1. Inhalt
  2. Navigation
  3. Weitere Inhalte
  4. Metanavigation
  5. Suche
  6. Choose from 30 Languages

Mundo

Estupro de criança reacende protestos por mais segurança na Índia

Caso envolve uma menina de cinco anos e originou protestos também contra a polícia. Segundo os pais da vítima, polícia demorou para iniciar investigações e tentou subornar a família para que não comentasse o assunto.

Dois suspeitos de estuprar uma criança de cinco anos foram presos pela polícia da Índia entre a última sexta-feira e a madrugada desta segunda-feira (22/04). Os homens, de 19 e 22 anos, foram encontrados na casa de parentes no estado de Bihar.

O crime aconteceu em 15 de abril, na capital Nova Délhi. A menina foi sequestrada e mantida como refém no porão do próprio prédio, onde foi estuprada e torturada. A vítima foi encontrada dois dias depois, após os vizinhos ouvirem choro vindo do porão. Levada para o hospital em condições críticas, ela apresenta quadro estável e deve permanecer internada ainda por mais duas semanas.

Durante a última semana, a mídia indiana tem noticiado numerosos outros ataques contra crianças, inclusive o de uma menina de nove anos, no estado de Assam, que teve a garganta cortada após ser currada.

Não apenas esses dois últimos casos, como também a situação de insegurança geral das mulheres e crianças na Índia, causaram nova onda de protestos no país. Ativistas dos direitos das mulheres e crianças pediram mais uma vez uma ação rápida contra a apatia e insensibilidade da polícia, e a ineficiência do Estado e da Justiça em punir os criminosos.

Indien Proteste fünfjähriges Mädchen Vergewaltigung 21.04.2013

Polícia interferiu durante protestos na capital Nova Délhi

Polícia na mira dos manifestantes

O alvo dos protestos não são apenas os suspeitos dos crimes sexuais, mas também a polícia de Délhi. De acordo com os pais da menina de cinco anos, a polícia demorou para investigar o desaparecimento da garota e ainda teria oferecido cerca de 2 mil rúpias (cerca de 37 reais) para que a família não falasse sobre o crime.

Estudantes e ativistas dos direitos das mulheres e crianças protestaram em frente à sede da polícia e também próximo ao Parlamento. Os manifestantes culpam o Estado pelo fracasso na proteção de mulheres e crianças, e exigem punição tanto para os criminosos quanto para a polícia.

De acordo com o ministro do Interior, Sushil Kumar Shinde, dois policiais foram suspensos após a denúncia dos pais, e outro policial também sofreu suspensão depois de agredir um manifestante. Kumar prometeu completar a investigação num prazo de 72 horas. Ele rechaçou a pressão para que entregue o cargo, declarando que estupros são "crimes oportunistas".

“Eu renunciaria milhares de vezes, se isso fosse ajudar. Mas isso não resolverá problema. O problema é depravação mental, psicopatia, doença mental, e isso não será solucionando com ninguém renunciando, muito menos o chefe da polícia.”

Indien Proteste fünfjähriges Mädchen Vergewaltigung 21.04.2013

Ativistas: número real de vítimas é maior do que mostram as estatísticas

Um estupro a cada 18 horas

Crimes sexuais contra crianças e mulheres se tornaram comuns na Índia, país com uma população de cerca de 1,2 bilhão. Entre as grandes cidades, Nova Délhi é a que apresenta o maior número de crimes, com a média de um estupro a cada 18 horas. Ativistas sociais, porém, afirmam que a estatística não reflete a realidade, já que a maioria desses crimes não é denunciada.

A atenção da comunidade internacional para o problema da violência contra as mulheres e crianças na Índia foi despertada após o caso de dezembro de 2012. Uma fisioterapeuta em formação, de 23 anos, foi currada e agredida com barras de ferro por diversos homens dentro de um ônibus e morreu dias depois, em decorrência dos ferimentos.

Desde então, o governo prometeu aumentar o número de policiais femininas e também repensar o tratamento para esse tipo de crime. Os manifestantes protestam, porém, que nada mudou. Para eles, ainda há descaso das autoridades em relação à garantia de segurança das mulheres e crianças, além de morosidade da Justiça na punição dos criminosos.

FA/reuters/afp/dpa

Leia mais