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Estudar na Alemanha

Estudantes da Alemanha enfrentam dificuldade crescente para encontrar moradia

Oferta nos alojamentos estudantis não supre demanda, e aluguéis nas cidades universitárias são bem altos. Acomodação temporária em ginásios e trabalho de babá em troca de um quarto apresentam-se como soluções criativas.

Victoria sorri, embora tivesse motivos de sobra para estar bem aborrecida. A estudante de Sociologia da Universidade de Frankfurt quer alugar um apartamento junto com seu namorado, e para tal dispõe do orçamento total de mil euros. Não é pouco dinheiro, comenta, perplexa. Mas não basta para Frankfurt, a cidade dos grandes bancos.

Os aluguéis exorbitantes não são o único motivo para o fracasso da jovem de 25 anos em sua busca. Como estudante, é difícil ser sequer levado em consideração por corretores de imóveis ou proprietários, reclama. "Você talvez chegue até a última fase da seleção. Mas não vai mais adiante, pois há outros casais assalariados concorrendo, que ganham bem, e você é, justamente, estudante."

Wohnungsnot bei Studierenden überfüllter Hörsaal

Universidades alemãs cada vez mais lotadas

Demanda maior que a oferta

Numa metrópole como Frankfurt, estudantes de baixa renda têm poucas chances na busca por uma moradia. E se trata de uma tendência nacional, a julgar pelas estatísticas sobre os aluguéis: em cidades universitárias disputadas como Hamburgo, Munique, Freiburg ou Colônia, nos últimos anos as curvas dos preços só conhecem uma direção: para cima.

"Temos um aumento constante do número de estudantes, e simplesmente poucos alojamentos estudantis pagáveis para os jovens", critica Katrin Wenzel, do serviço de assistência aos estudantes (Studentenwerk) de Frankfurt.

Somente nessa cidade, matricularam-se para o semestre de inverno (outubro a março) cerca de 8.600 calouros. O número crescente de jovens inscritos é resultado das políticas educacionais alemãs de oferecer mais vagas em universidades e escolas técnicas. "Mas eles precisam também de uma moradia", ressalva Wenzel.

Como administradora dos alojamentos estudantis, o Studentenwerkrepresenta uma alternativa de moradia barata: seus quartos custam, em média, 214 euros por mês. No entanto, também aqui a demanda é maior do que a oferta. Katrin Wenzel calcula que somente em Frankfurt haja cerca de 3.600 vagas em alojamentos estudantis para cerca de 53 mil estudantes. "Isso corresponde a apenas 7% da demanda", explica.

Soluções criativas

Wohnungsnot bei Studierenden provisorischer Schlafraum

Acomodação de emergência montada num ginásio de Frankfurt

A situação observada em Frankfurt é a mesma de outras cidades universitárias alemãs. Em todo o país as vagas em alojamentos estudantis não dão conta da demanda. Já no início do semestre de inverno de 2012-2013, o Deutsches Studentenwerkanunciou a situação de escassez: seriam necessárias cerca de 25 mil vagas em alojamentos estudantis para suprir a demanda nacional.

Em muitas cidades alemãs, quem não quer desistir de sua vaga na universidade tem que ser criativo. Em Frankfurt foram disponibilizadas camas de campanha para os calouros, e o Studentenwerk criou uma bolsa de moradias. "Desta vez, nós apelamos até para a população, pedindo aos proprietários que coloquem quartos privados à disposição dos estudantes", explica Katrin Wenzel.

A iniciativa teve sucesso. Um lar para idosos liberou alguns quartos de funcionários, alugando-os a preços módicos para os estudantes. Algumas famílias também entraram em contato com o Studentenwerk,oferecendo um quarto para quem tomasse conta de suas crianças.

Dificuldades para os estrangeiros

Dentro desse quadro, é especialmente complicado para os estudantes estrangeiros encontrar alojamento. Quem não fala muito bem o alemão, tem poucas chances de fechar um contrato, explica o paquistanês Jawad. O estudante de 27 anos só conseguiu um quarto porque conhecidos o ajudaram na tradução. Mas ele não está satisfeito com sua situação. "O quarto é pequeno demais, caro demais e longe da universidade", reclama.

Jawad não é o único estudante a ter que se conformar com uma longa viagem até a universidade. Muitos calouros que não conseguem encontrar um quarto a bom preço próximo do local de estudo, transitam diariamente dos subúrbios de Frankfurt e municípios em torno, para a universidade. "Eu queria morar em Frankfurt, mas não achei nem mesmo um quarto numa república", explica Jan, estudante do curso de Pedagogia. "Pelo mesmo dinheiro, consegui todo um apartamento para mim em Bad Villbel."

E se engana quem pensa que seja fácil a busca por um quarto num alojamento estudantil privado ou numa república. O brasileiro João Andrade Neto, que cursa a Universidade de Hamburgo, conseguiu um quarto num alojamento particular, porém o aluguel era muito alto.

"Ao mesmo tempo em que eu morava lá, procurava um quarto em uma república. Visitei mais de seis repúblicas, mas só consegui um quarto após indicação de um amigo alemão", frisa o doutorando em Direito.

Já Douglas Fusco, estudante de Filosofia na Universidade Humboldt de Berlim, procurou uma república por mais de seis meses. "Cheguei a visitar mais de 15 casas. Mas depois, consegui um quarto no alojamento da universidade. Infelizmente a oferta não acompanha a demanda", critica o brasileiro.

Em último caso, a casa dos pais

Plakat der Goethe-Universität - Wohnungsnot bei Studierenden

Universidade de Frankfurt procura quartos para seus estudantes

Diante de tantas vicissitudes, a estudante de Pedagogia Lara, de 21 anos, acha que inicialmente faz mais sentido ficar morando na casa paterna, "porque é simplesmente mais barato". No entanto, admite não ser uma solução definitiva, já que precisa de uma hora para chegar até a universidade.

Segundo estatística do Deutsches Studentenwerk, atualmente 23% dos estudantes moram com os pais. Mas, neste meio tempo, pelo menos os apuros estudantis já chegaram aos ouvidos dos políticos alemães. O ministro de Transportes, Construções e Assuntos Urbanos, Peter Ramsauer, marcou para o final de novembro uma mesa redonda com as associações residenciais, Studentenwerkee secretários estaduais.

Trata-se de um raio de esperança para a estudante de Sociologia Victoria: quem sabe, num futuro próximo ela ainda conseguirá um apartamento a preço razoável em Frankfurt?

Autoria: Bianca Von der Au / Fernando Caulyt
Revisão: Augusto Valente