EUA pedem, mas Alemanha reluta em acolher detentos de Guantánamo | Notícias e análises internacionais mais importantes do dia | DW | 09.05.2009
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Mundo

EUA pedem, mas Alemanha reluta em acolher detentos de Guantánamo

Governo alemão vê riscos na acolhida de nove chineses da etnia uigur. Entre eles haveria pessoas que receberam treinamento em campos de terroristas e teriam contato com militantes islâmicos.

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O governo alemão externou mais uma vez, neste sábado (09/05), sua relutância em atender a um pedido dos Estados Unidos para que acolha um grupo de detentos de Guantánamo. O fechamento do campo de prisioneiros é uma das promessas de campanha do presidente Barack Obama.

Em entrevista ao jornal Bild am Sonntag , o ministro alemão do Interior, Wolfgang Schäuble, reclamou que o governo dos EUA forneceu poucas informações sobre os detentos. "Os documentos que recebemos de Washington até o momento não são suficientes, em nenhum dos casos, para tomar uma decisão legal sobre a acolhida", declarou.

Ele lembrou que, na condição de ministro do Interior, é responsável pela decisão e que vai examinar cada caso separadamente. Segundo Schäuble, a condição é que "essas pessoas não representem perigo" para a sociedade alemã, que elas não possam ser recebidas pelos próprios EUA e que comprovem alguma ligação com a Alemanha.

Segundo a imprensa alemã, os Estados Unidos teriam solicitado à Alemanha que acolha um grupo de nove chineses uigures, povo islâmico de origem turcomena que vive principalmente na Ásia e é minoria na China.

Treinamento terrorista

As revistas Focus e Der Spiegel afirmam que o vice-ministro alemão do Interior, August Hanning, enviou carta ao seu colega no Ministério das Relações Exteriores, Reinhard Silberberg, alertando para a "periculosidade" dos detentos e afirmando que alguns deles integraram o Movimento Islâmico do Turquistão Oriental (Etim, em inglês), grupo classificado como terrorista na Alemanha.

Hanning também teria reclamado que, nos dossiês fornecidos pelos EUA, não está especificado se os uigures se tornaram "ainda mais radicais" durante a prisão.

O secretário do interior da Baviera, Joachim Herrmann, rejeita a acolhida dos uigures pela Alemanha. Ele disse ao jornal Bild que, segundo informações das autoridades alemãs de segurança, sete dos nove uigures receberam treinamento com armas do Etim e têm contato com militantes islâmicos. "Não precisamos de pessoas como essas na Alemanha", declarou.

Também outros estados alemães, entre eles a Saxônia, a Turíngia, Hessen e a Baixa Saxônia, mostraram-se reticentes em relação a uma possível acolhida.

AS/dpa/ap/afp/epd/reuters
Revisão: Carlos Albuquerque

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