Estações alemãs de esqui adotam práticas verdes para continuar brancas | Novidades da ciência para melhorar a qualidade de vida | DW | 25.01.2010
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Ciência e Saúde

Estações alemãs de esqui adotam práticas verdes para continuar brancas

O aquecimento global pode fazer com que os esportes de inverno nos Alpes alemães estejam com os dias contados. Resorts adotam medidas ecológicas, mas ambientalistas alertam para impacto ambiental das estações de esqui.

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A cobertura tenta evitar o derretimento da neve no Zugspitze durante o verão

Um estudo da Organização para a Cooperação Econômica e Desenvolvimento (OCDE) aponta as estações de esqui dos Alpes alemães como as que correm maior risco de serem afetadas pelas mudanças climáticas. De acordo com a sondagem, uma elevação de um grau Celsius na temperatura global pode levar a uma diminuição de 60% das áreas naturalmente propícias à prática do esporte nessa região.

Após um prognóstico tão pessimista, as práticas ambientais dos resorts de esqui do país estão sob fogo cerrado. A quase 3 mil metros, a montanha Zugspitze, localizada no município bávaro de Garmisch-Partenkirchen, é um dos principais destinos de esqui do país. Suas muitas máquinas de produzir neve, teleféricos e novas construções, no entanto, parecem não estarem muito em conformidade com o respeito do ambiente.

Resort se defende

Peter Theimer, diretor executivo da Bayerische Zugspitzbahn Bergbahn, empresa que administra o resort de Garmisch-Partenkirchen, no entanto, é rápido em defender o seu impacto ambiental, aludindo às diferentes regulamentações governamentais, que ajudam a fazer da sua estação um lugar mais ecologicamente correto.

BdT Eröffnung der Skisaison

Mudança climática pode acabar com 60% da neve dos Alpes alemães

"Quando queremos expandir a nossa área de esqui ou construir um novo teleférico, temos que pagar ao estado da Baviera, para que, com o dinheiro, possam proteger outras áreas", diz Theimer. "Além disso, para cada novo teleférico que construímos, também temos que nos comprometer a retirar o antigo."

Theimer lembra, ainda, a ligação ferroviária entre a estação e Munique, que a sua empresa administra em um esforço para reduzir o número de praticantes de esportes de inverno que chegam ao lugar de carro. A empresa também aluga os telhados de seus teleféricos para a companhia local de eletricidade, para a produção de energia solar.

Considerando que o que está em jogo é muito mais do que o futuro dos esportes alpinos, medidas como estas podem não ser suficientes. Água da montanha, inclusive água potável, é consumida em grandes proporções por um resort de esqui, e suas máquinas de neve necessitam de cerca de 100 litros de água de qualidade para fazer neve suficiente para cobrir um metro quadrado de pista de esqui. Além disso, a poluição sonora das máquinas de neve, que funcionam em maior parte à noite, pode ter efeitos prejudiciais sobre o comportamento de animais noturnos.

Medidas mais abrangentes

Segundo a Associação Alemã dos Alpes (DAV, na sigla em alemão), a maior associação de esportes de montanha do mundo e conceituada organização de luta pela conservação da natureza, são necessárias medidas muito mais abrangentes do que as providências que resorts como Garmisch-Partenkirchen estão tomando.

"Quando falamos que uma estação de esqui está tomando medidas ambientais, temos que lembrar que uma estação de esqui provoca sempre um grande impacto na natureza", diz Joerg Rueckriegel, diretor para de proteção ambiental da associação. "Claro que é positivo ver um resort tomar medidas para reduzir a poluição que produz, mas o objetivo mais importante é limitar a expansão de uma estação de esqui, para contê-las e proteger nossa natureza."

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Paisagens brancas podem em breve virar raridade nos Alpes alemães

Limitar a expansão de resorts, no entanto, é, comprovadamente, um grande desafio, já que a diminuição da quantidade de neve nas áreas mais baixas está levando muitos administradores de estações a levarem as pistas para locais mais altos.

Segundo Rueckriegel, este é apenas um paliativo e logo não vai mesmo haver mais opções para lugares como Garmisch-Partenkirchen.

Montanhas têm os seus próprios limites

"A mais alta montanha nos Alpes Bávaros é o Zugspitze, que é sensivelmente menor do que muitos picos na Áustria", enfatiza. "Portanto, a alternativa de se driblar as alterações climáticas, subindo para lugares mais altos da montanha, como está sendo feito agora em países como Áustria, é limitada."

Peter Theimer, no entanto, não está muito preocupado com o futuro da sua estação, ao ser confrontado com a previsão sombria apresentada pela OCDE e pela Associação Alemã dos Alpes. Se o pior vier mesmo, ele diz ter um plano B. "Temos certeza que podemos usar todo o investimento feito até agora, como máquinas de neve, pistas de esqui, teleféricos, durante os próximos 15 a 20 anos", diz ele. "E estamos construindo uma infraestrutura alternativa para esportes ao ar livre e atividades de verão, para que não tenhamos que depender somente do inverno."

Encontrar um meio-termo

Esquiadores e praticantes de snowboard, por outro lado, podem achar pouco consolo em atividades de verão, caso severas alterações climáticas nos Alpes os deixem sem neve no futuro. Mas, de acordo com Theimer, eles mesmos serão culpados, caso essa previsão se torne realidade. Mesmo toda a preocupação sobre os danos ambientais das estações de esqui não impede que esquiadores e outros visitantes tirem proveito de tudo o que esses lugares têm a oferecer. Theimer cita como exemplo uma plataforma para observação atualmente em construção.

"No início, a construção era muito controversa", explica ele. "Mas quando eu falo com as pessoas aqui em Garmisch, todos são muito curiosos para ir lá em cima apreciar a bela paisagem."

Isto, de acordo com Rueckriegel, aponta para o ato de equilíbrio que um resort de esqui na Alemanha é obrigado a realizar. Algo que é mais dizer do que de fazer. "Você tem que construir uma infraestrutura especial para fazer da sua estação um lugar atraente para os turistas, por outro lado, há medidas que têm um impacto na natureza. Encontrar um meio-termo, certamente não é algo simples", diz.

Autora: Laura Schweiger (md)

Revisão: Roselaine Wandscheer

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