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Alemanha

Estudo prevê graves mudanças no clima da Alemanha

Temperatura anual média pode subir 3,7 graus até o final do século, ocasionando enchentes, secas e ondas de calor. Cientistas estudam medidas para atenuar as conseqüências.

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Novo modelo climático prevê dias cada vez mais quentes no país

Mais noites tropicais, menos dias gelados: um novo modelo climático para a Alemanha, divulgado esta semana pelo Departamento Federal de Meio Ambiente (UBA), prevê um acréscimo da temperatura média anual entre 1,5ºC e 3,7ºC, até 2100.

As conseqüências previstas são catastróficas: as chuvas podem diminuir até 30% no verão, especialmente no nordeste e no sudoeste alemão; haverá menos dias com neve e geada no inverno; as noites tropicais, com temperaturas acima dos 20ºC, deverão triplicar.

O ministro do Meio Ambiente, Sigmar Gabriel, defendeu que o país discuta o assunto e chegue a uma estratégia nacional para amenizar as conseqüências, que, segundo os cientistas responsáveis pelo estudo, são inevitáveis. "Temos que nos adaptar hoje para não sermos amanhã atropelados pelas conseqüências econômicas e sociais", afirmou Gabriel.

O centro nacional KomPass terá como tarefa reunir os conhecimentos disponíveis sobre o tema e elaborar medidas para enfrentar as conseqüências da elevação da temperatura no país, desde a construção de diques para conter enxurradas até a elaboração de planos de emergência para as ondas de calor.

Verão de 2003

BdT Hochwasser in Deutschland Wehlen Elbe

Enchente no Elba, em 2006

Segundo o modelo climático divulgado, até 2100 o número de dias com temperaturas acima dos 30ºC na cidade de Freiburg chegará a 25 por ano, quase o dobro do registrado no período 1961-1990, usado como base de comparação no estudo. Da mesma forma, as chamadas noites tropicais, com temperaturas acima dos 20ºC, triplicarão na cidade.

O Ministério do Meio Ambiente também mencionou, como alerta, alterações climáticas já perceptíveis. Elas incluem desde as recentes inundações até as temperaturas recordes registradas no verão europeu de 2003. "O 'verão do século' de 2003 nos deu sinais valiosos de como o futuro poderá ser", observou o pesquisador Wolfgang Cramer, do Instituto de Potsdam para a Pesquisa de Impactos Climáticos (PIK).

Segundo o Ministério do Meio Ambiente, enchentes, secas e tempestades foram responsáveis por prejuízos de 16,5 bilhões de euros nos últimos dez anos. Até 2050, esse valor poderá subir para 20 bilhões de euros por ano.

Medidas

Rhein Posttower Dürre

Rio Reno na seca de 2003

Segundo o diretor do PIK, Hans Joachim Schellnhuber, Alemanha e União Européia devem ter por objetivo limitar a elevação da temperatura a no máximo 2ºC neste século. "Sem uma política climática rigorosa, a temperatura global se elevará entre 2ºC e 5ºC até o final do século. Se subir mais de 2ºC, entraremos num território sobre o qual não teremos mais domínio", afirmou.

A longo prazo, segundo ele, isso significaria uma elevação do nível do mar entre 30 e 50 metros. Mas as mudanças climáticas serão perceptíveis bem antes de 2100. "Se ondas de calor como a de 2003 se tornarem o padrão – e isso acontecerá já em 2040 –, a vida nas nossas cidades mudará."De acordo com o ministro Gabriel, já no próximo ano o governo alemão transformará a discussão sobre as mudanças climáticas num dos principais assuntos do G-8 e da União Européia, cuja presidência rotativa será ocupada pela Alemanha. Mas o que também preocupa os cientistas alemães é saber se países em desenvolvimento, como a China e a Índia, estão interessados no assunto. Se essas nações, que estão no início dos seus processos de industrialização, não participarem de uma política global para o clima, os esforços alemães serão em vão.

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