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Alemanha

Espiões com licença para cozinhar

O serviço secreto alemão aproveitou suas missões pelo mundo afora para desvendar segredos culinários, que publicou agora em forma de livro.

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Quem disse que na cozinha não tem segredo?

Markus Wolf, que este mês completou 80 anos, foi o primeiro ex-espião alemão a lançar um livro de receitas. O detalhe picante é que Wolf foi um dos chefes da espionagem alemã oriental. Ao que tudo indica, o Serviço de Informações da Alemanha (BND), não quis ficar atrás do antigo inimigo e acaba de lançar um livro delicioso.

Intitulado Top(f) Secret ( Topf, em alemão, significa panela), ele foi escrito por Ruth Hanning, a esposa do presidente do BND, August Hanning, que reuniu receitas exóticas das regiões para onde os agentes alemães foram enviados em alguma missão.

Outros povos, outros costumes

Entre os pratos há até a receita do "Obatzdn", uma especialidade da Baviera preparada com queijo e com um nome impronunciável até mesmo para os alemães, que de qualquer forma têm a impressão de estar em outro país quando vão à Baviera com seu dialeto e suas tradições.

As receitas estrangeiras vão desde o "Dongo Dongo", um cozido de peixe e verduras da República Centro Africana, passando pelo bucho de cordeiro recheado, da Escócia, até pastéis israelenses para a festa de Purim e uma sopa da Nigéria que deve ter ficado na memória das papilas gustativas dos agentes que a provaram. A tal sopa "Ala", de peixe e pimenta, só é autêntica "quando não dá nem para perceber se está morna ou quente, de tão picante".

Pratos temperados com "causos"

Mas nem tudo são indicações de como preparar as iguarias: as listas de ingredientes e instruções de preparo são intercaladas com pitadas de informações sobre o país e anedotas dos agentes.

Em um encontro na Nigéria, por exemplo, o chefe local do serviço secreto pediu ajuda contra um feitiço voodoo. Na Turquia, uma operação falhou porque uma câmara especialmente construída para filmar no deserto caiu dentro de um pote de mel. E na Itália, também fracassou uma missão preparada durante semanas, porque os técnicos do serviço secreto instalaram o microfone dentro de um piano. Sem saber, naturalmente, que a amada do homem que estavam observando iria martelar o instrumento a noite toda, acabando com qualquer chance de escutar o que se estava falando na sala.

Receitas contra a desconfiança

Na verdade, a "operação panela", para não dizer o livro, é apenas mais uma etapa na nova estratégia do BND para melhorar sua imagem e deixar de parecer suspeito aos alemães. "Queremos despertar a curiosidade das pessoas, para que não sintam medo da gente", diz Claudia Nitz, chefe de Relações Públicas. O fato de ela mencionar o seu nome já é sinal de uma verdadeira revolução, pois até poucos anos atrás nem o assessor de imprensa do serviço secreto alemão revelava a sua identidade, apresentando-se sempre com um "nome de guerra".

O mesmo objetivo tem uma outra iniciativa de marketing: o lançamento de artigos para "fãs", a serem vendidos numa loja no novo centro que pretende abrir ao público até o fim do ano em Berlim. Entre os artigos haverá blusões, gravatas, camisetas e chales. Mas certamente farão mais sucesso as cuecas para imitadores de James Bond, com inscrições do tipo " Somente para uso oficial", "Guardar sob sete chaves" ou "Estritamente confidencial".

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