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Mundo

"Estado Islâmico" leva monarquias árabes a mudarem de estratégia

Antes reticentes quanto a intervenções militares na Síria, países do Golfo entram na coalizão internacional que combate os extremistas. Aliança é a maior formada pelos EUA no Oriente Médio em décadas.

Abdullah bin Abdul Aziz al-Saud König Saudi Arabien 11.09.2014

Abdullah bin Abdul Aziz al-Saud, rei da Arábia Saudita

Sentado em seu avião de caça cinza, Khaled bin Salman, filho do príncipe herdeiro e ministro da Defesa saudita, Salman bin Abdulaziz al-Saud, sorri: ele acaba de voltar de uma missão contra o "Estado Islâmico" (EI) na Síria, segundo noticiou a agência de notícias estatal.

A foto publicada no Twitter se propagou entre os usuários. Ela representa não apenas a participação saudita nos ataques aéreos na Síria, mas também uma mudança de estratégia dos países do Golfo.

Por muito tempo, a Arábia Saudita interveio somente de forma indireta na guerra civil da Síria. Quando os protestos contra o presidente Bashar al-Assad, em meados de 2011, evoluíram para a violência, os Estados do Golfo apoiaram financeiramente as Forças Armadas dos países aliados. Militarmente, porém, a Arábia Saudita não interveio.

Por outro lado, o rico vizinho Catar participou já em 2011 da intervenção militar contra o ditador Muammar Kadafi na Líbia. Atualmente, apoia logisticamente os ataques aéreos do EUA.

O fato de agora Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Bahrain e Jordânia também estarem participando é uma novidade – especialmente levando em conta que o Catar esteve cada vez mais isolado, nos últimos meses, no Conselho de Cooperação do Golfo (CCG).

Disputa entre os monarcas

Três dos seis membros do CCG retiraram seus embaixadores do Catar no início deste ano, porque o emirado estava apoiando a Irmandade Muçulmana. A Arábia Saudita e os Emirados Árabes Unidos consideram o movimento islamista uma ameaça ao seu domínio. Acredita-se que magnatas do Catar tenham coletado doações para os combatentes do "Estado Islâmico" na Síria e no Iraque.

Em sua primeira visita oficial à Alemanha, na semana passada, o emir do Catar, xeque Tamim bin Hamad al-Thani, negou que dinheiro estatal tivesse sido destinado aos combatentes. O Catar foi regularmente confrontado com tais acusações, particularmente pela Arábia Saudita e a Jordânia, que se sentem ameaçadas pelo "Estado Islâmico". Os dois países fazem fronteira com regiões em conflito no Iraque e na Síria.

A ameaça representada pelo "Estado Islâmico" fez com que os membros do Conselho de Cooperação do Golfo se reaproximassem: quatro membros do Conselho, além da Jordânia, estão agora do mesmo lado, apoiando os EUA na luta contra os terroristas.

"Trata-se da aliança mais importante que Washington já conseguiu formar do seu lado, desde a libertação do Kuwait em 1991", escreveu o especialista em Oriente Médio Markus Bickel no jornal alemão Frankfurter Allgemeine Zeitung.

Gratidão americana

Sultan al-Qassemi, uma das figuras mais ativas dos Emirados Árabes Unidos no Twitter, disse ver na formação da aliança uma comprovação de que não é mais o Egito que dá o tom no mundo árabe, mas a região do Golfo Pérsico.

"O presidente Abdel Fattah al-Sisi perdeu a oportunidade de se tornar 'indispensável' para os EUA, porque ele não quis participar da coalizão anti-EI. A marginalização do Egito continua", escreveu Qassemi.

O presidente americano, Barack Obama, manifestou o seu apreço pelos ministros do Exterior de Bahrain, Emirados Árabes Unidos, Catar, Arábia Saudita e Jordânia por seus esforços. Sem a ajuda deles, afirmou, não seria possível expulsar o "Estado Islâmico" da região de fronteira entre a Síria e o Iraque.

Um elogio que deve agradar à casa real saudita. Em todo caso, isso combina com a foto do jovem príncipe no caça: a Arábia Saudita se apresenta como um Estado com Forças Armadas em prontidão – e uma nova estratégia de política externa.

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