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Mundo

Europa adverte direita recém-eleita na Polônia

A Europa reagiu com reservas à eleição de Lech Kaczynski como presidente da Polônia. As posições do político conservador nacionalista são vistas como violação aos compromissos assumidos por Varsóvia perante a UE.

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Mais da metade dos poloneses votaram em Kaczynski

A eleição de Lech Kaczynski à presidência da Polônia seria "tudo menos uma benção", ou seja, não passaria de um "pesadelo anacrônico", um "motivo para chorar". A imprensa européia não mediu palavras ao descrever o desconforto causado pela opção eleitoral dos poloneses, que elegeram um conservador exacerbado como chefe de governo, com mais de 50% dos votos, segundo indicaram as primeiras estimativas divulgadas após o fechamento das urnas, no domingo (23/10).

Nacionalismo e discriminação

Präsidentschaftswahlen in Polen Lech Kaczynski

Lech Kaczynski

A defesa de valores católicos e nacionalistas por Lech Kaczynski ultrapassa o limite dos programas políticos conservadores dentro da União Européia. Além de condenar o aborto, Kaczynski proibiu – como prefeito de Varsóvia – manifestações pelo reconhecimento de direitos civis dos homossexuais no ano passado e neste ano.

O jurista defende a reintrodução da pena de morte na Polônia e ressalta a intenção de defender a soberania de seu país na Europa, sobretudo como desafio aberto à Alemanha e à Rússia.

Ao cumprimentar Kaczynski pela vitória eleitoral, o presidente da Comissão Européia, José Manuel Barroso, aproveitou a oportunidade para lembrar que a reintrodução da pena de morte é proibida na comunidade. Barroso também advertiu que a discriminação de homossexuais é uma prática política repudiada na UE e viola os compromissos assumidos por Varsóvia perante Bruxelas.

"Acompanhar com atenção a situação na Polônia"

Um porta-voz da Comissão Européia explicou que as declarações de Kaczynski sobre a pena de morte contrariam o artigo 6º do acordo de aceitação dos países-membros na comunidade: "A UE se baseia em princípios de liberdade, nos direitos humanos e no Estado de direito, coisas a serem observadas por todos os países-membros".

"Um país onde vigore a pena de morte não pode nem começar a negociar seu ingresso na UE" continuou o porta-voz. "Isso também vale para a discriminação de pessoas em função de sua opção sexual. Pretendemos acompanhar com grande atenção a situação na Polônia."

A virada radical dos poloneses para a direita foi interpretada em parte como reação dos eleitores ao envolvimento dos últimos governos de esquerda em escândalos de corrupção. Kaczynski capitalizou a insatisfação do eleitorado, elegendo o combate à corrupção como um dos lemas de sua campanha eleitoral. O que também agradou ao eleitorado foi o discurso nacionalista de Kaczynski, pontuado por animosidades contra a Rússia e a Alemanha.

Distância de Berlim

Kaczynski se recusou a dialogar com as associações alemãs de desterrados e rejeitou suas reivindicações de indenização como "ameaça à Polônia". Na visão dos analistas políticos, isso pode abalar as relações com Berlim. "Resta saber até que ponto Kaczynski estará disposto a cultivar as relações com a Alemanha. Nos últimos anos, seu partido Lei e Justiça (PiS) evitou conscientemente uma proximidade com partidos alemães", declarou Thomasz Dabrovski, do Centro de Relações Internacionais, em Varsóvia.

Wahlen in Polen

Donald Tusk

Pode ser que haja conflitos de interesse entre a Polônia e a Alemanha dentro da União Européia. No entanto, a coalizão com os liberais da Plataforma Cívica (PO) deverá relativizar qualquer atitude mais radical por parte de Kaczynski. O líder liberal Donald Tusk, derrotado nas eleições deste fim de semana, sempre manteve contato e boas relações com os democrata-cristãos alemães.

O premiê alemão, Gerhard Schröder, se pronunciou explicitamente sobre as relações bilaterais ao parabenizar Lech Kaczynski pela vitória eleitoral: "Estou convencido de que as relações teuto-polonesas, importantes para ambos os países e para a Europa, vão continuar se desenvolvendo de forma frutífera em prol dos interesses e valores comuns e para o bem dos alemães, poloneses e europeus".

O porta-voz da Chancelaria Federal, Bela Anda, lembrou do empenho de Schröder em cultivar as relações com a Polônia e da contribuição da Alemanha, junto com a França, para viabilizar o ingresso do país na União Européia.

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