Estudo mostra preconceitos de professores contra certos prenomes | Notícias sobre política, economia e sociedade da Alemanha | DW | 11.10.2009
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Alemanha

Estudo mostra preconceitos de professores contra certos prenomes

Hanna e Lucas são comportados, mas "Kevin é um diagnóstico". Geralmente inspirado em tendências de cada época, o nome pode trazer e simpatia ou preconceito e problemas na escola.

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Maria, Anna, Sophie, Leon, Paul, David, Lukas: nomes da moda na Alemanha

Modas vêm e vão. O que hoje é considerado in, amanhã pode perfeitamente se tornar out. E com o nome das pessoas é a mesma coisa. Angelika Grabe, do cartório de registro da cidade de Colônia, reconhece tendências claras: "No momento determinados nomes estão na moda. Por exemplo, Maria, Anna, Sophie para as meninas. Para os meninos os prediletos são Maximilian, Leon, Paul, David e Lukas."

Já nos anos 1980, os nomes eram orientados de acordo com seriados de televisão norte-americanos, motivo pelo qual hoje existe uma boa cota de Kevins e Marcels na Alemanha.

Meu filho é único!

Familienreport - wieder mehr Geburten

Para garantir exclusividade, vale chamar o filho até 'Mar de Los Angeles'

Os nomes tradicionais também estão na moda. Mas na opinião da educadora Sascha Nickel, da creche Matthäuskirche, as crianças nos últimos tempos têm sido batizadas com nomes exclusivos. "Este ano temos um aluno que se chama Mar de Los Angeles e outro que se chama Sky. Os pais querem encontrar algo muito especial para os filhos." A individualização também é uma marca dos tempos. Muita gente procura ser diferente – até mesmo na escolha do nome dos filhos. A educadora Sandra Ostertag faz parte desse grupo: "Eu quero algo único para o meu filho!"

Mas e como a tendência se aplica aos nomes tradicionais? Muito simples: não existem mais nomes padrão. Quase 5% de todas as meninas nascidas no ano de 1987 se chamam Julia. Hoje não existem mais essas ondas. Os nomes preferidos alcançam no máximo 1% a 2%.

Jogador de futebol brasileiro inspira pais alemães

Pais jovens têm ideias claras de como seus filhos vão se chamar. Sabrina Türkheim, de Frankfurt, já conversou a respeito com seu namorado: "Ela vai se chamar Emma Mia Viktoria. Se for menino, será Konstantin Maria. Eu gostaria de manter a tradição da família do meu pai, em que todos os homens têm Maria como segundo nome."

Stempel mit Aufschrift Kevin

Meninos chamados Kevin sofrem preconceito nas escolas

Timo Schneider, da cidade de Bonn, tem uma inspiração interessante. Seu filho vai se chamar Diego, como o brasileiro ex-jogador do Werder Bremen.

Mas os pais não podem dar aos filhos qualquer nome que lhes vier à cabeça, pois o cartório de registro também pode recusar sua sugestão. Em Colônia, apenas um nome foi recusado nos últimos três anos, como soube Angelika por um relatório: "Os pais queriam batizar a criança de Osama Bin Laden. Eu acho que tínhamos o direito de interferir". O critério é claro: se for evidente que a criança sofrerá desvantagens por causa do nome, ele é rejeitado. Mas normalmente os pais podem escolher livremente o nome dos filhos.

Certos nomes suscitam preconceito

Astrid Kaiser, professora de pedagogia na Universidade de Oldenburg, coordenou um estudo em que 500 professores do ensino básico descreveram, em questionários online, suas experiências e avaliações relativas aos nomes dos alunos.

O resultado mostrou que prenomes como Kevin e Chantal, Mandy, Jaqueline ou Justin são associados a atrevimento, mau comportamento ou ineficiência. Por outro lado, Hanna e Sophie, Lucas ou Simon são frequentemente relacionados a bom desempenho e amabilidade.

Fußball Bundesliga Werder Bremen - VfB Stuttgart Diego

Diego, ex-jogador do Werder Bremen, inspira pais alemães de hoje

Primeiro perguntou-se aos professores quais nomes não dariam a seus filhos de jeito nenhum. A tendência foi evidente: nem Kevin nem Chantal. Como justificativa, boa parte dos participantes declarou: "Tenho muitos alunos chamados Kevin que se comportam mal, sem exceção". Alguns acrescentaram: "É assim mesmo, sem exceção". Mas a pérola entre as explicações foi a frase de uma professora: "Kevin não é um nome, é um diagnóstico".

Preconceitos são conhecidos

Astrid Kaiser destaca que outros estudos já demonstraram os preconceitos em relação às crianças, e os seus efeitos. Num estudo de caso, professores avaliaram de formas diferentes o mesmo texto, dependendo se acreditavam ter sido escrito por uma criança com estrutura familiar boa ou ruim.

Quando a professora de pedagogia divulgou seus resultados, o alvoroço foi grande. "O estudo foi generalizante e difamatório", opinou o Sindicato da Educação e Ciência, "um insulto", disseram muitos professores. Kaiser também recebeu elogios, mas não os que esperava ouvir. Muitos deles acabaram apenas reforçando os preconceitos. Um dentista escreveu: "Kevin tem cárie. É um fato".

A pesquisadora não questiona se existem de fato muitos Kevins e Chantals com notas ruins ou problemas de comportamento. Para ela, o importante é não jogar as crianças na mesma panela e julgá-las só por com base em seus nomes.

Autores: G. Birkenstock / T. Wessling / F. França
Revisão:

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