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Mundo

EUA tentam encontrar segundo delator de informações secretas

Tudo indica que não foi Snowden quem "vazou" as novas informações sobre a luta contra o terrorismo. Especialista diz que novo delator não necessariamente trabalha para a NSA.

O delator mais famoso do mundo está na Rússia. Ele não é um cidadão russo nem trabalha para uma agência de inteligência que mantém seus arquivos em alfabeto cirílico. Edward Snowden é um cidadão americano e recebeu asilo político na Rússia.

O paradeiro do ex-analista da Agência de Segurança Nacional (NSA) dos EUA é importante para aqueles que estão tentando ligá-lo às informações vazadas pelo site investigativo The Intercept.

"Edward Snowden não poderia nem mesmo ter tido acesso a essas listas", diz a jornalista Dagmar Pepping, correspondente nos EUA da rede de emissoras alemã ARD. "Quando esses documentos secretos foram escritos, Snowden não trabalhava mais para a NSA."

De acordo com a CNN, na terça-feira (05/08), o governo americano já teria começado a procurar um segundo delator.

Nem tão secreto assim

Mas o segundo delator está mesmo dentro da NSA? Segundo o especialista em inteligência Erich Schmidt-Eenbohm, não necessariamente.

De acordo com ele, as investigações não deveriam se limitar a encontrar um segundo delator dentro da agência. Ele ressalta o fato de que a lista foi distribuída para diversos funcionários do governo americano, e uma olhada nas fontes das informações mostra que a CIA forneceu 45%, a Agência de Inteligência de Defesa (DIA), 39%, e a NSA, apenas 11% do conteúdo.

Além disso, Schmidt-Eenbohm afirma que as revelações publicadas pelo site The Intercept não têm um alto grau de qualidade.

Ele ainda ressaltou que é importante lembrar que as informações publicadas foram compartilhadas com um número extremamente elevado de empresas privadas, por exemplo companhias aéreas. "Centenas de milhares de pessoas tiveram acesso a esse documento, que vem sendo chamado de 'secreto'".

Sob suspeita

Barack Obama

Vazamento cria embaraço para governo de Obama

Os arquivos publicados pelo site nesta terça-feira mostram que os EUA classificaram cerca de 680 mil pessoas como terroristas ou possíveis terroristas. Os nomes dos suspeitos estão no Banco de Dados de Triagem Terrorista (TSDB, na sigla em inglês).

Há ainda uma segunda lista com os nomes de pessoas que, segundo os serviços secretos, estariam dentro do círculo de convívio social de terroristas – acredita-se que esse outro banco de dados (TIDE, na sigla em inglês) contenha o nome de até um milhão de pessoas.

Schmidt-Eenbohm diz não se supreender com esse números elevados. Segundo ele, o problema reside na maneira como os dados foram registrados. Coletar informações na internet tem sido um procedimento padrão entre as agências de inteligência.

Isso significa que as agências acompanham as atividades de pessoas que tiveram contato com "ambientes suspeitos" e as registram. Se uma certa pessoa aparece no mesmo contexto mais uma vez – mesmo que na periferia desse lugar, como uma testemunha numa investigação, por exemplo – ela é registrada de novo.

Dependendo da situação, dois ou três registros já são suficientes para uma pessoa ser colocada nas listas do TSDB ou do TIDE.

Para ilustrar o procedimento, Schmidt-Eenbohm deu o exemplo de um jornalista. "Digamos que um jornalista acesse sites suspeitos operados por grupos islâmicos para acompanhar seus debates. O jornalista depois viaja para países árabes para checar a situação no local", exemplifica.

"Há ainda provas de que o jornalista se comunicou com suspeitos de terrorismo, porque ele ligou para alguém na Síria ou na região de fronteira turca. Tudo isso dá aos jornalistas grandes chances de serem incluídos nessas listas e de serem alvos do escrutínio de agências de inteligência."

Sem permissão para voar

A enorme quantidade de pessoas consideradas suspeitas de terrorismo pelos EUA pegou muitos de surpresa. Mas Schmidt-Eenbohm destaca outro aspecto. "Há cerca de 500 mil fotos de rostos, e mais de 144 mil pessoas foram registradas com todos seus dados biométricos, incluindo scanners da íris."

Algumas dessas informações vêm de serviços de inteligência de fora dos EUA, contribuindo para 240 novas entradas por dia, segundo o especialista.

Constar numa dessas listas pode ter sérias consequências. "Primeiro, você é colocado numa lista que o impede de voar", explicou. Isso significa que a pessoa não pode mais entrar nos EUA.

Além disso, se a pessoa for considerada suspeita de terrorismo, as agências de inteligência usarão todos os meios disponíveis para descobrir cada detalhe da vida e da personalidade do suspeito.

Schmidt-Eenbohm avalia que as novas revelações não forneceram muitas informações adicionais. Pepping, porém, destaca que as informações de Snowden também foram divulgadas aos poucos, o que indicaria a possibilidade de que ainda há mais por vir.

Embora o novo caso não seja tão espetacular, Pepping afirma que é uma situação embaraçosa para o presidente dos EUA, Barack Obama. "Se ficar provado que os serviços de inteligência continuam trabalhando da mesma maneira, apesar de todas as promessas contrárias, e que eles estão passando dos limites na luta contra o terrorismo, então cria-se uma situação intolerável para Obama."

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