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Alemanha

Estudo analisa relação entre campanha de patriotismo, xenofobia e desintegração social

Estudo aponta xenofobia no Leste alemão. Em pesquisa que relacionou comportamento coletivo com a onda de patriotismo durante a Copa, sociólogo adverte que tese do patriotismo tolerante é um "absurdo perigoso".

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Para estudioso, é perigoso compensar desintegração social com orgulho nacional

O resultado parcial de um estudo de longo prazo que está sendo realizado na Alemanha apontou que quase a metade dos alemães é xenófoba e cerca de 20% segue convicções populistas de direita. Ainda segundo a pesquisa, que foi iniciada em 2002 e tem duração prevista de dez anos, quase 50% das pessoas questionadas em meados do ano deixaram de considerar o Islã uma "cultura admirável".

Pelo contrário, cada vez mais alemães têm medo dos muçulmanos. O índice dos que admitem ao menos a sensação de estranheza em relação a vizinhos muçulmanos aumentou de 35%, em 2004, para 39%.

Ao apresentar o estudo em Berlim, o sociólogo Wilhelm Heitmeyer, advertiu contra campanhas de patriotismo, como a intitulada "Du bist Deutschland" (Você é a Alemanha) da época da Copa do Mundo. Segundo ele, campanhas de patriotismo na Alemanha representam uma ameaça à paz social.

"É perigoso querer compensar desintegração social com orgulho nacional", advertiu o sociólogo, para quem campanhas de patriotismo não fortalecem apenas a sensação de pertencer a um todo, mas também reforçam o ressentimento contra minorias fracas. Três jovens cientistas comprovaram no estudo que "o orgulho nacional leva à desvalorização de grupos estrangeiros, ao contrário do que ocorreria com um orgulho patriótico diferenciado em relação à democracia alemã e ao Estado social, que acarretaria menos efeitos xenófobos".

Um estudo complementar feito em agosto mostrou que após a Copa os entrevistados tinham uma posição "mais nacionalista" do que em consultas anteriores.

Populismo de direita no Leste alemão

O objeto do estudo, levado a cabo pelo Instituto de Pesquisas sobre Conflitos e Violência, da Universidade de Bielefed, é, entre outros, a posição de alemães sem antecedentes migratórios em relação a estrangeiros, muçulmanos, judeus, deficientes, homossexuais, mulheres e mendigos.

Para Heitmeyer, o "patriotismo festivo" vigente durante a Copa na Alemanha não tem efeitos positivos. "Em vez disso, deveria ser fomentada a apreciação dos princípios democráticos", sugeriu o pesquisador.

Neonazi-Aufmarsch in Halberstadt

Manifestação do partido de extrema direita NPD em Halberstadt, na Saxônia-Anhalt

A mentalidade xenófoba é característica marcante nas regiões rurais de emigração no Leste do país. Entre os cinco Estados desta região, o estudo apontou Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental como o de população com maior aversão a estrangeiros: 63,7%. A média nos Estados ocidentais do país é de 46% de xenófobos entre a população. Sobressaem-se aí o Sarre, com 54,2%, e a Baviera, com 51,4%. A média de todo o país é de 48,5%.

Embora um estudo apresentado recentemente pela Fundação Friedrich Ebert houvesse mostrado que a extrema direita tem maior aceitação entre os alemães-ocidentais, o estudo de Heitmeyer concluiu que o populismo de direita está mais propagado no Leste da Alemanha. Mesmo assim, os índices da Baixa Saxônia e da Baviera estão claramente acima da média nacional.

A causa da desconfiança em relação a estrangeiros reside, segundo o estudo, na crescente desintegração social. Também o medo do futuro e a sensação de impotência em relação à política vêm crescendo nos últimos anos.

Guerra no Líbano aumentou anti-semitismo

Ainda segundo o estudo, entre 2002 e 2005, a xenofobia cresceu na Alemanha, mas estagnou em 2006. A partir de 2004, começou a ser observada a rejeição a muçulmanos. Esta rejeição continuou crescendo em 2006. Segundo o sociólogo, a xenofobia diminui na medida em que aumenta a formação educacional, mas o medo do islamismo, não.

A pergunta "homossexualismo é imoral?" foi respondida positivamente este ano por 21,8% dos entrevistados (em 2005, haviam sido 16,6%). Em relação ao papel da mulher na sociedade, 30,5% responderam que as mulheres deveriam se concentrar mais no papel de esposa e mãe.

Já em relação ao anti-semitismo, os índices vinham diminuindo desde 2002, mas voltaram a crescer em meados do ano, com a guerra no Líbano. Todavia, com números que não superaram os de cinco anos atrás. Advertências como as da presidente do Conselho Central dos Judeus, Charlotte Knobloch, que recentemente havia dito vigorar na Alemanha o anti-semitismo de 1933, são "irresponsáveis", segundo Heitmeyer.

Graças à regularidade anual da coleta de dados, os estudiosos já puderam estabelecer relações: quem, por exemplo em anos anteriores, respondeu sentir desorientação, dois anos mais tarde demonstrou em suas respostas claras perspectivas xenófobas.

Heitmeyer considera "extremamente perigosa" a situação em regiões marcadas pela emigração, onde aumenta o desemprego e os salários são mais baixos. Lá não surpreende que predominem a desorientação e a xenofobia, embora a cota de estrangeiros seja baixa, assinala.

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