Estudo adverte que UE perde influência nas Nações Unidas | Notícias e análises internacionais mais importantes do dia | DW | 18.09.2008
  1. Inhalt
  2. Navigation
  3. Weitere Inhalte
  4. Metanavigation
  5. Suche
  6. Choose from 30 Languages

Mundo

Estudo adverte que UE perde influência nas Nações Unidas

Novo estudo adverte que a União Européia está diante de uma séria crise nas Nações Unidas, ameaçada por novas potências regionais e adversários desiludidos, e arriscando sua influência na proteção aos direitos humanos.

default

Influência da China e da Rússia na ONU aumentou

A crescente influência da Rússia e da China e a alienação cada vez mais sentida por países islâmicos, africanos e latino-americanos estão diminuindo a aceitação da política de defesa aos direitos humanos empreendida pela União Européia no grêmio internacional.

Segundo um relatório do Conselho Europeu de Relações Exteriores (ECFR, sigla do inglês), a aprovação às propostas da UE neste âmbito caiu de 70% nos anos 1990 para 48% em 2007 e 55% em 2008 na Assembléia Geral da ONU. Em contrapartida, o apoio à Rússia e à China aumentou de menos de 50% para mais de 80% no mesmo período.

O estudo da ECFR descreve como "crise em câmera lenta" a baixa aceitação de recentes iniciativas movidas pela UE envolvendo a problemática de países como Irã, Mianmar e Belarus, nas quais o bloco teria obtido apenas 80 votos a favor de um total de 165 países. Além disso, a UE é tida como parceira intrometida por países como Sudão, Mianmar e Zimbábue, que passaram a se opor ao bloco após caírem na mira de sua política intervencionista.

Das UN-Gebäude in New York mit Flaggen

Diplomatas europeus em Nova York: menos reuniões internas, mais externas

Enquanto isso, a doutrina da Rússia e da China de não interferir em Estados soberanos ganhou apoio destes e de outros países também no Conselho de Segurança da ONU, provocando ainda mais derrotas para a UE. Recentemente, Moscou e Pequim conseguiram impor sua posição sobre a concessão de mandatos para Mianmar e Zimbábue, argumentando que o respeito à soberania está acima de preocupações humanitárias.

"Se a UE não mais puder obter apoio na ONU para ações internacionais em prol de direitos humanos e justiça, passando por cima da soberania nacional em casos extremos, terá sido derrotada em uma de suas mais profundas convicções sobre a política internacional como um todo", adverte o estudo.

Menos introversão, mais ação

O relatório salienta que o erro da UE poderia estar em realizar centenas de encontros internos por ano entre seus próprios diplomatas em Nova York ao invés de concentrar-se em uma diplomacia voltada para fora, para outros membros do grêmio internacional. Além disso, o bloco europeu teria sofrido com quase oito anos de confrontação com o governo Bush nos Estados Unidos, o membro mais poderoso e influente das Nações Unidas.

Mas se a situação na Assembléia Geral pode ser considerada ruim, ela é ainda pior no Conselho de Direitos Humanos da ONU. Em 2007, os europeus tiveram de ameaçar deixar o grêmio a fim de impedir uma iniciativa movida pela China para bloquear a monitoração da situação dos direitos humanos. No Conselho, do qual os Estados Unidos não participam devido à sua recusa em reconhecê-lo, representantes da UE sentem-se cada vez mais isolados.

Frank Walter Steinmeier in Togo Afrika

Estudo recomenda maior interação com a África

Fora das Nações Unidas, o relatório sugere que as políticas externa e de imigração da UE criaram obstáculos e barreiras entre o bloco e muitos países, em sua maioria islâmicos. Afeganistão, Bósnia e Turquia são os únicos países majoritariamente muçulmanos em cujo voto a UE pode confiar.

A Organização da Conferência Islâmica (OCI), que cobra limites aos direitos humanos em nome de crenças religiosas, tornou-se um forte adversário da UE. Com mais de 50 membros, ela é capaz de superar os votos da UE e as relações bilaterais são cada vez mais delicadas.

"Isto reflete não apenas disputas pelo Oriente Médio, mas um choque fundamental de valores culturais e religiosos", explica o estudo. "A UE precisa de uma estratégia de aproximação a fim de ganhar o apoio perdido de países africanos e latino-americanos, bem como recuperar o apoio de membros mais moderados do bloco islâmico."

Reaproximar e reconstruir

O ECFR ofereceu algumas soluções possíveis para o dilema do bloco europeu, tais como a criação de medidas que promovam mais transparência, entre elas um relatório anual da Comissão Européia sobre os votos dados e as coalizões formadas pela UE na ONU. Também recomenda que a UE nomeie dois ou três encarregados para coordenar a diplomacia com outros países no âmbito da ONU, apoiados por um grupo de "europeus experientes" para criar e revisar estratégias.

Além disso, o relatório sugere que a UE amplie acordos já existentes com nações que foram alienadas, de modo a reconquistar sua confiança. O Acordo de Cotonou, por exemplo, uma aliança comercial entre a União Européia e países da África, Caribe e Pacífico, deveria ser ampliada a fim de reconquistar o apoio dos adversários nestas regiões.

Muitos países africanos e asiáticos se abstêm da votação de questões ligadas aos direitos humanos e a UE poderia conquistar seu apoio com facilidade ao adotar uma política voltada para o exterior. Atualmente, muitos países africanos suspeitam que a UE ainda mantém interesses coloniais, como teriam mostrado os casos do Zimbábue e do pedido de prisão do presidente sudanês pelo Tribunal Penal Internacional (TPI).

O relatório deixa claro que a União Européia tem muito a perder e que, se não repensar suas iniciativas perante as Nações Unidas, sua influência como força global de proteção aos direitos humanos será sensivelmente reduzida.

Leia mais