Estudo alerta: classe média alemã encolhe | Notícias sobre política, economia e sociedade da Alemanha | DW | 10.03.2008
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Alemanha

Estudo alerta: classe média alemã encolhe

O crescimento econômico alemão passa ao largo da classe média, segundo estudos. Globalização e flexibilização do mercado de trabalho estão aumentando o abismo entre ricos e pobres.

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Abismo entre pobres e ricos aumenta

Entre as 100 pessoas mais ricas do mundo, a revista Forbes incluiu em 15º lugar o alemão Karl Albrecht, proprietário da rede de supermercados Aldi. Sua fortuna foi estimada em 13 bilhões de euros. Albrecht construiu seu império vendendo alimentos a preços baixos numa rede de supermercados que se espalhou por toda Europa.

Ao mesmo tempo, a desigualdade social na Alemanha aumenta cada vez mais. Joachim Frick, do Instituto Alemão de Pesquisa Econômica (DIW), atribui este quadro aos cortes de benefícios sociais promovidos pelo plano Hartz IV e por outras reformas sociais introduzidas pelo ex-premiê social-democrata Gerhard Schröder. "O desemprego de longo prazo e os modelos de trabalho mais flexíveis e temporários tiveram um efeito negativo sobre as classes médias", analisa Frick.

Abismo entre ricos e pobres aumenta

A classe média alemã está diminuindo em escala alarmante, de acordo com um relatório do DIW, representando um desafio para a macroeconomia européia. O empobrecimento mais drástico foi notado no grupo de pessoas que ganham de 90% a 110% da renda média alemã. Aqui se registrou uma queda de cinco pontos percentuais da remuneração. A renda média anual é de 16.200 euros, sendo 11.340 euros considerado o limite do nível de pobreza.

Em 1992, mais de 49 milhões de alemães pertenciam à classe média, o que representava 62% da população do país. Este quadro se manteve estável até o fim do século 20. Em 2006, a classe média alemã era composta por 54% da população, 44 milhões de pessoas.

Segundo o DIW, os ricos ficaram mais ricos e os pobres não apenas se tornaram mais pobres, como também aumentaram em número. Há uma maior concentração populacional em ambos os extremos, conforme analisa o instituto. A renda de quem pertence à metade superior da sociedade aumentou com maior rapidez que a da metade inferior, o que significa um aumento nítido da desigualdade social.

Famílias tradicionais sofreram mais

Modelos flexíveis de trabalho tiveram uma grande influência: trabalhadores temporários, empregados em regime de meio-período, autônomos dependentes de um único empregador e beneficiários de ajuda social que realizam os chamados "trabalhos de um euro".

Segundo o estudo do DIW, mais de 11% dos alemães conseguiram se deslocar para a faixa de renda superior. No outro extremo, a faixa de baixa renda – ou seja, com remuneração 70% inferior à média – aumentou consideravelmente nos últimos anos, somando hoje 25% da população alemã.

Além disso, em 2006 havia 3 milhões a menos de famílias de classe média com filhos menores de 16 anos. No mesmo período, 1 milhão de pessoas residentes em domicílios multigeracionais caíram numa faixa de renda inferior à que pertenciam.

Recente boom econômico

A Alemanha saiu de um período de estagnação econômica e passou por um pequeno milagre econômico nos últimos dois anos, sobretudo por causa do aumento de exportações – mesmo que a alta do euro, o aumento dos custos salariais e dos preços de energia tenham prejudicado o boom econômico.

Em estudo recente, o Departamento Federal de Estatística previu – no entanto – que menos de 13% da população alemã corre risco de pobreza. De acordo com os parâmetros da União Européia, a faixa em risco de pobreza é aquela que vive com menos de 60% da renda média da população.

Na Alemanha, há 11 milhões de pessoas nessa faixa, incluindo 1,7 milhão de crianças. Esse quadro é melhor do que no resto da União Européia, com exceção dos países escandinavos. Portugal e Grécia são os países com o maior número de pessoas na maior faixa limítrofe ao nível de pobreza.

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