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Economia

Espírito empreendedor

Numa época em que o mercado de trabalho se caracteriza pelo desemprego em massa, estrangeiros que vivem na Alemanha demonstram grande espírito de iniciativa e tornam-se autônomos.

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Lanchonetes turcas e gregas faturam mais que o McDonald's na Alemanha

A imagem do estrangeiro que vem para a Alemanha — na condição de "trabalhador convidado" — com a intenção de ganhar dinheiro para poder construir uma casa na terra natal ainda predomina na cabeça de muitos alemães. Mas este clichê dos anos 60 e 70 não corresponde mais à realidade.

Dos 7,3 milhões de estrangeiros que compunham a população alemã em 2001, cerca da metade vivia há pelo menos dez anos no país; 30%, há 20 anos ou mais. E muitos já se livraram há tempos da condição de assalariados. A Alemanha conta hoje com cerca de 275 mil empresários estrangeiros, sendo que a opção pela autonomia é mais freqüente entre os imigrantes do que entre a população alemã propriamente dita.

O fato não só é amplamente ignorado, como também raramente tematizado. "Fala-se do grande número de desempregados entre os estrangeiros, mas dificilmente se registra sua iniciativa no setor econômico", lamenta o político verde Rezzo Schlauch, ministro adjunto da Economia. "Os fatos demonstram que a imigração não nos trouxe apenas assalariados, como também empresários, investidores, empregadores e instrutores", acrescenta.

Quase sempre microempresas

O número de imigrantes que optam pela condição de autônomos vem crescendo constantemente desde fins da década de 80. Seu forte é a gastronomia e o comércio, mais raramente o setor manufatureiro. Trata-se quase sempre de microempresas, com dois ou três funcionários, que representam, no entanto, uma grande potência econômica.

Só de lanchonetes que vendem döner kebap — churrasquinho preparado em espeto e fatiado em seguida, uma especialidade turca e grega — , existem dez mil na Alemanha. "Elas faturam ao ano dois bilhões de euros — mais do que o McDonald's!", esclarece Reinhold Stratmann, do Banco Alemão de Compensação, que promoveu em Berlim um simpósio a respeito do espírito empreendedor dos estrangeiros na Alemanha.

Crédito difícil

Hoje faz parte do dia-a-dia dos alemães ir buscar uma pizza no italiano da esquina, ou levar as vestimentas para encurtar a barra ou pregar um zíper à costureira turca. Mas quando um estrangeiro vai a uma repartição em busca de um alvará ou a um banco a fim de conseguir um empréstimo para abrir um negócio próprio, as dificuldades geralmente são maiores do que se ele fosse alemão.

"Os empresários estrangeiros quase sempre dispõem de pouco capital próprio e — o que torna a coisa mais dramática — têm dificuldade de acesso ao capital de terceiros", critica Rezzo Schlauch. Grande parte do financiamento é fornecido por familiares ou amigos, "o que nem sempre é suficiente, levando a uma subcapitalização da empresa", completa o político verde.

Não basta que o governo alemão pretenda melhorar as condições para os estrangeiros autônomos. Importante é que toda a sociedade mude de atitude perante os que vêm de fora, adverte Marieluise Beck, encarregada do governo federal para assuntos relativos aos estrangeiros.

Essa atitude é determinada, com freqüência, por clichês e preconceitos que se mantêm teimosamente. A sociedade tem dificuldade em reconhecer que, estando melhor integrados, os estrangeiros poderiam desenvolver seu potencial empreendedor e estabelecer pontes com mercados estrangeiros, contribuindo para o bem-estar da comunidade.

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