EUA exigem limites para balança comercial em reunião ministerial do G20 | Notícias e análises sobre a economia brasileira e mundial | DW | 22.10.2010
  1. Inhalt
  2. Navigation
  3. Weitere Inhalte
  4. Metanavigation
  5. Suche
  6. Choose from 30 Languages

Economia

EUA exigem limites para balança comercial em reunião ministerial do G20

Encontro de ministros de Finanças do G20 tem início na Coreia do Sul com exigência dos EUA de que superávits e déficits da balança comercial sejam limitados a 4% do Produto Interno Bruto (PIB) de cada país.

default

Encontro de ministros das Finanças serve de preparação para cúpula do G20

Em encontro preparatório para a cúpula de chefes de Estado e de governo das 20 principais economias industriais e emergentes do mundo (G20), a se realizar em novembro na Coreia do Sul, os ministros das Finanças e presidentes dos bancos centrais dos países do grupo iniciaram, nesta sexta-feira (20/10), uma reunião de dois dias na cidade sul-coreana de Gyeongju.

Na agenda da reunião ministerial do G20 estão a reforma do Fundo Monetário Internacional e a supervisão dos mercados financeiros. Apesar de o anfitrião sul-coreano não tentar dar grande importância ao tema da chamada "guerra cambial" entre as grandes economias mundiais, o assunto está cada vez mais presente.

Por esse motivo, uma reunião dos ministros de Finanças do G7 acontece, nesta sexta-feira, paralelamente à conferência ministerial do G20. No entanto, não se deve esperar que a declaração final do encontro contenha mais do que a constatação de que fortes intervenções nos mercados de câmbio internacionais sejam prejudiciais para o desenvolvimento econômico.

Desequilíbrios na balança comercial

G20 Finanzministertreffen in Südkorea

Timothy Geithner (e) brinda com ministro sul-coreano

Dois anos após o início da crise financeira, além da "guerra cambial", um novo conflito paira sobre as principais economias do mundo. No contexto dos debates sobre a redução dos desequilíbrios na economia mundial, o secretário do Tesouro norte-americano, Timothy Geithner, exigiu em carta dirigida aos seus colegas do G20, nesta sexta-feira, que países com grande superávit na balança comercial aumentem suas importações.

Segundo informações da agência de notícias dpa, pouco antes do início da reunião, Geithner exigiu que os superávits e déficits da balança comercial fossem limitados a 4% do Produto Interno Bruto (PIB) de cada país.

Segundo a carta, países com altos superávits comerciais também deveriam se comprometer a fomentar a demanda interna através de reduções fiscais. As exigências do secretário norte-americano do Tesouro afetam principalmente a China, o Japão e a Alemanha.

Prós e contras

Presente ao encontro na Coreia do Sul, o ministro alemão da Economia, Rainer Brüderle, rejeitou veementemente as exigências de Geithner e alertou para um "retrocesso ao pensamento da economia planificada". Para o ministro alemão, deve-se apostar mais nos processos orientados pela economia de mercado.

Brüderle também advertiu sobre egoísmos nacionais crescentes. No G20, as causas devem continuar a ser abordadas conjuntamente, devendo-se corrigir as distorções do desenvolvimento econômico que levaram aos desequilíbrios, disse. "Nós precisamos de mais equilíbrios e estabilidade", afirmou o ministro alemão.

O ministro japonês das Finanças, Yoshihiko Noda, criticou por sua vez a iniciativa de Geithner como "irrealista". O ministro japonês afirmou que seu país seria contra "diretrizes estritamente numéricas".

Sem querer se identificar, um representante da delegação francesa disse que a carta de Geithner teria sido "bem recebida". Nos últimos tempos, a França censurou frequentemente o modelo exportador alemão.

Frankreichs Finanzministerin Christine Lagarde

Ministra francesa Christine Lagarde

Em março último, a ministra francesa da Economia, Christine Lagarde, afirmou que os superávits comerciais alemães prejudicariam o país vizinho. Na ocasião, Lagarde também sugeriu que os alemães fomentassem a demanda interna através de reduções fiscais.

Declaração final

Assim como Japão e Alemanha, a China também rejeita as sugestões do secretário norte-americano. Segundo fontes internas, no atual encontro de ministros do G20, Pequim não aceitará nenhuma declaração que estabeleça diretrizes obrigatórias sobre a política cambial e de exportação. Por esse motivo, a declaração final do encontro não deverá conter sugestão semelhante.

Quanto a uma maior regulação do mercado financeiro, as divergências de opinião também ocorrem dentro da ala dos países industrializados. Os representantes anglo-saxões não querem outorgar tanto poder ao Estado, enquanto a Alemanha aposta em uma melhor regulação. Antes de serem aprovadas no encontro do G20 em novembro, o Fórum de Estabilidade Financeira (FSF) apresentará suas sugestões políticas neste encontro de ministros em Gyeongju.

A atual reunião não deve trazer um grande avanço à reforma do FMI. Na abertura do encontro, todavia, o presidente da Coreia do Sul, Lee Myung-bak, conclamou os países do G20 a cumprirem seu compromisso de reorganizar a proporção de forças no Fundo Monetário Internacional, durante o próximo encontro de cúpula do G20 em Seul, nos dias 11 e 12 de novembro.

Autor: Peter Kujath / Carlos Albuquerque
Revisão: Roselaine Wandscheer

Leia mais

Áudios e vídeos relacionados