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Alemanha

Estacionar na rua? Que luxo!

Os motoristas que não possuem garagem estão apavorados. A prefeitura de Berlim pretende triplicar o valor da autorização para estacionar o veículo nas ruas. Se o projeto for aprovado, pode ser adotado em todo o país.

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Achar uma vaga é, às vezes, uma questão de sorte

Quem diria que deixar o carro estacionado na rua, à mercê da chuva, do gelo e da neve do inverno, dos gatunos e dos vândalos seria, um dia, coisa de luxo. Pois é justamente isso que pode acontecer se a proposta que será analisada nesta quarta-feira (7/5) pela Comissão de Trânsito da Câmara alta do Legislativo Alemão for aprovada e, posteriormente, endossada pelo governo.

O projeto de reajuste da taxa cobrada para a concessão da licença de estacionamento em perímetros urbanos, um selinho com validade anual, prevê um aumento bem maior do que qualquer expectativa de inflação na Alemanha. Passaria dos atuais 30,70 euros para 100 euros, ou seja, um acréscimo de mais de 200%. Isto, é claro, não deixa de ser um rombo em qualquer orçamento doméstico.

A maioria das moradias alemãs não foi projetada com estacionamento, o que obriga o motorista a deixar o carro na rua. De cara, ele enfrenta o problema de achar uma vaga, que precisa ser disputada com os carros que estacionam em sistema rotativo. O selinho afixado no pára-brisa não significa a garantia de uma vaga, apenas a dispensa do pagamento da taxa cobrada pelos que estacionam por um tempo determinado. Em muitos casos, há mais veículos com selinho do que espaço nas calçadas, o que implica em voltas cada vez mais amplas até achar uma vaguinha. Isto pode significar algumas quadras de caminhada até a chegada ao lar, doce lar.

A idéia de ter que desembolsar ainda mais para, digamos, disputar uma vaga na rua sem se preocupar com multas, não está agradando em nada à população. Em alguns bairros, inclusive, o estacionamento com o selo tem horário fixo e limitado. O problema é que os motoristas não têm alternativa para fugir dessa regulamentação. Existe escassez de estacionamentos no país e o aluguel de uma vaga, normalmente disputadíssima, também custa bem caro.

Justificativa

A prefeitura de Berlim, que idealizou a proposta de aumento do valor da licença, revelou que o preço atual de 30,70 euros está muito defasado e mal dá para cobrir os custos administrativos. Atualmente a cidade fornece cerca de 50 mil selos por ano.

Peter Strieker, secretário municipal de Transportes da capital alemã, não entende o motivo para tanto alarde, afinal, o preço mensal de um estacionamento particular é bem mais elevado do que os pretendidos 100 euros por ano para a obtenção da licença. Isso sem contar com os custos de manutenção de um veículo, bem mais caros do que um mero selinho.

A comparação com outras grandes metrópoles também foi usada como argumento. Em Zurique, o preço do selo anual é de 41 euros e, em Viena, chega a 150 euros por ano. Munique, por exemplo, pretende cobrar 120 euros pelo estacionamento nas zonas mais nobres e centrais da cidade.

Desrespeito

A população motorizada não está sozinha com sua indignação. O clube automobilístico alemão ADAC qualificou o pretendido aumento de "anti-social", pois nem todos que possuem carro são ricos. Para a camada mais pobre, o aumento será um peso e tanto no orçamento.

A entidade condenou ainda o fato de a prefeitura de Berlim aplicar o dinheiro arrecadado com a concessão de selos para minimizar o rombo nos cofres públicos da cidade. Quanto à elevação dos custos administrativos, "ninguém consegue acreditar que eles tenham subido 200 ou 300%", frisou Markus Schäpe, advogado do ADAC.

As seguradoras também saíram em defesa dos proprietários de veículos que não possuem garagem própria. "Os moradores precisam pagar mais sem receber nenhum serviço extra em troca", reclamou Betina Welter, da Direct Line.

De acordo com dados estatísticos do Ministério do Interior da Alemanha, em 2001 foram roubados mais de 75 mil carros e outros 460 mil foram arrombados.

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