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Mundo

EUA e UE pressionam por diálogo entre Rússia e Ucrânia

Encontro em Paris originalmente destinado à questão dos refugiados sírios vira maratona diplomática ocidental para tentar pôr fim a impasse na Crimeia através de negociações. Resistência de Moscou, porém, emperra avanço.

Estados Unidos e União Europeia aumentaram a pressão nesta quarta-feira (05/03) para que Rússia e Ucrânia se sentem juntas à mesa de negociações e busquem uma saída pacífica para dissolver a tensão na península ucraniana da Crimeia. Moscou se recusa a dialogar com Kiev por não reconhecer como legítimo o novo governo no país vizinho – que assumiu o poder após a queda do presidente Vitor Yanukovytch, aliado do Kremlin.

Para o Ocidente, como deixaram claro diplomatas nesta quarta, conversas diretas entre ucranianos e russos são cruciais para resolver a atual crise, assim como o envio imediato de observadores internacionais ao leste da Ucrânia e à Crimeia para acompanharem de perto a situação na península no Mar Negro.

Um grupo de 35 observadores militares da Organização pela Segurança e Cooperação na Europa (OSCE) foi enviado à Ucrânia para avaliar a situação. Mas ainda não se sabe se eles vão conseguir chegar à Crimeia, já que o aval da Rússia é fundamental.

Kerry e Lavrov se reúnem

Durante encontro em Paris nesta quarta, ministros europeus do Exterior e o secretário de Estado americano, John Kerry, tentaram convencer o chanceler russo, Serguey Lavrov, a dialogar com seu homólogo ucraniano, Andriy Deshchytsia, porém sem sucesso.

"Os Estados Unidos fizeram um convite para que a Rússia participasse do encontro. Lamentamos profundamente que a Federação Russa não tenha atendido", afirmou o Departamento de Estado americano em um comunicado à imprensa.

Syrien Konferenz in Montreux John Kerry & Sergej Lawrow 21.01.2014

Kerry e Lavrov tiveram encontro reservado para falar sobre o impasse na Crimeia

Foi a primeira vez que Kerry e Lavrov se encontraram desde que forças militares russas entraram na Crimeia. Os dois tiveram uma primeira conversa, mais cedo, no Palácio do Eliseu, da qual também participaram ministros da Alemanha e da França, além do presidente francês, François Hollande.

Inicialmente agendado para discutir a situação dos refugiados da guerra civil da Síria, o encontro de diplomatas em Paris acabou virando palco de debate sobre a tensão na Crimeia.

"Este será um teste para saber se a Rússia está preparada para se sentar com a Ucrânia. E recomendamos fortemente que ela faça isso", afirmou o chanceler britânico, William Hague, antes do encontro.

O presidente russo, Vladimir Putin, acusa o atual governo em Kiev de golpe e quer que seja formado um governo de unidade nacional. "Queremos resolver a situação de maneira pacífica. Não queremos lutar contra o povo russo", afirmou Deshchytsia.

Para europeus e americanos, o principal tópico a ser discutido por Rússia e Ucrânia deve ser o Memorando de Budapeste, assinado em 1994 entre Rússia, Reino Unido e EUA, pelo qual os países se comprometeram a assegurar a soberania da Ucrânia desde que, em troca, Kiev entregasse seu arsenal atômico.

Bilhões para Kiev

Também nesta quarta-feira a União Europeia elevou o tom das ameaças de sanções contra a Rússia caso o país não recue seus militares na Crimeia. Numa tentativa de aumentar a pressão sobre Moscou, Alemanha e França anunciaram que o bloco europeu poderá definir retaliações econômicas já nesta quinta-feira.

Mesmo não demonstrando o menor sinal de que vai retroceder na península, Putin declarou que as relações econômicas entre UE e EUA não devem ser abaladas por conta dos últimos acontecimentos.

Robert Serry UN-Sondergesandter Krim

Holandês Robert Serry, enviado da ONU à Crimeia, ameaçado por homens armados na península

Nesta quarta-feira, a UE anunciou uma

ajuda de 11 bilhões de euros

para tentar salvar a Ucrânia da falência. Um dia antes, os Estados Unidos confirmaram um crédito de 1 bilhão de dólares (quase 730 milhões de euros) para pagamento de dívidas, especialmente do setor de energia.

Enquanto o impasse continua, aumenta a cada dia a tensão na Crimeia. Horas depois de chegar á península, o enviado especial da ONU Robert Serry foi ameaçado por um grupo de 10 a 15 homens armados, que o mandaram deixar o local. "Minha visita foi interrompida por razões que eu não entendo", afirmou o diplomata holandês, já no aeroporto de Simferopol.

As notícias divulgadas mais cedo eram de que Serry havia sido sequestrado, informação negada mais tarde pela própria ONU. Segundo jornalistas correspondentes na Crimeia, o funcionário das Nações Unidas teria sido levado ao aeroporto por homens camuflados em uma van.

MSB/rtr/ap/dpa

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