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Alemanha

Esquerda esfacelada e sindicatos insatisfeitos

A social-democracia alemã afasta-se dos sindicatos, um dos principais pilares do partido no país. Dissidentes criam uma aliança de protesto às reformas do governo e ameaçam fundar uma nova facção de esquerda.

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Líder sindical Michael Sommer e Gerhard Schröder: racha à vista?

A iniciativa de fundar uma nova aliança nacional nasceu a partir da insatisfação de alguns sindicalistas, que afirmam não reconhecer mais o SPD (Partido Social Democrata) como a facção que defende os interesses dos trabalhadores. Ao lado dos representantes sindicais, há dissidentes social-democratas recém-desligados do partido, alguns remanescentes neocomunistas do PDS (Partido do Socialismo Democrático) e membros da organização antiglobalização Attac.

O que eles têm em comum é primoridalmente a veia de protesto, como forma de responder à decepção coletiva com a atual conjuntura no país. São contra a reforma do sistema de saúde, contra o aumento da jornada de trabalho, contra os cortes para os aposentados e desempregados. E contra os partidos majoritários na política do país. "A pressão é grande. Tem muita gente querendo uma alternativa elegível", diz Thomas Händel, um dos mentores da aliança, que congrega cerca de 70 organizações e, segundo os próprios fundadores, mais de dez mil simpatizantes.

Perdas significativas

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Líderes da «Iniciativa Eleitoral Trabalho e Justiça Social»

Caso um novo partido de esquerda venha mesmo a ser fundado no segundo semestre deste ano, é provável que a "Iniciativa Eleitoral Trabalho e Justiça Social" – como é chamada a aliança recém-criada – participe, em maio de 2005, da corrida eleitoral na Renânia do Norte-Vestfália, o Estado mais populoso da Alemanha e um dos redutos eleitorais dos social-democratas. Uma derrota aí poderia significar um desmoronamento do SPD no país, que já saiu fragilizado de algumas eleições regionais e do pleito ao Parlamento Europeu.

Lideranças do SPD alertam para o risco de um esfacelamento da esquerda e ameaçam expulsar os membros do partido envolvidos na formação da nova aliança. Até a oposição democrata-cristã entra no mérito da questão. "O que a Alemanha menos precisa no momento é de mais um partido de esquerda, sem nenhuma noção sobre Economia", comenta o secretário-geral da conservadora União Social Cristã (CSU), Markus Söder.

Volta às boas ou racha ainda maior

Na noite desta segunda-feira (5/7), o premiê Gerhard Schröder encontra-se com a cúpula da Confederação Sindical Alemã (DGB), na esperança de que os ponteiros possam ser acertados. É da boca da própria vice-presidente da DGB, Ursula Engelen-Kefer, que sai o alerta frente ao perigo de uma "escalada do debate acerca das reformas" no país. "Não temos nenhum interesse em um conflito permanente", conclui a sindicalista.

Schröder já havia entrado em atrito com o presidente do sindicato de prestadores de serviços, Frank Bsirske, pleiteando até mesmo por sua saída. Na reunião com a cúpula da DGB, os dois lados podem ou partir para um racha geral ou recuperar a atmosfera amistosa de tempos atrás. Os parlamentares social-democratas ligados às organizações sindicais apelam para que o SPD leve as reivindicações trabalhistas mais a sério e envolva os sindicatos nas discussões sobre as reformas sociais. Mesmo porque, como declarou um representante sindical a um jornal alemão, "o SPD não pode esquecer que os sindicatos defendem, em primeira linha, os interesses de seus filiados".

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