Escritor tcheco Michael Stavaric ganha o Prêmio Chamisso de 2012 | Cultura europeia, dos clássicos da arte a novas tendências | DW | 01.03.2012
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Cultura

Escritor tcheco Michael Stavaric ganha o Prêmio Chamisso de 2012

A distinção é concedida a autores que não têm o alemão como língua materna, mas escrevem no idioma. O nome do prêmio remete a Adelbert von Chamisso, francês que se tornou um dos principais poetas do romantismo alemão.

Stavaric começou a aprender alemão aos 7 anos Angeliefert durch: Gabriela Schaaf, Redakteurin Deutsche Welle Hintergrund Kultur

Stavaric começou a aprender alemão aos 7 anos

O começo foi difícil. Michael Stavaric, nascido em 1972 na cidade tcheca de Brno, migrou aos sete anos de idade com a família para a Áustria. Os Stavaric se estabeleceram em Laa an der Thaya, uma cidadezinha com cerca de 6 mil habitantes próxima da fronteira austro-tcheca.

"Minha relação com a língua alemã obviamente foi marcada por crises", lembra Michael Stavaric. "Quando cheguei à Áustria, eu não conseguia pedir um copo de refrigerante. Literalmente eu não falava uma única palavra em alemão".

Esta condição, porém, mudou quando o jovem entrou para a escola e precisou aprender alemão rapidamente. "Não tinha como ser de outro jeito, diariamente eu lidava com outras crianças", conta.

O francês Adelbert von Chamisso dá nome ao prêmio

O francês Adelbert von Chamisso dá nome ao prêmio

Três décadas depois, Stavaric seria o ganhador do Prêmio Chamisso, concedido a escritores que, apesar de não terem o alemão como sua língua materna, escrevem no idioma. Entre os autores já premiados estão o sírio Rafik Schami, a japonesa Yoko Tawada e Feridun Zaimoglu, de origem turca.

Concedido desde 1985, o prêmio recebe o nome em homenagem ao francês Adelbert von Chamisso, que em 1792 fugiu do tumulto gerado pela revolução em seu país e foi para Berlim. Ele começou a escrever poesias em alemão e acabou se tornando um dos maiores representantes do romantismo alemão.

Integração de sucesso

Assim como os outros agraciados, pode-se dizer que Michael também é um bom exemplo de "integração bem-sucedida". O jovem tcheco concluiu a escola e a faculdade na Áustria e, aos 28 anos, publicou seu primeiro livro de poesias. Aos 34, após várias traduções do idioma tcheco, apareceu seu primeiro romance em língua alemã: Stillborn. "Alemão acabou virando língua materna para mim", afirma ele hoje em dia.

O escritor de 40 anos já publicou cinco romances, e todos polarizam as opiniões do público. Para alguns, as obras de Stavaric são "ilegíveis". Eles dizem que o autor só quer faturar prêmios como vanguardista e se exprime por meio de termos intragavelmente desconcertantes. Já para outros leitores o tcheco é um talento extraordinário da literatura alemã atual, um prosador original, que interpreta a sintaxe alemã de maneira diferente de outros autores.

Stavaric, no entanto, não se vê como um autor "experimental". "Não se pode mais falar essa palavra hoje em dia, senão você não encontra uma editora", diz. Ele se enxerga muito mais como um alguém que gosta de jogos de palavras, alguém que vê a língua de maneira diferente de autores de Munique, Berlim ou Hamburgo.

"Autores cuja língua materna não é o alemão trazem elementos para o idioma, e isso me levou ao Prêmio Chamisso. Estes elementos renovam, questionam ou desafiam a língua. Acho isso bem interessante", afirmou o autor.

Mais austríaco impossível

Seus livros, no entanto, não são muito fáceis de ler. Um romance, cujo enredo pode ser recontado posteriormente, não tem valor, afirma Stavaric, referindo-se a seu compatriota Milan Kundera. Ele afirma não ter nada contra a literatura convencional. Mas ele acredita que as formas tradicionais ganharam um peso muito grande nos últimos 10, 20 anos. Ele reclama que para as editoras, para os críticos e muitas vezes para os leitores leva-se em consideração apenas o que se pode contar nas tramas tradicionais.

Com seu caminho vanguardista e lúdico, o próprio escritor se vê em uma tradição literária claramente austríaca. O trabalho de autores do país como Hans Carl Artmann, Ernst Jandl e as experimentações do "Grupo de Viena" parecem ser uma inspiração para a carreira do ganhador do Chamisso deste ano. "Sim, eu sou um autor austríaco. Eu me vejo cada vez mais nesta tradição. Provavelmente não tem como ser mais austríaco do que eu."

Autor: Günter Kaindlstorfer (msb)
Revisão: Carlos Albuquerque

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