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Economia

Estudo vê efeito do aquecimento global no mercado financeiro

Os ambientalistas não são os únicos que devem se preocupar com a mudança climática. Pesquisa britânica revela riscos do aquecimento global para o mercado financeiro, concluindo que não fazer nada é péssimo investimento.

Um estudo do Instituto para a Liderança em Sustentabilidade da Universidade de Cambridge, na Inglaterra, colocou um preço na luta contra as mudanças climáticas.

Portfólios de investimento formados majoritariamente por ações podem perder quase metade do seu valor se o aquecimento global não for controlado. Por outro lado, se for possível atenuar os impactos das mudanças climáticas, o PIB mundial pode ter grandes benefícios.

As afirmações são da pesquisa britânica, divulgada nesta quinta-feira (12/11). A menos de três semanas para a Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas, onde líderes mundiais se encontrarão para debater o assunto, o estudo foi um dos primeiros a destacar os efeitos do aquecimento global sobre os mercados financeiro.

Para chegar a essas conclusões, os pesquisadores fizeram testes de estabilidade em portfólios financeiros, simulando choques de mercado causados por diferentes cenários de mudanças climáticas.

Benefícios a longo prazo

O estudo afirma que medidas políticas radicais para atenuar as mudanças climáticas causariam inicialmente um impacto negativo na economia real e no setor financeiro. No entanto, a longo prazo, a produção econômica global seria beneficiada.

Até 2100, o mundo tem a meta de impedir que a temperatura na Terra aumente mais de 2 graus Celsius acima dos níveis registrados na época pré-industrial. Se a meta for alcançada, o PIB mundial pode ser 20% maior em 2050, comparado a um cenário em que nada é feito.

Investidores financeiros enfrentam sérios desafios nesses próximos cinco anos. Portfólios de investimento correm o risco de perder 45% do seu valor se nenhuma medida política for feita e se o uso de combustíveis fósseis continuar crescendo, com os mercados dos países em desenvolvimento sendo os mais atingidos.

Por outro lado, se medidas políticas radicais forem tomadas para combater as mudanças climáticas, os cientistas acreditam que os valores dos portfólios vão cair de início, mas nunca mais do que 15%. Além disso, os mercados se recuperarão muito mais rapidamente.

Pedido de mudança

De acordo com o estudo, investidores poderiam evitar metade desses riscos se reestruturassem seus portfólios de investimentos. Os primeiros a se mexer teriam vantagem, por exemplo, ao transferir seu capital a investimentos em indústrias e em países com menos chance de serem afetados pelo aquecimento global.

Mesmo assim, a outra metade dos riscos associados às mudanças climáticas seria impossível de ser evitada. Segundo os pesquisadores, esses riscos afetam todo o mercado.

USA Dr. Scott Kelly

Scott Kelly, um dos autores do estudo: "Quanto mais esperarmos para fazer a transição, maiores serão os custos"

Scott Kelly, um dos autores do estudo, vê a pesquisa como mais uma razão para que as autoridades se comprometam a adotar medidas drásticas na próxima conferência climática da ONU, que neste ano será realizada em Paris.

"Nossos pontos são: os riscos das mudanças climáticas são reais, e a comunidade de investidores precisa levar esses riscos em consideração", afirma Kelly à DW.

"Um dos principais fatores de riscos é que, quanto mais esperamos para fazer a transição, maiores serão os custos", continua o pesquisador. "O que os mercados financeiros e as empresas querem ver é uma transição ordenada para um futuro com menos carbono."

"O maior fracasso da economia que o mundo já viu"

As conclusões de Kelly e seus colegas estão em grande parte de acordo com outros estudos sobre o impacto econômico das mudanças climáticas. Em 2006, Nicholas Stern, economista e ex-dirigente do Banco Mundial, publicou um relatório que afirma que o aquecimento global foi "o maior fracasso da economia que o mundo já viu".

Stern constatou que os benefícios de uma forte e precoce ação contra as mudanças climáticas claramente superariam os custos econômicos de não fazer nada. Recentemente, o especialista acrescentou que as medidas políticas seriam ainda mais urgentes do que foi indicado em seu relatório, há quase dez anos.

Em julho deste ano, um estudo da Escola de Economia e Ciência Política de Londres (LSE) afirmou que os benefícios de se tentar atenuar as mudanças climáticas são maiores do que as desvantagens – não apenas em escala global, mas também aos países individualmente, enfraquecendo a ideia de que o aquecimento global é uma "tragédia dos comuns".

Em um discurso em setembro, o presidente do Banco da Inglaterra (Banco Central do Reino Unido), Mark Carney, disse que as mudanças climáticas representam uma ameaça significante à estabilidade financeira. Entre outros fatores, ele afirmou que os custos de pedidos de seguro relacionados com o clima têm caído drasticamente desde os anos 1980.

"Os desafios atuais das mudanças climáticas são pouco significantes quando comparados com o que está por vir", disse Carney na ocasião.

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