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Mundo

"Estado Islâmico" intensifica ataques a cidade curda na Síria

Cidade perto da fronteira com a Turquia é considerada estratégica. Governo turco afirma que fará tudo o que for necessário para impedir que Kobane caia nas mãos dos jihadistas.

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Bombardeios foram registrados em várias localidades próximas à cidade de Kobane, na Síria

Combatentes curdos e integrantes do grupo terrorista "Estado Islâmico" (EI) acirraram os combates nesta sexta-feira (03/10) nas proximidades da cidade síria de Ayn al-Arab (também conhecida como Kobane), perto da fronteira da Síria com a Turquia. Os radicais islâmicos intensificaram os ataques contra os curdos no leste, sudeste e oeste da cidade, considerada estratégica.

Segundo o Observatório Sírio dos Direitos Humanos, pelo menos 60 morteiros lançados pelo EI atingiram áreas ocupadas pelos curdos, numa ação considerada pela organização baseada em Londres como o maior bombardeio sobre Kobane das últimas três semanas. Os curdos, por sua vez, teriam destruído dois veículos com munição e um tanque do EI. Sete jihadistas morreram, segundo a ONG.

A região também tem sido alvo de ataques aéreos da coalizão militar internacional liderada pelos Estados Unidos na tentativa de reprimir os jihadistas, que ocupam vários vilarejos nas proximidades. De acordo com o Pentágono, aviões da Arábia Saudita e dos EUA realizaram novos bombardeios contra o EI durante todo o dia. As aeronaves atingiram tanques, refinarias de petróleo e um campo de treinamento.

O principal grupo armado curdo, o YPG, conclamou integrantes da etnia em toda a região a unir forças na luta contra os extremistas islâmicos. "Vamos resistir ferozmente. Esta cidade (Kobane) será um cemitério do 'Estado Islâmico' e o começo de seu fim", afirmou o YPG em comunicado.

Já o primeiro-ministro da Turquia, Ahmet Davutoglu, declarou que seu país fará tudo o que for necessário para impedir que Kobane caia nas mãos dos terroristas do EI.

Kobane Syrien Kämpfe Grenze Türkei Soldaten 03.10.2014

Soldados turcos observam fumaça provocada por ataques no lado sírio da fronteira

"Agressão" à Síria

Em resposta, o governo da Síria declarou, por meio de comunicado, que qualquer intervenção militar da Turquia em seu território será considerada uma agressão.

Na quinta-feira, o Parlamento em Ancara autorizou, por ampla maioria, a

intervenção militar turca

contra o "Estado Islâmico" na Síria e também no Iraque, além do uso de bases turcas por tropas estrangeiras com o mesmo fim.

Segundo declaração do Ministério do Exterior da Síria, dirigida ao secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, a decisão do governo turco representa "uma violação flagrante da Carta das Nações Unidas dos Estados e da não-ingerência nos seus assuntos internos".

"A comunidade internacional e em particular o Conselho de Segurança devem agir para colocar fim às aventuras dos dirigentes turcos, que representam uma ameaça à segurança e à paz mundial", afirmou o ministério.

A ofensiva jihadista na região de Kobane já provocou o êxodo de pelo menos 186 mil refugiados em direção à Turquia, segundo Davutoglu. Antigo aliado de Damasco, o governo turco vem apoiando a oposição contra o presidente Bashar al-Assad desde o início da guerra civil na Síria, em 2011.

Türkei Ministerpräsident: Ahmet Davutoglu

Ministro turco Davutoglu: "Faremos tudo que for necessário para impedir a queda de Kobane"

Além da Turquia, a Austrália também autorizou nesta sexta-feira ataques aéreos e o destacamento de forças especiais para aconselhar e assistir as forças iraquianas na luta contra os extremistas do EI no Iraque – mas não na Síria – juntando-se, assim, à coalizão internacional.

EI derruba helicóptero

Já no Iraque, os jihadistas derrubaram um helicóptero Mi-35 das Forças Armadas iraquianas entre as cidades de Beiji e Al-Senniya, no norte do país, segundo fontes do governo em Bagdá. Piloto e co-piloto morreram. Beiji abriga a maior refinaria de petróleo do país.

Segundo testemunhas, as forças armadas iraquianas conseguiram retomar a cidade de Dhuluiya, a 70 quilômetros de Bagdá, das mãos do EI. A cidade faz parte de um cinturão ao norte da capital iraquiana onde os radicais sunitas conseguiram obter controle sobre várias localidades, contando com apoio de milícias locais que rechaçam o governo central xiita.

MSB/ap/rtr/afp/lusa

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