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Economia

Eslovênia pode ser o próximo a pedir ajuda ao fundo europeu

Considerado "aluno exemplar" na época em que ingressou na UE, em 2004, país agora revela fraquezas estruturais em sua economia. Governo nega precisar de ajuda e confia em pacote de austeridade para salvar seus bancos.

Quando a Eslovênia entrou para a União Europeia, em 2004, especialistas avaliaram que nenhum outro país, entre os que ingressavam no bloco naquele ano, estaria tão bem preparado. Eram eles Polônia, Hungria, Malta, Chipre, República Tcheca, Eslováquia, Estônia, Letônia e Lituânia.

Hoje, porém, a imprensa mostra uma perspectiva bem diferente sobre o país que fazia parte da antiga república iugoslava. Hoje em dia, são frequentes as manchetes questionando a estabilidade da economia eslovena e a necessidade de recorrer ao fundo de resgate europeu.

Pelo menos oficialmente, isso sempre foi negado. No entanto, o primeiro-ministro Janez Jansa alertou no Parlamento que seria preciso intensificar a austeridade nas contas e apertar os cintos, para que a Eslovênia não seguisse o mesmo caminho da Grécia.

O ministro esloveno de Finanças tentou acalmar os ânimos, declarando que está sendo feito de tudo para que o país não precise recorrer à ajuda financeira. O chefe do banco nacional garantiu: "não precisamos de ajuda agora" – enfatizando, porém, a palavra "agora".

"Palavras erradas também podem precipitar uma crise", alerta Hermine Vidovic, do Instituto de Estudos Econômicos Internacionais de Viena. "Uma declaração equivocada de um político já basta, a União Europeia está muito sensível". Espanha e Portugal também tinham dado declarações semelhantes pouco antes de anunciarem pedidos oficiais de ajuda à Comissão Europeia.

Grandes expectativas

Algumas agências internacionais de rating rebaixaram a nota da Eslovênia e de seus bancos, o que piorou as condições do país no mercado financeiro. A Moody's chegou a rebaixara nota de crédito da Eslovênia em três níveis, chegando a Baa2. Com a nova classificação, o país ficou a apenas dois degraus do nível considerado "bônus lixo".

Para tomar dinheiro emprestado, a Eslovênia precisa pagar, hoje, juros de aproximadamente 7%. Para se ter uma ideia do que isso representa, a Alemanha, que tem um boa avaliação de risco junto às agências de rating, paga menos de 2% de juros sobre empréstimos – em alguns casos, não paga juro nenhum.

Eslovênia tinha economia forte quando entrou para a UE, em 2004

Eslovênia tinha economia forte quando entrou para a UE, em 2004

A Eslovênia sempre se comportou como um "aluno exemplar" na zona do euro – pelo menos até o início da crise financeira. O país localizado entre a Itália, a Áustria e a Croácia, com cerca de dois milhões de habitantes, era tido na antiga Iugoslávia como uma das repúblicas mais desenvolvidas economicamente da federação. Naquela época, muitos moradores das áreas ao sul da Iugoslávia procuravam emprego no mercado esloveno.

Em abril de 2004, pouco antes da entrada do país na UE, a revista alemã "Stern" afirmou que a Eslovênia seria "o primeiro país entre os novos integrantes do bloco econômico que depositaria mais recursos na conta comum do que receberia".

No período imediatamente após a entrada na UE, a economia eslovena vivera uma explosão: houve um boom na construção civil, os bancos podiam tomar empréstimos no mercado internacional sob boas condições e, de maneira generosa, também as repassavam a seus credores.

Porém, as dívidas públicas e também do setor privado continuaram crescendo. A Eslovênia ficou cada vez mais dependente de créditos. Quando a crise secou as fontes de recursos baratos, as fragilidades estruturais da economia eslovena ficaram à mostra.

Fragilidades estruturais

Um dos problemas é a fraca dotação de capital próprio por parte dos bancos eslovenos, sobretudo do mais importante do país, o NBL. A maior parte de suas ações está sob controle estatal, pois as lideranças políticas não estavam preparadas para permitir investimentos estrangeiros de grande vulto – nem no setor bancário, nem na economia. O governo esloveno argumentou que queria se manter como o "dono da própria casa".

"Isso, obviamente, está muito atrelado a querer usar este banco como instrumento político" , afirma Hermine Vidovic. Segundo ela, chegara-se a uma desastrosa aliança entre os maiores bancos do país e as estruturas políticas. "Quem estiver no poder, pode se servir de um destes bancos", critica a especialista.

O banco agora também tem um problema financeiro grave: para atender às imposições da Autoridade Bancária Europeia (EBA, sigla em inglês), que determina uma conta de capital próprio de 9%, o NLB precisou de mais de 380 milhões de euros.

Jelko Kacin, deputado esloveno do Parlamento europeu, esclareceu que dessa vez o país conseguiu amparar o banco, mas alertou: "até o final deste ano é preciso haver uma recapitalização. Se isso não acontecer, uma solução possível será pedir ajuda à UE".

Em poucas palavras, isso significa que a Eslovênia precisaria recorrer ao fundo de resgate europeu. No momento, fala-se em algo entre 200 e 300 milhões de euros – apenas para o banco NLB. E ele não é o único no país que enfrenta problemas.

Em abril deste ano, manifestantes protestaram contra o pacote de austeridade anunciado pelo governo

Em abril deste ano, manifestantes protestaram contra o pacote de austeridade anunciado pelo governo

Programa de austeridade

Outro problema no país são as enfraquecidas exportações. Neste ponto, a pequena abertura do mercado esloveno para investidores estrangeiros revela seus efeitos negativos, critica Vidovic. "A estrutura eslovena de exportação não é boa, há poucos produtos de alta tecnologia", afirma a especialista de Viena.

Quando se compara a Eslovênia hoje com outros países integrantes da União Europeia, é possível ver que "alguns deles têm mais investimentos estrangeiros diretos e outras estruturas de exportação. Eles podem produzir produtos de alta qualidade tecnológica", explica.

O recuo das exportações reflete-se no mercado de trabalho. Atualmente, o índice de desemprego na Eslovênia é de aproximadamente 8%. Apesar de estar abaixo da média da zona do euro, de 11%, ela é o dobro da que o país apresentava antes da crise.

O governo tenta neutralizar esses aspectos negativos e definiu um programa de austeridade que prevê, principalmente, uma redução de salários no setor público. Com isso, 500 milhões de euros devem ser poupados neste ano e 750 milhões no ano que vem.

Com isso, o déficit orçamentário pode cair dos mais 6% do PIB, previstos para este ano, para menos de 3% no ano que vem. Com esta economia, a Eslovênia espera conseguir evitar pedir ajuda aos colegas europeus.

Autor: Zoran Arbutina (msb)
Revisão: Francis França

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