Especialista defende a ″química verde″ | Novidades da ciência para melhorar a qualidade de vida | DW | 27.01.2012
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Ciência e Saúde

Especialista defende a "química verde"

Plásticos poderiam ser produzidos a partir de matérias-primas vegetais e se decompor mais rapidamente, diz o químico Uwe Lahl. Indústria diz que a "química verde" é difícil de ser implementada em larga escala.

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Uwe Lahl é um dos mentores da "química verde" na Alemanha

Entre os ambientalistas alemães, a indústria química não tem mais a má reputação que tinha há 20 anos. A bancada do Partido Verde no Parlamento, por exemplo, afirmou em 2009 que sem a química a civilização seria impossível e que a indústria química é um importante motor da economia alemã.

Mas os verdes também esperam que indústria química impulsione de forma decisiva a proteção ambiental, por exemplo usando em grande quantidade plástico biodegradável. 

Química verde

"Sem a indústria química, a União Europeia não conseguirá atingir a meta climática de reduzir em 80% suas emissões de CO2 até 2050", declara o químico Uwe Lahl, que durante oito anos trabalhou no Ministério alemão do Meio Ambiente e é um dos mentores da "química verde" na Alemanha.

No estudo intitulado Going green: Chemie (química mais verde, na tradução livre do inglês e do alemão), ele expôs para a Fundação Heinrich Böll o que uma indústria química sustentável pode fazer diferente do que se faz hoje.

Ele defende, por exemplo, o uso obrigatório de plásticos que se decomponham em pouco tempo. "Por que uma embalagem deve permanecer mais de cem anos no meio ambiente?", questiona Lahl. Por isso deveria haver uma lei limitando o tempo que uma embalagem deve durar.

Além disso, a reciclagem do plástico deveria ser mais fácil. "Deve ser possível decompor plástico usado e recompô-lo novamente sem perda de qualidade", diz o químico.

A principal meta de Lahl é reduzir significativamente o consumo de energia e matéria-prima por parte da indústria química. Além disso, a indústria química deve tornar seus processos mais eficientes por meio de catalisadores, utilizar mais a energia solar, produzir produtos químicos básicos a partir de matérias-primas como talos de milho ou restos de madeira e utilizar bactérias e levedura em refinarias.

"Já em 2050 mais de 80% dos produtos químicos poderiam ser derivados de recursos renováveis", sustenta o químico. Hoje, cerca de 10% da matéria-prima que as indústrias químicas alemãs usam vêm de plantas e árvores. Ela é usada principalmente em produtos como cola e tensoativos para detergentes.

Ceticismo na indústria

A Associação das Indústrias Químicas da Alemanha (VCI, na sigla original) diz que as ideias de Lahl são utópicas. Produtos químicos básicos, como o éter, podem até ser produzidos em laboratório a partir de açúcar ou celulose, mas isso não é economicamente viável, afirma o diretor-gerente da VCI, Utz Tillmann.

Além disso, a biomassa não pode substituir o petróleo em larga escala, diz Tillmann. Um exemplo: uma empresa com instalações modernas pode produzir mais de 800 mil toneladas de éter a partir do petróleo. Para obter a mesma quantidade a partir da cana-de-açúcar brasileira, seria necessário plantar uma área de 2.200 quilômetros quadrados, aproximadamente o tamanho de Luxemburgo. Para a produção do éter a partir da madeira, a área teria de ser ainda maior.

O químico Uwe Lahl não concorda com esses cálculos. Segundo ele, uma área de cerca de 2 milhões de quilômetros quadrados, aproximadamente o território do México, bastaria para produzir matéria-prima renovável para a indústria química mundial. Ainda segundo ele, não haveria conflito com a produção de alimentos.

Atualmente são cultivados cerca de 15 milhões de quilômetros quadrados para a produção de alimentos e ração animal. Cerca de 4 milhões de quilômetros quadrados foram abandonados nos últimos anos devido à falta de lucro ou ao mal gerenciamento. Com uma política de uso racional da terra, haveria área suficiente para tudo, afirma Lahl.

Uso da biomassa

Ele concorda que um processo de mudança da matéria-prima utilizada pela indústria química requer tempo e ainda exige muita pesquisa nos laboratórios das universidades e das empresas.

Mas ele também aguarda sinais do governo, principalmente em relação ao uso de biomassa (por exemplo cana-de-açúcar e outros vegetais) para fins energéticos. Na opinião dele, a biomassa deveria ser prioritariamente usada para produção de plástico e não de combustíveis.

Ele lembra que o elemento químico carbono é essencial na produção de plásticos e outros produtos químicos. Já a energia também pode ser produzida a partir do vento, do sol, da água ou do calor do planeta. Por isso ele exige uma revisão de prioridades, para que a biomassa seja utilizada preferencialmente pela indústria química.

Autor: Ralph Heinrich Ahrens (mas)
Revisão: Alexandre Schossler

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