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Mundo

Eslovênia começa pagando e sem entusiasmo

A Eslovênia deverá receber o sinal verde para ingressar na União Européia, 11 anos após sua independência. O país já vai começar dando uma gorda contribuição aos cofres da UE, graças à sua boa situação econômica.

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Capital eslovena Liubliana

A Eslovênia parece-se um pouco com os Alpes, tem planícies como as italianas, é meio desértica como a província húngara Puszta. Tem também muitos vinhedos e 50 quilômetros de costa no Mar Adriático. Em poucas palavras, é esta a descrição da situação geográfica da Eslovênia. Uma enorme variedade numa superfície menor que o estado alemão do Hessen, com dois milhões de habitantes muito conscientes da situação do seu país. Suas atenções estão voltadas agora para a conferência dos chefes de Estado e de governo dos 15 países da UE, em Copenhague, nos dias 12 e 13, quando deverão oficializar o convite para dez países ingressarem na comunidade.

Vítimas do sucesso

O ingresso da Eslovênia na UE é esperado pelo seu povo quase como um passo casual. Admira o fato de apenas 55% da população aprovar a adesão, mas só a primeira vista. Os eslovenos são vítimas de seu próprio sucesso econômico: de acordo com a conjuntura interna atual, o país tem de pagar 150 milhões de euros ao cofre comum da UE, imediatamente após a sua integração. Para os pragmáticos eslovenos é difícil aceitar a idéia de transferir dinheiro para Bruxelas.

Ainda assim, nenhum político na capital Liubliana duvida seriamente da decisão tomada em plebiscito, favorável à adesão da Eslovênia. Todos os partidos políticos – tanto de direita quando de esquerda – uniram-se há anos nos esforços pela integração do país na UE.

Foco de conflito

A psicologia é um fator importante: o ingresso da Eslovênia evidenciaria, para fora, a delimitação dos Bálcãs, pois ainda permanece grande o trauma com o fato de o país ser associado aos vizinhos e visto como foco de conflito. Esse componente psicológico é destacado também pelo ex-chefe de governo e ministro das Relações Exteriores e atual presidente da Comissão de Política Externa no Parlamento, Lojze Peterle.

"A Eslovênia tenta apresentar-se em suas tradições centro-européias e mediterrâneas e não como um Estado balcânico", diz o ex-chefe da diplomacia eslovena.

Embora se distanciem dos outros países desmembrados da antiga Iugoslávia, os eslovenos são favoráveis a uma integração, a longo prazo, dos seus vizinhos situados ao leste. Sempre que tem uma oportunidade, o governo em Liubliana destaca que a ampliação da UE não deve deter-se na fronteira entre a Eslovênia e a Croácia. A integração deste país e, mais tarde, do que restou da Iugoslávia (Sérvia e Montenegro) na UE diminuiria os conflitos de fronteiras e étnicos na região, segundo o ministro das Relações Exteriores, Dimitrij Rupel. E a Eslovênia já se vê como mediador nessa ampliação.

Estabilidade econômica

Sob o aspecto econômico, a Eslovênia pode sentir-se como membro da UE há muito tempo: quase 70% do seu comércio exterior é com os Estados comunitários. O país alcançou uma estabilidade em proporção suficiente para competir no âmbito da UE, conforme o relatório da Comissão Européia (órgão executivo da UE) sobre as negociações para adesão à comunidade.

A balança comercial eslovena está equilibrada, a renda per capita do país compara-se com as de Portugal e da Grécia e a taxa de desemprego situa-se abaixo de 7%. A Eslovênia apresenta dois fatores negativos: a inflação de quase 8% está alta demais para as critérios da UE e ainda há muito a fazer em matéria de privatização.

Sem emoção ou entusiasmo

Mas os pragmáticos eslovenos podem alcançar essas duas metas sem alvoroço algum. Por último, eles também vêem com pragmatismo as suas relações com a UE. Muito se alegram com isso, mas sem grandes emoções ou entusiasmo. O engenheiro Branko Rosi faz uma comparação entre seus sentimentos para com a UE do futuro e a Iugoslávia unida do passado: "jamais sentirei a União Européia como minha pátria, assim como nunca considerei a Iugoslávia minha pátria".

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