Esperanto encontra nova popularidade através da internet | Cultura europeia, dos clássicos da arte a novas tendências | DW | 23.07.2008
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Cultura

Esperanto encontra nova popularidade através da internet

Em tempos de globalização, internet ajuda no ressurgimento da língua planejada esperanto, considerada morta por muitos. Em Roterdã, na Holanda, esperantistas festejaram o centenário da Associação Universal do Esperanto.

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Esperanto deu nome a centro cultural e de convenções em Fulda, na Alemanha

A língua desenvolvida no final do século 19 com o intuito de contribuir para a paz mundial foi duramente combatida pela purgação estalinista e pela ideologia nazista no século 20. Seu principal revés, no entanto, aconteceu por outro motivo – a falta generalizada de interesse, sem falar da emergência do inglês como língua universal.

Mas ao se reunirem na cidade holandesa de Roterdã para o Congresso Mundial de Esperanto, no último final de semana, esperantistas não só celebraram o ressurgimento do interesse pela língua como também o fato de sua associação mundial completar cem anos de existência – um pouco desgastada, mas ainda em ação.

A língua deve seu florescimento ao mundo on-line

Ludwig L. Zamenhof

Zamenhof criou o esperanto

"A internet abriu novas possibilidades", afirmou Boris-Antoine Legault, um dos líderes esperantistas na América do Norte, acrescendo que o esperanto seria uma ferramenta fantástica como língua-ponte na internet.

Seja em blogs e fóruns, seja em tutoriais on-line, a internet permitiu ao esperanto alcançar um público maior que o habitual. Antes da web, aprender esperanto significava, geralmente, encomendar um livro de uma editora pouco conhecida ou talvez visitar um dos empoeirados escritórios de esperanto que ainda estão abertos em algumas grandes cidades.

É difícil estimar o número de pessoas que falam esperanto. De acordo com estimativas, o total varia de algumas centenas de milhares a 2 milhões. Apesar disso, foi freqüentemente anunciada a morte da língua que soa como uma mistura de espanhol, latim e um pouco de alemão. Mas os esperantistas formam um grupo entusiasmado e determinado que mantém sua língua viva.

Metas elevadas, tempos difíceis

Esperanto als Muttersprache

Pai alemão e mãe chinesa educam filha em esperanto

Ludovic Lazarus Zamenhof, um oftalmologista de Bialystok, na Polônia, editou sua gramática do esperanto em 1887. Ele acreditava que uma segunda língua universal estimularia a compreensão internacional e a guerra se tornaria algo do passado. Nos primeiros anos, o esperanto teve muitos adeptos, principalmente entre a classe trabalhadora. A língua cresceu mais rapidamente na Rússia e no Leste Europeu, mas também na Europa Ocidental, nas Américas, na China e no Japão.

Regimes totalitários, no entanto, encararam com suspeita o esperanto. Adolf Hitler mencionou a língua em seu livro Minha Luta, dizendo que ela se tornaria a língua da assim chamada "conspiração judaica internacional" quando esta atingisse o domínio mundial, porque Zamenhof era judeu.

Stalin denunciou o esperanto como língua dos espiões e mandou executar esperantistas. Até 1956, o esperanto era considerado ilegal na antiga União Soviética.

Oposição afiada do francês

Esperanto in Iran

Centro de esperanto em Teerã

Após a Primeira Guerra Mundial, esperantistas trabalharam duro para promover sua língua, que quase foi declarada como modelo de língua universal neutra pela Liga das Nações. O esperanto, no entanto, enfrentou sentimentos nacionalistas que impediram sua maior aceitação. A resistência foi afiada principalmente na França, que via o papel do francês como língua internacional de comunicação ameaçado pelo arrivista artificial.

"Durante essa época, na década de 1920, o inglês começou a aumentar sua influência e a França tornou-se extremamente sensível quando se tratava de questões lingüísticas", disse Detlev Blanke, lingüista e pesquisador de esperanto de Berlim.

Ascensão

Após a Segunda Guerra Mundial, a língua vivenciou um curto período de florescimento, mas foi difícil resistir ao peso-pesado do inglês. Nos anos de 1960 e 1970, a língua fez algumas entradas na cultura popular. Em 1965, William Shatner, o capitão Kirk de Jornada nas Estrelas, estrelou uma película em esperanto, um filme de horror chamado Incubus.

Internationale Esperanto Konferenz in Peking

Mais de 1,8 mil esperantistas reuniram-se em Pequim, em 2004

Mas esperantistas e lingüistas como Blake sentem que existe razão para um otimismo cauteloso quanto ao futuro da língua. "Acho que, em conexão com uma melhor compreensão entre as pessoas, precisamos de uma política lingüística mais democrática, algo que não temos no momento na Europa", disse Blake, acrescendo que "nesse contexto, acredito que o interesse no modelo do esperanto está crescendo".

Enquanto sua meta de se tornar uma segunda língua universal parece ainda estar bem longe, uma cultura pequena mas promissora desenvolveu-se em torno da língua. Existe música em esperanto, livros e até mesmo o que poderia ser chamado de literatura, reconhecida oficialmente pelo grupo de escritores do PEN Clube.

Em breve, os britânicos estarão expostos como nunca à língua. A empresa Littlewoods Direct está usando esperanto num de seus anúncios de roupas na televisão. "Sabemos que a maioria das pessoas que assistirão ao comercial não compreenderá o que está sendo dito, mas a língua é tão bonita e elegante quanto nossas roupas", explicou o diretor de merchandising David Inglis, informando também que, para uma melhor compreensão, foram acrescentadas legendas.

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