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Cultura

Estações biográficas de Theodor Adorno

Poucos que se envolvem com sua teoria sabem que o W. de Theodor W. Adorno está para Wiesengrund, o sobrenome judeu de seu pai. Adorno della Piana é o sobrenome de sua mãe, cantora de origem alemã-corsa-genovense. Vir ao mundo em 1903 significou nascer em plena virada de século. Uma infância antes de 1914, poupada das mazelas da Primeira Guerra Mundial.

A juventude em pleno laboratório intelectual que foi a República de Weimar e o desgosto com a ascensão dos nazistas ao poder, que expulsaram do território alemão toda a inteligentsia pensante. Aí o exílio nos EUA, com sua indústria cultural em pleno vapor. A Segunda Guerra, Auschwitz, o retorno à Alemanha e a era Adenauer. Os confrontos com os estudantes de 68. Todas as estações ligadas por um fio condutor: a história da intelectualidade judaica na Alemanha.

Mentor da quebra do tabu em torno do nazismo, Adorno foi um dos responsáveis pelo despertar de consciência no pós-guerra. "Só hoje nos ficou claro o que Adorno desencadeou há 50 anos, ao escrever que compor um poema sobre Auschwitz seria um ato bárbaro. Adorno foi aquele que quebrou o tabu de Auschwitz como ninguém, tornando claro à Alemanha que a democracia só é possível graças à auto-análise", finaliza seu biógrafo Stefan Müller-Doohm.