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Cultura

Esqueleto encontrado em estacionamento é do rei inglês Ricardo 3º

"Meu reino por um cavalo!", brada o monarca corcunda pouco antes de morrer, na tragédia de William Shakespeare. Segundo historiadores, imagem de supervilão é injusta e fruto de campanha de difamação póstuma.

Está confirmado que o esqueleto encontrado sob um estacionamento na cidade de Leicester, no centro da Inglaterra, pertence mesmo ao rei Ricardo 3º (1452-1485). Segundo cientistas da universidade local, o DNA dos restos mortais de 500 anos coincide com o do carpinteiro Michael Ibsen, nascido no Canadá, descendente de 17ª geração da irmã do rei.

"É uma conclusão acadêmica da Universidade de Leicester, acima de qualquer dúvida razoável, que o indivíduo exumado em Greyfriars em setembro de 2012 é, de fato, Ricardo 3º, o último rei da Inglaterra da linhagem dos Plantagenet", declarou o arqueólogo Richard Buckley numa entrevista à imprensa, nesta segunda-feira (04/02).

Suas palavras foram recebidas com aplausos. Respeitando a prática arqueológica, os despojos reais serão sepultados na catedral de Leicester, que é o local consagrado mais próximo, acrescentou Buckley. A notícia foi confirmada pelo prefeito da cidade, Peter Soulsby. Anteriormente, ocorrera polêmica sobre o destino dos ossos, pois certas instâncias desejavam que fossem enterrados na cidade de York, base do reinado de Ricardo.

Arqueologista Richard Buckley anunciou descoberta na Universidade de Leicester

Arqueologista Richard Buckley anunciou descoberta na Universidade de Leicester

Shakespeare e a campanha de difamação

Segundo os cientistas, o esqueleto tem a espinha curvada e exibe oito ferimentos no crânio e dois no corpo. Ao ser encontrado durante as escavações do mosteiro medieval sob o estacionamento, ele trazia uma flecha nas costas. O achado provocou enorme entusiasmo nos meios historiográficos, por finalmente fornecer evidências concretas sobre uma personagem rodeada por controvérsia desde sua morte, aos 32 anos de idade.

Ricardo 3º foi o último soberano inglês a perecer em combate. Na peça teatral epônima, o dramaturgo William Shakespeare o faz bradar a famosa frase: "Meu cavalo, meu cavalo, meu reino por um cavalo!", antes do duelo final. Consta que após a Batalha de Bosworth, em 1485, o corpo despido e sangrento do rei foi exibido pelas ruas, para só então ser depositado numa sepultura sem nome, no mosteiro de Greyfriars.

Em seguida, a coroa da Inglaterra passou a Henrique 8º e os monarcas da Casa de Tudor. Com o auxílio de Shakespeare, estes cunharam, com sucesso, a imagem do rei corcunda como um dos piores vilões da história, não hesitando em trair e matar em sua campanha pelo poder. Entre suas vítimas constariam dois sobrinhos, assassinados na Torre de Londres.

Para diversos historiadores, essa fama é injusta. Eles esperam que a descoberta dos restos mortais lhes vá permitir dispersar alguns dos mitos em torno de Ricardo 3º. E examinar mais objetivamente as conquistas que alcançou em seus dois breves anos de regência – as quais incluem o estabelecimento de um sistema de fiança e assistência legal.

AV/afp/ap/dpa
Revisão: Alexandre Schossler

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