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Economia

Euro forte exige redução de juros

O BC Europeu deve diminuir as taxas de juros, avaliam analistas. A valorização do euro freia o crescimento e aumenta o risco de uma recessão na Europa, diante da alta do petróleo e uma virtual guerra contra o Iraque.

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O presidente do Bundesbank, Ernst Welteke, vê margem para redução de juros

A valorização do euro frente ao dólar pressiona o Banco Central Europeu (BCE) a reduzir os juros, segundo a maioria dos analistas. De 30 economistas de bancos internacionais, consultados pelo Financial Times Deutschland, 21 calculam que o BCE reduzirá os juros até abril. A principal taxa é de 2,75% atualmente.

O euro valorizou-se 20% desde janeiro de 2002, o que se acentuou principalmente em janeiro deste ano. O medo de uma guerra contra o Iraque levou a uma fuga do dólar para o euro. Os investidores partem do princípio de que uma guerra - principalmente se ela se prolongar - irá conter o consumo e desaquecer a conjuntura nos EUA. Nesta terça-feira, o BCE fixou a taxa de referência do euro em US$ 1,0729, mas a moeda norte-americana chegou a ser negociada acima de US$ 1,08.

Efeitos sobre a inflação e o comércio exterior

Ao contrário do Federal Reserve, nos Estados Unidos, que costuma usar a política monetária para impulsionar a conjuntura, o Banco Central Europeu se concentra primordialmente em manter a estabilidade monetária. Daí voltar sua atenção para os riscos inflacionários. A relação euro/dólar, contudo, acaba se refletindo na taxa de inflação e no crescimento econômico. Um euro forte frente ao dólar faz a taxa de inflação diminuir e fortalece a demanda interna, mas piora as perspectivas de exportação.

O comércio exterior foi precisamente o motor do crescimento econômico nos últimos anos na zona do euro e, principalmente, na Alemanha, sua maior economia. No entanto, apenas 10% das exportações alemãs vão para os EUA. Como 65% se destinam à zona do euro, essa parece ser uma excelente garantia macroeconômica contra oscilações cambiais. Sairiam prejudicadas com o encarecimento de seus produtos no exterior as firmas pequenas e médias que exportam a regiões de negócios em dólar. Porque as grandes empresas - as montadoras, por exemplo - há muito adotaram estratégias de compensação de divisas. Seja através de medidas estruturais - produção e compras no exterior, com compensação contábil interna no grupo - ou através de opções de câmbio fixo, acertadas com os bancos.

Euro, crescimento econômico e riscos

O Deutsche Bank, maior banco privado alemão, prognosticou um aumento do euro para US$ 1,15 até o fim do ano. A moeda dos 12 países da zona do euro poderá valer US$ 1,20 ou até US$ 1,40 em 2004. Um aumento como o atual "pode frear o crescimento econômico em 0,4% nos próximos 12 meses, uma porcentagem nada desprezível", segundo Jörg Krämer, economista-chefe do Invesco Asset Management, citado pela edição alemã do Financial Times. Por outro lado, um euro forte reduziria a taxa de inflação em 0,8%, "neutralizando a atual pressão inflacionária que parte da alta do petróleo e dos aumentos salariais", observou Krämer, para quem o alarme do Banco Central Europeu só vai soar quando o euro estiver em US$ 1,10.

Os analistas contam com um crescimento econômico de 1,4% e uma taxa de inflação de 1,8% em 2003. Para o BCE, qualquer índice abaixo de 2% significa estabilidade monetária. Mesmo reconhecendo que uma queda da inflação pode ativar o consumo interno, os economistas consideram que a alta dos preços do petróleo e um conflito militar no Iraque representam riscos para a conjuntura na zona do euro. Se não se dissiparem rapidamente as incertezas quanto ao fim da guerra, dificilmente a Europa escapará de uma recessão.

Os membros do conselho do BCE nunca são tão taxativos. No entanto, Ernst Welteke, presidente do Banco Central Alemão, admite que o BCE tem margem de ação para diminuir os juros e insinua que recorrerá a essa possibilidade, quando novos indicadores o exigirem. O alemão Otmar Issing, economista-chefe do BCE, por sua vez, reconhece claramente maiores riscos para a conjuntura.

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