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Economia

Especialistas estrangeiros em TI vivem na incerteza

O governo alemão trouxe milhares de especialistas em técnicas de informação ao país. No entanto, o fato de os vistos de residência e trabalho serem concedidos apenas por cinco anos está dificultando a sua vida.

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Programadores da Índia entre os que mais ganharam green card da Alemanha

"Quem tem a chance de vir para cá,deveria pensar bem no caso", diz o uruguaio Diego Carbonell (32), que veio à Alemanha há dois anos e meio. Ele trabalha desenvolvendo software para uma firma em Munique, trouxe sua esposa e agora tem uma criança nascida na Alemanha. Seu problema: ele não consegue fazer nenhum plano a médio prazo, e isso não por culpa sua.

Carbonell é um de cerca de 14 mil técnicos estrangeiros em IT possuidores do green card. Ele foi um dos primeiros a aproveitar a oportunidade surgida com o programa criado pelo governo alemão em agosto de 2000. Ele visava suprir a falta de especialistas em informática no mercado nacional. O green card dá o direito de permanecer na Alemanha e trabalhar durante cinco anos. Depois desse prazo, ele teria que deixar o país.

Esgotada a metade de sua estadia, o futuro de Diego Carbonell e sua família está cheio de incertezas. "Na minha idade, eu penso em formar uma família. Mas não tenho condição de tomar decisões. Não posso comprar uma casa. Também não faz sentido comprar um automóvel, porque vou sair daqui dentro de dois anos e meio", disse à Deutsche Welle.

Ajuda online

O uruguaio não é o único nessa situação. A incerteza é um dos principais problemas dos portadores de green card, segundo Detlef von Hellfeld. Ele administra uma página na rede, que se transformou num fórum para quem já está trabalhando na Alemanha ou está no exterior e se interessa pelo programa do green card. Detlef também oferece dicas e conselhos para os que já são portadores e mantém um arquivo com dados de aproximadamente 20 mil pessoas que gostariam de vir trabalhar na Alemanha.

"Não é fácil para quem chega sem muito conhecimento do país. As dificuldades começam com coisas simples, como abrir uma conta bancária, comprar uma passagem ou fazer um contrato com uma operadora de celular", explica Hellfeld. Carbonell contou que teve sorte. "Em 2000 não havia uma infra-estrutura para ajudar os estrangeiros que chegavam, mas o entusiasmo da firma compensou isso".

Ou seja: a empresa ajudou-o a encontrar apartamento e abriu uma conta para ele. Isso poupou ao jovem uruguaio muita dor de cabeça com os trâmites burocráticos que todo estrangeiro enfrenta na chegada à Alemanha. Mesmo assim, demorou mais alguns meses até ele ter um telefone funcionando em casa, passar por todas as repartições necessárias e completar a papelada para regularizar sua situação como residente no país, a começar pelo registro obrigatório no Einwohnermeldeamt, o departamento municipal que sabe dizer todo dia quantos habitantes uma cidade tem.

Permanência com direito a problemas

A maioria dos portadores de green card é procedente da Europa Oriental, Índia e do norte da África.Diego Carbonell, a estas alturas, já está no seu terceiro emprego na Alemanha. A primeira firma foi à falência, a segunda fechou. Depois dessas duas experiências, ele pode se considerar um felizardo por haver encontrado trabalho, em plena recessão econômica. Embora altamente qualificados, muitos dos especialistas estrangeiros em TI que vieram ao país perderam seus empregos, com o colapso de muitas firmas de internet. Cerca de 7% dos portadores de green card estão desempregados, constatou uma pesquisa recente.

O técnico estrangeiro que procurar trabalho, enfrenta um problema a mais, segundo Hellfeld: "Nenhuma firma vai querer investir em alguém, cujo visto de residência está para caducar". Diante disso, ele decidiu fazer um abaixo-assinado, apelando ao governo alemão para que conceda residência permanente, quando se esgotar o prazo de cinco anos para esse grupo de trabalhadores que pagou impostos e contribuições sociais como todos os alemães e os demais estrangeiros residentes no país.

Uma nova lei de imigração poderia haver solucionado todos esses problemas. No entanto, o projeto de lei não foi aprovado pelo Conselho Federal, a segunda câmara do Legislativo e ainda pode tardar até o fim do ano para que governo e oposição cheguem a um acordo capaz de ser revertido em lei.

E o que pensa Diego Carbonell, disso tudo? "Este país está nos dando uma chance. E nós temos muito o que dar também, não apenas nossa capacidade técnica", diz o uruguaio: contribuir para maior diversidade cultural do país. De sua parte, ele confessa aprender todo dia algo novo sobre a Alemanha. Mas admite que nunca vai entender alguns aspectos da mentalidade alemã. Mas não faz mal: "Não há nenhum lugar perfeito neste mundo. Mas a Alemanha pode estar perto disso", conclui.

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