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Brasil

Estádios de Manaus, Natal e Cuiabá iniciam 2013 sob "sinal de alerta"

Obras em cidades-sede da Copa de 2014 preocupam especialistas, pois menos da metade está concluída. Custo total dos 12 estádios foi revisado: aumento de 20% em relação a janeiro de 2011. E pode haver mais surpresas.

A cerca de 18 meses do pontapé inicial da Copa do Mundo de 2014, a construção ou reforma dos estádios das cidades-sede de Manaus, Natal e Cuiabá ainda são motivo de preocupação. Nelas, menos de 50% das obras foram concluídas.

As obras nessas três cidades – Natal (43%), Manaus (47%) e Cuiabá (50%) – precisam andar mais rápido para que fiquem prontas até o início da Copa do Mundo, em junho de 2014, frisou José Roberto Bernasconi, presidente do Sindicato da Arquitetura e da Engenharia do Estado de São Paulo (Sinaenco/SP).

"Se as obras se mantiverem no ritmo que impera desde o início, há grandes motivos para preocupação. E são obras públicas, portanto depende do envolvimento dos governos federal, estadual e municipal para que os estádios fiquem prontos a tempo", disse Bernasconi.

Se o atraso continuar, existe até mesmo o risco de essas cidades deixarem de ser sede da Copa do Mundo de 2014. "Isso vai depender da Fifa. Mas o próprio Jérôme Valcke [secretário-geral da Fifa] demonstrou que está olhando com muito cuidado para esses três estádios, que precisam mostrar serviço. A resposta está na mão dos gestores dos estados", concluiu Bernasconi.

Para Agostinho Guerreiro, presidente do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do Rio de Janeiro (Crea-RJ), é possível que a Fifa reduza o número de sedes para a realização dos jogos em 2014 caso haja problemas muitos grandes. "Se houver uma emergência, pode-se lançar mão desse caminho."

Entre os demais estádios programados para receber os jogos da Copa do Mundo, as arenas de Porto Alegre (52%), Curitiba (55%) e de São Paulo (58%) estão dentro do prazo e pertencem à iniciativa privada.

"Em Porto Alegre é realizada uma reforma, que está dentro do cronograma. A obra de Curitiba é considerada a de menor intervenção das doze sedes. Em São Paulo, o ritmo das obras é muito forte", afirmou Bernasconi.

Copa das Confederações

As outras seis arenas para o evento em 2014 deverão ter seu "teste de fogo" na Copa das Confederações, em junho de 2013. Dois desses estádios já estão com as reformas concluídas e foram reinaugurados pela presidente Dilma Rousseff: o Mineirão, em Belo Horizonte, e o Castelão, em Fortaleza.

Já os estádios de Brasília (85% das obras pronto) e Salvador (80% concluído) devem ficar prontos, na avaliação de Bernasconi, até abril de 2013 – portanto antes do evento.

Mesmo com 85% da reforma pronta, o Maracanã exige um acompanhamento mais cuidadoso. "O estádio tem o sinal amarelo porque é uma obra de grande complexidade. A obra está acelerada, mas houve demolições e havia problemas na cobertura. Mas deve ficar pronto até o prazo final", disse.

Já o estádio do Recife é o "lanterninha" na preparação para a Copa das Confederações. Mesmo com 70% da construção pronta, ele recebe um sinal amarelo de Bernasconi. "A obra demorou para ser iniciada. Estão sendo construídas vias de acesso e a urbanização está sendo realizada. O ritmo da obra deve ser acelerado, pois o prazo final é a Copa das Confederações", frisou Bernasconi.

Custos em ritmo crescente

De janeiro de 2011 a novembro de 2012, o custo total das construções e reformas dos estádios das 12 cidades-sede aumentou cerca de 20%, passando de R$ 5,63 bilhões para R$ 6,76 bilhões, informou o site de notícias UOL.

Brasilien Stadion Maracana

Por ser obra complexa, o estádio do Maracanã exige acompanhamento cuidadoso

Especialistas afirmam que esse aumento se dá, muitas vezes, pelo fato de a licitação de construção ou de reforma ser realizada a partir do projeto básico – que é elaborado com base nas indicações dos estudos técnicos preliminares.

"O melhor seria realizar a licitação da obra com um projeto totalmente pronto [projeto executivo]. Quando a obra não está totalmente definida, ela fica sujeita a custos extras", disse Bernasconi. Guerreiro, do Crea-RJ, disse que a situação reflete "um certo vício de comportamento" em que o planejamento não é realizado em tempo hábil.

Bernasconi destaca que há a possibilidade de os estádios de Manaus, Natal e Cuiabá – os mais atrasados – terem um aumento em seus custos de reforma ou construção. "Seguramente esse risco existe", afirmou.

Autor: Fernando Caulyt
Revisão: Alexandre Schossler

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