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Mundo

EUA e Turquia já começam a discutir queda de Assad

Após encontro em Istambul, Hillary Clinton e Ahmet Davutoglu não descartam possibilidade de impor zona de exclusão aérea sobre a Síria. Conflito na fronteira com Jordânia aumenta tensão internacional.

Os Estados Unidos e a Turquia já querem se preparar para o período após a queda do presidente sírio Bashar al Assad. A declaração foi feita neste sábado (11/08) pela secretária norte-americana de Estado, Hillary Clinton, e o ministro turco do Exterior, Ahmet Davutoglu, após encontro em Istambul.

"Precisamos garantir que a troca de governo transcorra sem problemas e que não haja espaço para conflitos étnicos", ponderou Davutoglu. Clinton defendeu o apoio à oposição síria, a fim de garantir as instituições do Estado e a constituição de um governo democrático e pluralista. Os Estados Unidos já fornecem aos rebeldes equipamentos de comunicação e assistência médica. Clinton mencionou que 2 milhões de pessoas carecem de ajuda humanitária na Síria.

Os dois países indicaram, ainda, que poderão impor zonas de exclusão aérea sobre territórios sírios dominados pelos rebeldes. Ao ser questionada pelos jornalistas sobre essa possibilidade, a política norte-americana replicou tratar-se de uma alternativa que "precisa de uma análise mais aprofundada".

Clinton e Davutoglu ressaltaram que seus países vão desenvolver planos operacionais detalhados de apoio aos rebeldes. "Nossos serviços de inteligência, nossos militares têm responsabilidades e papéis muito importantes a cumprir. Então, vamos estabelecer um grupo de trabalho para fazer exatamente isso", disse a democrata. "Ninguém sabe quando o regime [de Assad] vai cair, mas esse dia vai chegar", acrescentou. Ambos reforçaram a necessidade de proteger as áreas onde estão armazenadas armas químicas, no caso de queda do atual presidente.

Batalhas sangrentas entre rebeldes e tropas de Assad se intensificam

Batalhas sangrentas entre rebeldes e tropas de Assad se intensificam

Temor do "vácuo de poder"

As últimas sanções dos EUA contra o governo sírio, anunciadas nesta sexta-feira, têm como alvo a petrolífera estatal Sytrol, Segundo Clinton, elas visam "expor e romper" as ligações da Síria com o Irã e o movimento armado libanês Hezbollah, as quais têm prolongado a permanência do presidente Bashar al Assad no poder. "Continuaremos aumentando a pressão externa", prometeu.

A Turquia é considerada por muitos analistas um elemento estratégico na questão síria. Pelo menos 50 mil refugiados sírios buscaram proteção no país vizinho. Além disso, têm longa história as ligações comerciais e culturais entre os dois países.

Washington e Ancara também querem evitar o fortalecimento de grupos radicais com os conflitos, especialmente do Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK), considerado terrorista também pela União Europeia. Hillary ressaltou que a Síria não pode se tornar refúgio para os rebeldes do PKK originários da Turquia.

O Partido da União Democrática (PYD), aliado sírio do PKK, afirma deter o controle de várias cidades ao longo da fronteira com a Síria. A informação fez soar o alarme em Ancara, que imediatamente aumentou as defesas na fronteira.

Davutoglu advertiu sobre o perigo de um "vácuo de poder" na Síria, que imediatamente seria aproveitado pelo grupo curdo. A secretária norte-americana mostrou-se preocupada que o PKK e ativistas da Al Qaeda "se apresentem como defensores legítimos do povo sírio, a fim de alcançar seus objetivos".

Refugiados sírios se acumulam em abrigos na Jordânia

Refugiados sírios se acumulam em abrigos na Jordânia

Síria x Jordânia

Forças sírias e jordanianas se enfrentaram ao longo da fronteira entre os dois países durante toda a madrugada deste sábado. O embate aumentou a tensão internacional quanto á possibilidade de a guerra civil na Síria desencadear um conflito regional mais amplo.

Os confrontos teriam começado após a tentativa de refugiados sírios de cruzar a fronteira em direção à Jordânia. Segundo testemunhas, tropas de Assad abriram fogo, desencadeando o conflito na região de Tel Shihab-Turra, a 80 quilômetros da capital Amã. Não há registro de mortos.

As tropas da Jordânia já haviam enfrentado algumas vezes o Exército sírio desde o início dos protestos contra Assad, há 17 meses. A rota de fuga pelo sul da Síria foi usada inclusive pelo primeiro-ministro Riad Hijab, ao desertar, esta semana.

Os militares de Assad ainda tentam expulsar os rebeldes de Aleppo, a maior cidade da Síria, mas a oposição garante que vai resistir e reagir. Testemunhas também afirmam que os conflitos continuam intensos no centro de Damasco.

MSB/dpa,rtr,afp
Revisão: Augusto Valente