer, do Partido Verde alemão. O Legislativo da UE também formou uma comissão especial de 46 parlamentares para apurar as denúncias de prisões secretas da CIA na Europa.

Relatório da ONU

Folterbeauftragter der UNO Manfred Nowak

Nowak, um dos autores do relatório da ONU

Um relatório apresentado nesta quinta-feira (16/02) pela ONU apontou violações de direitos humanos e transgressões de convenções internacionais em Guantánamo. Os autores do estudo propuseram que os 500 supostos terroristas presos no local sejam levados a um tribunal independente ou libertados. O secretário-geral das Nações Unidas, Kofi Annan, também pediu o fechamento da prisão.

O governo norte-americano criticou o relatório, dizendo que a ONU caía em descrédito ao usar informações de peritos independentes, que não visitaram a prisão. O professor de Direito Internacional da Universidade de Viena, Manfred Nowak, um dos autores do relatório, disse à DW-WORLD que "esta é uma acusação absolutamente falsa do governo dos EUA, que permitiu um acesso, mas não para falar com os prisioneiros. Fizemos um relatório jurídico, que rechaça a postura norte-americana pelo fato de que em Guantánamo não vigora nem a lei nem a Constituição dos Estados Unidos".

Mídia endossa críticas

Berlinale 2006 The Road To Guantanamo Michael Winterbottom ausgezeichnet mit dem Silbernen Bären für beste Regie

The Road To Guantanamo: ficção ou realidade

Essa visão também ganha cada vez mais espaço nas críticas a Guantánamo veiculadas pela mídia européia. "O pior é o fato comprovado de que muitos dos prisioneiros não são terroristas, mas pessoas comuns que foram raptadas no Afeganistão e vendidas por alguns dólares ao americanos", escreve o jornal Der Standard , de Viena.

O apresentador do heute , principal jornal da rede de TV alemã ZDF, Klaus Kleber, abriu o noticiário sobre o relatório da ONU lembrando as palavras de Thomas Jefferson (1743-1826), terceiro presidente dos EUA e autor da declaração de independência do país.

"Acreditamos que essas verdades são evidentes, que todos os homens são criados iguais, que são dotados por seu criador de determinados direitos inalienáveis, entre os quais se encontram a vida, a liberdade e a busca da felicidade", é a famosa frase atribuída a Jefferson. A crítica a Guantánamo atinge os fundamentos da democracia norte-americana, acrescentou Kleber.

O assunto ganhou ainda mais destaque nos meios de comunicação, nos últimos dias, pelo fato de um filme sobre a prisão – The Road to Guantánamo – estar sendo cotado como um dos favoritos ao Urso de Ouro no Festival de Cinema de Berlim.

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