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Economia

Esperando o vinho do século

Há décadas a Alemanha não vê tanto sol assim. Para a alegria das videiras e dos produtores. Pois sol significa mais açúcar, que significa bom vinho. Mas a água também não pode faltar.

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Um ano de abundância

A intensa onda de calor, que faz o alemão médio bufar, faz a alegria dos vinicultores. É que este ano tem sido abençoado para os vinhais da Alemanha: no primeiro semestre de 2003 registraram-se 340 horas de sol a mais do que a média dos anos anteriores.

Especialmente na última fase da maturação, a energia solar é essencial para o transporte do açúcar das folhas até os bagos. Ela também reduz o nível de acidez dos frutos. E quanto mais doce a uva, melhor a qualidade do vinho. Por isso, se tudo continuar correndo bem, este poderá ser “o vinho do século”, superando a safra de 1976. E 2003 já apresentou 200 horas de sol a mais do que aquele legendário ano.

Num verão “normal” – ou seja, chuvoso –, os vinicultores alemães suam para produzir o precioso líquido, pois com freqüência o excesso de umidade ameaça fazer apodrecer a colheita. Este ano seu trabalho é fácil: em todo o país as uvas estão amadurecendo de duas a três semanas mais cedo do que a média. As videiras já haviam florescido antes do usual: desde 1934 não se registrava na região vinícola de Rheinhessen uma floração tão precoce.

Não alegrar-se antes da hora

Os produtores de vinho da Alemanha têm o seguinte provérbio: “Não se deve elogiar a safra antes da colheita”. Sábias palavras, pois, embora alguns até já tenham dado início a ela, o “vinho alemão do século” ainda não é coisa garantida.

Estas primeiras uvas fornecerão apenas um bom produto. A qualidade excepcional dependerá de o tempo seco não se prolongar por tempo demasiado, já que as plantas precisam do líquido para retirar as substâncias nutritivas do solo. Sem água, o processo de amadurecimento é interrompido.

Por enquanto, o verão de 2003 foi generoso, até nesse aspecto. Segundo um vinicultor da região de Bonn, o ritmo das precipitações tem sido ideal. Ao contrário dos cereais, as parreiras são bastante resistentes à seca. Suas raízes alcançam até 12 metros de profundidade, enquanto o trigo, por exemplo, fica em torno de 30 centímetros.

Três riscos e um trunfo

Nas regiões do Rio Mosela, Rheinhessen e Francônia, o solo ainda conta com reservas suficientes de água, mas no sul do país a pouca umidade começa a afetar as plantações. Caso o problema se agrave, os produtores ainda contam com um trunfo: sacrificar a quantidade em nome da qualidade, podando o excesso de videiras.

Ainda assim, os vinicultores da Alemanha têm dois sérios riscos a temer. Uma precipitação de granizo teria conseqüências avassaladoras. Assim como uma eventual virada do tempo: um setembro "molhado" seria um golpe fatal para o tão esperado vinho do século.

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