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Oriente Médio

EUA vão reconhecer Jerusalém como capital de Israel

Apesar dos alertas de líderes internacionais, Trump pretende anunciar nas próximas horas decisão que pode minar processo de paz no Oriente Médio. UE, Liga Árabe e Turquia alertam para riscos à estabilidade na região.

EUA serão o único país em todo o mundo a reconhecer Jerusalém como capital de Israel

EUA serão o único país em todo o mundo a reconhecer Jerusalém como capital de Israel

Autoridades do governo americano citadas por diversas agências de notícias confirmaram que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, reconhecerá Jerusalém como a capital de Israel nesta quarta-feira (06/12), ignorando os alertas de vários líderes internacionais de que tal atitude poderá pôr em risco a paz no Oriente Médio.

Trump deverá anunciar em discurso na Casa Branca a transferência da embaixada dos EUA em Israel de Tel Aviv – onde ficam as embaixadas de todos os outros países – para a cidade marcada por uma frágil coexistência entre palestinos e israelenses.

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Palestinos protestam contra Trump

Fontes do alto escalão do governo americano citadas por diversas agências de notícias afirmam que Trump vai ordenar o Departamento de Estado americano a iniciar a transferência, fazendo com que os EUA passem a ser o único país em todo mundo a reconhecer Jerusalém como a sede do governo israelense.

Leia também: Entenda o conflito em torno de Jerusalém

Estima-se que pelo grande número de funcionários da embaixada – cerca de mil – e das dificuldades de se encontrar um lugar para a construção de uma nova sede, levando-se em contra as preocupações com segurança e logística, o processo de transferência deverá levar de três a quatro anos.

Uma das fontes afirmou que se trata do "reconhecimento de uma realidade" tanto histórica quanto contemporânea, uma vez que Jerusalém é tida como a capital do Estado judeu deste a antiguidade e é atualmente a sede do governo israelense, apesar de nunca ter sido reconhecida internacionalmente como capital.

Israel considera a Cidade Sagrada a sua capital "eterna e indivisível", enquanto os palestinos defendem que a parte leste de Jerusalém deve ser a capital de seu almejado Estado, sendo este um dos maiores desentendimentos entre os dois lados.

As Nações Unidas estabelecem que o status de Jerusalém deve ser definido em negociações entre israelenses e palestinos, razão pela qual os países com representação diplomática em Israel têm suas embaixadas em Tel Aviv e imediações.

A atual embaixada americana em Tel Aviv

A atual embaixada americana em Tel Aviv

Apesar de uma lei americana de 1995 que estabelece a transferência da embaixada americana para Jerusalém, a medida jamais foi aplicada. Os presidentes Bill Clinton, George W. Bush e Barack Obama adiaram sua implementação a cada seis meses, alegando "interesses nacionais". Devido ao tempo necessário para realizar a transferência, é possível que Trump assine a mesma ordem para prorrogar a aplicação dessa lei.

Alertas internacionais

A comunidade internacional expressou nos últimos dias intensa preocupação com a medida. Líderes da União Europeia (UE), da Liga Árabe e de diversos países temem danos ainda maiores à estabilidade na região.

Muitos acreditam que a medida poderá minar por completo o papel dos EUA como mediador da paz no Oriente Médio, além de insuflar as atuais crises em países como a Síria, Iraque, Iêmen e Catar.

O grupo islamista Hamas ameaçou iniciar uma nova intifada – rebelião popular ou levante – contra Israel. O rei Salman da Arábia Saudita, país aliado de Washington, disse que a transferência poderá insuflar sentimentos antiamericanos em muçulmanos em todo o mundo.

O presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, afirmou em discurso televisionado que "Jerusalém é uma linha vermelha para os muçulmanos", ecoando declarações de outros líderes árabes.

Ali Khamenei, líder supremo do Irã, afirmou que a intenção de Washington é um sinal de sua "incompetência e fracasso". "Sobre a Palestina, as mãos [americanas] estão amarradas, eles não consegue avançar em seus objetivos", disse o aiatolá, acusando os EUA de serem capazes de iniciar uma guerra para defender Israel.

O líder da Autoridade Nacional Palestina (ANP), Mahmoud Abbas, advertiu em conversa telefônica com o presidente americano sobre as "consequências perigosas" de tal decisão para os esforços de paz no Oriente Médio, bem como para a segurança e estabilidade da região.

Após falar com Trump, Abbas conversou com os presidentes da França, Emmanuel Macron, e da Rússia, Vladimir Putin, bem como com o rei Abdullah 2º da Jordânia e o papa Francisco para clamar por ajuda. "[O presidente] pediu a eles que intervenham para evitar que isso aconteça", disse o porta-voz.

Após o primeiro conflito árabe-israelense (1947-49), a Cisjordânia e Jerusalém Oriental ficaram sob o domínio da Jordânia, e a parte ocidental da cidade ficou sob o domínio de Israel.

Durante a Guerra dos Seis Dias, em 1967, os israelenses reconquistaram Jerusalém Oriental – que, na época, era praticamente toda habitada por palestinos –, uniram-na à parte ocidental da cidade, ocupada por judeus, em 1980 e declararam Jerusalém a capital indivisível de Israel. No entanto, a comunidade internacional jamais reconheceu Jerusalém como capital de Israel.

RC/lusa/afp/dw

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