1. Inhalt
  2. Navigation
  3. Weitere Inhalte
  4. Metanavigation
  5. Suche
  6. Choose from 30 Languages

Cultura

Escrever é traduzir-se

Tradução como ponte entre Ocidente e Oriente, entre o velho continente e os trópicos. Feira de Livros de Frankfurt abre estação coreana de leitura. Estudo investiga "filosofar poliglota" de Vilém Flusser.

default

'Escritores constroem literatura nacional; tradutores, literatura mundial.'

A Feira de Livros de Frankfurt, aberta ao público de 19 a 23 de outubro, elegeu a Coréia como espaço cultural de destaque este ano. Apesar de a Feira ser mais um megaevento de negócios do que de arte literária, o destaque de uma literatura estrangeira a cada ano acaba atraindo a atenção da opinião pública para línguas e culturas esquecidas pelo grande público.

Oriente e Ocidente espelhados

Por maior que seja o abismo cultural entre os dois países, a redescoberta da Coréia pela Alemanha por ocasião da Feira de Livros deste ano é um gesto de espelhamento. A história coreana do século 20 é um compêndio de rupturas.

A dominação imperialista pelo Japão em 1905; a divisão do país, ocupado por russos e americanos depois da Segunda Guerra; a Guerra da Coréia, de 1950 a 1953, que acirrou a separação entre os Estados socialista e capitalista: tudo isso deixou marcas significativas na literatura coreana.

A elaboração literária de uma trajetória de rupturas pode muito bem despertar a identificação dos leitores alemães. Pelo menos foi nisso que apostaram os editores pioneiros de literatura coreana no país.

Sartre e Adorno reimportados

Guardada a dimensão das diferenças históricas (o Muro de Berlim dificilmente se deixa comparar a uma guerra que vitimou seis milhões de coreanos), o tema da divisão de um mesmo povo em dois Estados e suas implicações, como perda da identidade cultural e separação de famílias, teriam chances de atrair leitores alemães.

A tematização da guerra e seus efeitos são centrais na obra de autores como Pak Wanso, Kim Won, Jo Jong Rae ou Lim Chul-Woo, cujos nomes ainda são praticamente desconhecidos na Alemanha. Na visão dos críticos literários, os paralelos históricos poderiam levar a interessantes comparações.

Brockhaus auf der Buchmesse

Estande da Editora Brockhaus na Feira de Livros de Frankfurt 2005

Apesar de a literatura da Coréia do Sul ter se ocidentalizado em grande medida desde a década de 60, elegendo o existencialismo francês e a Escola de Frankfurt como referenciais para codificar sua impotência ou ímpeto subversivo diante do regime ditatorial que perdurou até fim dos anos 80, ela continuou e continua sendo apreendida na Alemanha por sua singularidade, sobretudo lingüística.

Tradução a muitas mãos

"Nos livros coreanos aparece uma quantidade absurda de trocadilhos intraduzíveis", nota Günther Butkus, editor da Pendragon, de Bielefeld, uma editora pequena que já publicou 30 títulos de literatura coreana desde 1997. Em entrevista ao jornal de literatura da Universidade de Bielefeld, Lili, Butkus comenta a dificuldade de encontrar tradutores do coreano.

Raramente os livros são traduzidos por uma única pessoa. Muitas vezes, uma equipe de coreanos e alemães tem que se debater com o texto original e a tradução durante diversos meses. A barreira lingüística geralmente também torna os editores dependentes de traduções de literatura coreana para outras línguas na escolha de títulos para seus programas.

O ato de traduzir-se e retraduzir-se é o que move a filosofia do pensador tcheco Vilém Flusser, que viveu 32 anos no Brasil. Livro analisa "filosofar poliglota" de um pensador nômade. Leia resenha a seguir. >>>

Leia mais

Links externos