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Teatro

Espetáculo com textos de Brecht estreia em Brasília

Com visual forte e suspense marcante, o diretor Pedro Granato apresenta a peça "Quanto custa?", que une dois textos do dramaturgo alemão inéditos no Brasil.

Depois de uma bem-sucedida temporada em São Paulo, a montagem de Quanto custa? – uma junção de Dansen e Quanto custa o seu ferro?, do dramaturgo alemão Bertolt Brecht, escritas em 1939 e nunca montadas no Brasil – chega aos palcos de Brasília nesta quinta-feira (14/11).

O diretor Pedro Granato conta que, neste espetáculo, queria manter a emoção aliada à reflexão, típica do trabalho de Brecht, fugindo do que ele chama de "esfriamento" produzido pelas leituras contemporâneas das obras do alemão.

"Ele não é apenas cerebral, mas também muito passional. As pessoas confundem distanciamento com frieza", diz o diretor, que incluiu referências cinematográficas, musicais e das artes plásticas para "tirar a repetição" que diz sentir em montagens de Brecht.

Para Granato, há uma tendência, se não em todo o Brasil ao menos na cena de teatro paulistana, de montar textos de Brecht de maneira já formatada. "Queria fugir do clichê do sobretudo, cachimbo e cubo preto. Queria sair desse imaginário normalmente associado", disse à DW Brasil.

O que mais o interessou foi o suspense que permeia o texto, aliado à vontade de fazer uma peça mais tensa. "Os textos apresentam uma violência muito atual", diz, lembrando que eles são da fase didática do dramaturgo. "Queria tirá-los do contexto da guerra e, através do suspense, criar uma leitura mais contemporânea."

Ele diz ter encontrado pontos em comum entre os textos de Brecht e filmes de fantasia e sobre serial killers, que complementam o conceito capitalista de apropriação e acumulação, explícito no comportamento social dos personagens.

Pressefotos vom Theaterstück Quanto Custa? von Pedro Granato

Suspense foi maneira encontrada pelo diretor Pedro Granato para atualizar Brecht

Duas peças em uma

Para contar a história de três vizinhos – o açougueiro Dansen, o ferreiro Svenson e a jornaleira sra. Norsen – que vivem em harmonia até o dia em que recebem a notícia de um cruel assassinato, o diretor cruzou os dois textos de maneira cronológica e tentando ser fiel ao original.

"A grande diferença é que a peça sugere uma comédia muito mais escrachada, já que o peso da situação estava no contexto e a peça dialogava com a realidade da época. Para falar hoje sobre até que limites uma pessoa vai quando se vende ou da relação entre grandes empresas e pequenos comerciantes, achei importante transferir o peso para a própria montagem", diz.

Granato comenta que, assim, encontrou uma maneira de se manter fiel ao texto e, de certa maneira, atualizar alguns conceitos do dramaturgo alemão.

A quebra da narrativa, uma das características de Brecht, se dá por meio da trilha sonora, composta por Rafael Castro. Outros elementos da obra do dramaturgo, como eliminar a "quarta parede" entre o palco e a plateia e utilizar gestos reveladores de como os personagens de fato pensam, também estão no espetáculo.

Mas a montagem não abandonou totalmente o humor do texto original. "Minha estratégia foi primeiro capturar as pessoas com o suspense para essa atmosfera pesada. O humor negro vai crescendo no decorrer da trama, à medida em que eu potencializo alguns absurdos que revelam a verdadeira faceta dos personagens", conta Granato.

Pressefotos vom Theaterstück Quanto Custa? von Pedro Granato

Inspirado por filmes fantásticos e sobre assassinos em série, o espetáculo tem visual marcante

Visual forte

As referências e a atualização dos conceitos de Brecht na montagem estão diretamente ligadas ao visual do espetáculo, que "é quase um elemento central", diz o diretor.

O cenário de Marinês Mencio fragmenta as lojas dos personagens, mas deixa claro o que cada uma representa: um açougue, uma ferraria e uma banca de jornais. "Alimento, armas e ideias. Queria reforçar esses símbolos de como a sociedade se estrutura. Ela ataca os alimentos, depois as ideias e, no fim, a violência domina tudo", explica o diretor.

O fantástico também está refletido nos figurinos, que associam, na escolha de materiais e nas cores, o universo das lojas a cada um dos personagens. "Essas pessoas estão fundidas aos seus trabalhos. O comerciante está ali para vender, sua percepção não é ética ou política. Trouxemos isso muito forte para o lado visual."

"Quanto custa?" está em cartaz no Centro Cultural Banco do Brasil em Brasília até 1º de dezembro.

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