Estagnação da economia alemã provoca surpresa e decepção | Notícias e análises sobre a economia brasileira e mundial | DW | 16.08.2011
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Economia

Estagnação da economia alemã provoca surpresa e decepção

Divulgação de crescimento de apenas 0,1% do PIB no segundo trimestre de 2011 pegou economistas despreparados. Alguns preferem falar de "normalização" e apontam para realidade na Europa e nas outras potências econômicas.

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A divulgação dos números da economia alemã pelo Departamento Federal de Estatísticas, nesta terça-feira (16/08), provocou surpresa e decepção no setor. O Produto Interno Bruto (PIB) do país aumentou no segundo trimestre apenas 0,1%, em relação ao mesmo período de 2010, o que representa crescimento quase zero. Os detalhes sobre as estatísticas serão divulgados em setembro próximo.

Segundo o órgão, "a queda no consumo privado e a redução de investimentos na construção civil frearam a economia do país". O diretor do Instituto da Economia Alemã (IW), Michael Hüther, atribuiu a desaceleração sobretudo à redução do consumo, "que foi muito fraco mesmo, apesar das boas condições básicas, como o alto nível de emprego e o aumento de salários". Pouco antes, o instituto ligado à classe patronal confirmara sua previsão de um crescimento total de 3,5%, e de 2,25% para 2012.

Impulsos negativos também partiram do comércio exterior, já que as importações cresceram mais do que as exportações. Por outro lado, elevaram-se os investimentos do empresariado, o que pelo menos manteve a economia no curso do crescimento.

"Amarga decepção"

A notícia pegou de surpresa os especialistas do setor, que contavam com um aumento do PIB entre 0,2% e 0,8% no segundo trimestre. "É o crescimento mais lento desde o início de 2009, quando a crise financeira chegou a seu ápice", declarou um perito em estatísticas.

O analista Jörg Lüschow, do banco WestLB, falou de uma "amarga decepção". Segundo o economista-chefe do Commerzbank, Jörg Krämer: "Ainda não conhecemos as causas exatas. Mas uma delas é, claro, o setor da construção civil, que no primeiro trimestre havia se beneficiado de condições meteorológicas inusitadamente brandas. Essa demanda é que falta agora". Sem esse efeito, aponta Krämer, o aumento do PIB teria sido de 0,4%.

O crescimento no primeiro trimestre teve que ser corrigido para baixo, de 1,5% para 1,3%. O resfriamento da conjuntura global igualmente abalou a Alemanha, enquanto nação cuja economia é calcada nas exportações. "Nem a Alemanha está isolada do resto da economia global. Também aqui os indicadores apontam para baixo", comentou o economista Krämer.

"Muitos prognósticos de crescimento terão que ser corrigidos para baixo, também nós faremos o mesmo", revelou o analista Lüschow, do WestLB. O Commerzbank já baixou seus números, para 2011, de 3,4% para 3,0%.

Decepção ou normalização?

Apesar de tudo, alguns economistas preferem encarar as estatísticas de modo menos dramático. Carsten Brzeski, do banco ING, não vê motivo para pânico. "Após o grandioso primeiro trimestre, e à luz de choques externos como o terremoto do Japão, a alta do petróleo e o enfraquecimento da conjuntura nos EUA, os números do PIB devem antes ser vistos como normalização do que como desapontamento."

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O economista Andreas Rees, do Unicredit, está convencido de que "fundamentalmente, o segundo trimestre é o ponto de virada para a economia alemã, que crescerá menos nos próximos trimestres. A aceleração do aquecimento da economia nacional pertence ao passado, devemos nos dar por satisfeitos com um crescimento menor".

Ainda assim, Christian Schulz, do banco Berenberg espera que, sustentada pela robusta demanda interna, a Alemanha atravesse a atual fase melhor do que outros países. "Porém, se os Estados Unidos se precipitarem na recessão – e, com eles, outras economias nacionais – isso vai atingir duramente a economia alemã", antecipa.

Entre os possíveis motivos do atual desenvolvimento negativo, o economista Brzeski cita a crise de endividamento na zona do euro e os apuros em que se encontra a economia norte-americana – perigos estes que, nas semanas anteriores, vinham fazendo despencar as bolsas de valores de todo o mundo.

Fenômeno mais amplo

Na última sexta-feira, a notícia de que a França apresentara crescimento zero no segundo trimestre causou tanto inquietação nos mercados financeiros, quanto preocupação nos meios políticos europeus. O país é o principal parceiro comercial da Alemanha. Eventuais medidas de contenção a serem adotadas pelas nações endividados, como a França e a Itália, poderão afetar o setor alemão de exportações, e com ele, a conjuntura nacional, como um todo.

A estagnação na Alemanha e na França também contribuiu para frear severamente da economia da zona do euro. O PIB dos 17 países que a compõem acusou, no segundo trimestre de 2011, acréscimo de apenas 0,2% em relação ao ano anterior – segundo comunicou numa avaliação preliminar o órgão europeu de estatísticas Eurostat, nesta terça-feira em Luxemburgo. No trimestre anterior, o crescimento fora de 0,8%. Estes números correspondem exatamente aos relativos à União Europeia, que conta 27 países-membros.

O crescimento total na zona do euro, no prazo de um ano, foi de 1,7%, contra 2,5% no trimestre anterior. Entre as nações que adotam a moeda única europeia, as que apresentaram melhores índices de crescimento foram a Estônia (1,8%), a Finlândia (1,2%) e a Áustria (1,0%). Os números do Eurostat se baseiam em dados fornecidos pelos próprios países da UE.

Também em outras potências industrializadas, o crescimento econômico diminuiu sensivelmente no segundo trimestre deste ano. Nos Estados Unidos, maior economia do mundo, o aumento do PIB não passou de 0,3%, enquanto o Japão chegou a apresentar uma queda de 0,3%.

AV/dpa/rtr
Revisão: Soraia Vilela

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